<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754</id><updated>2012-01-31T16:54:11.410Z</updated><title type='text'>Ângulo Saxofónico</title><subtitle type='html'>Cerebral-místico-palaciano.  «Do not go gentle into that good blog»</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ângulo Saxofónico</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16004531022503855612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>522</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-726865636213517937</id><published>2012-01-31T16:52:00.001Z</published><updated>2012-01-31T16:54:11.418Z</updated><title type='text'>Recordando Neilton Tcheleque - 1ª Parte</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Fins de tarde de um dia de semana. Encontrava-me por casa, a comer uns restos de pizza semi-descongelada, ligeiramente aborrecido. Tinha de escrever um texto à pressão para a Revista. O prazo limite para a entrega do texto terminava daí a umas quinze horas. Havia que meter mãos à obra o mais rápido possível.&lt;br /&gt;Dei uma olhadela na minha lista de “ideias para textos”, que consultava nos momentos de menor inspiração.&lt;br /&gt;Já os tinha utilizado quase todos. Restavam-me estes:&lt;br /&gt;1-    História sobre miúdo que está sempre a apanhar porrada e faz constantemente novas queixas-crime: um miúdo chega a casa e diz à mãe que um colega lhe partiu os dentes. A mãe diz que vai fazer uma queixa-crime. No dia seguinte, o colega parte-lhe uma perna. A mãe diz que vai fazer uma queixa-crime. A violência aumenta de tom à medida que as queixas-crime se acumulam no Tribunal.&lt;br /&gt;2-    Pessoa que sonha que arranjou um emprego e acorda sem saber qual é: a pessoa adormece extremamente ansiosa por ter arranjado finalmente um emprego. Ainda por cima é bem pago. Todavia, no dia seguinte, quando se está a vestir para ir para o trabalho esquece-se por completo onde é que este se localiza nem sabe qual é realmente o tipo de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me apetecia pegar em nenhum dos dois. Iriam dar-me muito trabalho e estava farto de histórias mirabolantes.&lt;br /&gt;Nisto, tocou-me o telefone. Era o Zé Mário. Atendi.&lt;br /&gt;- Então rapaz, tudo bem?&lt;br /&gt;- Está tudo, puto, e contigo?&lt;br /&gt;- Também. Estou aqui a acabar uma história para entregar amanhã na Revista.&lt;br /&gt;- Fazes bem, pá. É sobre o quê?&lt;br /&gt;- Hum…é difícil explicar, mistura vários temas…&lt;br /&gt;- E já estás quase a acabar o texto? Ia dizer-te para tomarmos um copo logo à noite, no Estêvão. Deve tar lá o pessoal todo.&lt;br /&gt;- Pois, mas não dá, tenho de acabar isto.&lt;br /&gt;- Então acabas o teu texto e vais lá ter a seguir para tomar um copo.&lt;br /&gt;- Ainda me vou demorar um bocado.&lt;br /&gt;- Então tomas lá um copo e vais a seguir para casa acabar o texto.&lt;br /&gt;- Não dá, pá…tou sem inspiração. Olha, na verdade ainda nem comecei o texto e nem sei o que hei-de escrever.&lt;br /&gt;- Então? Estás sem ideias?&lt;br /&gt;- Tenho algumas ideias, mas não me apetece escrever sobre isso. São sempre as mesmas histórias estapafúrdias e contos de perlimpimpim.&lt;br /&gt;- Como assim?&lt;br /&gt;- Sei lá, apetece-me escrever uma coisa mais visceral, real, com conteúdo. Nada de situações surreais ou imaginárias. Tudo muito certinho e extremamente credível.&lt;br /&gt;- Parece-me bem.&lt;br /&gt;- Pois, mas estou sem inspiração para isso.&lt;br /&gt;- Por isso mesmo é que deves ir beber um copo. Lá no Estêvão há sempre grandes personagens! Olha, estive lá ontem e sabes quem encontrei?&lt;br /&gt;- Não. Quem?&lt;br /&gt;- Nem vais acreditar. Estava lá uma velha que era filha do Fernando Pessoa.&lt;br /&gt;- Do Fernando Pessoa? Qual Fernando Pessoa?&lt;br /&gt;- Qual é que havia de ser, pá? O poeta, pois claro!&lt;br /&gt;- Estás a falar DO Fernando Pessoa??&lt;br /&gt;- Pois claro!&lt;br /&gt;- Mas o Fernando Pessoa não teve filhos, pá!&lt;br /&gt;- Isso também pensava eu! Mas encontrei ontem uma velha, que é filha dele. A Odete.&lt;br /&gt;- Deves ter andado a beber. O Fernando Pessoa morreu virgem.&lt;br /&gt;- Pois, a Odete explicou-me isso. É tudo uma invenção para escamotear a verdade. Mas a verdade é que o Fernando Pessoa teve filhos mas foi uma coisa secreta, envolvia o pessoal do Aleister Crowley e seitas maradas, maçonarias, sacrifícios humanos e essas cenas todas. É claro que foi tudo escondido pelos biógrafos oficiais do Fernando Pessoa. Para dizer toda a verdade, esta Odete é filha do Fernando Pessoa e da filha do Jack, o Estripador. Sendo assim, ontem falei com a neta do Jack, o Estripador, que é portuguesa!&lt;br /&gt;- Que coisa mais idiota!&lt;br /&gt;- Isso é a tua opinião. De qualquer forma, isto só serve para mostrar que encontras pessoal interessante no Estêvão.&lt;br /&gt;- Sim, estou a ver. Velhas com Alzheimer. Fascinante.&lt;br /&gt;- Anda mas é beber um copo depois de jantar.&lt;br /&gt;- Ok, estou convencido. Às 10 e tal por lá?&lt;br /&gt;- Combinado.&lt;br /&gt;Tentei começar uma história a partir das ideias da queixa-crime, mas os resultados foram inglórios. Sendo assim, saí de casa por volta das 10 e meia e pus-me a caminho do Estêvão.&lt;br /&gt;Quando lá cheguei estava a fumarada do costume. Os intelectuais nas mesas dos fundos; os bêbados ao balcão, a falarem de futebol; a maralhada anónima nas mesas do meio, com a freakalhada misturada por perto. O Rúben servia às mesas. Tentei vislumbrar o Zé Mário, no meio da confusão do fumo e dos berros. Lá o encontrei a uma mesa no meio da sala, ao pé de três estrangeiras erásmicas. Gritou-me, com um cigarro ao canto da boca:&lt;br /&gt;- Então puto, tudo bem? Estou aqui com umas amigas estrangeiras que conheci agora!&lt;br /&gt;E pôs-se a falar com elas:&lt;br /&gt;- See? This is the writer i told you about!&lt;br /&gt;Depois virava-se para mim a “traduzir”.&lt;br /&gt;- Eu disse-lhes que tu eras um escritor famoso e que eu era o teu manager.&lt;br /&gt;- Escritor famoso? Só escrevo uns artigos para um jornal de tiragem mínima!&lt;br /&gt;- Elas não sabem, pá! E tu és escritor, por isso não estou a mentir. E não te esqueças que estás em trabalho, isto serve para a tua reportagem fotográfica!&lt;br /&gt;Com estas palavras, o Zé Mário começou a rir-se, pegou num copo de whisky e deu uma grande golada. Continuou:&lt;br /&gt;- Olha, não tá cá a velha, mas tá cá outra coisa que deve ser interessante. Tás a ver aquela gaja ali a um canto? Tens de ser discreto, senão a gaja topa.&lt;br /&gt;Olhei discretamente para onde ele me indicava. Acabei por ver uma miúda sentada a uma mesa, sozinha, a beber cerveja. Não tinha nariz.&lt;br /&gt;- O que é que aquela gaja tem de interessante?&lt;br /&gt;- Não estás a ver? (enquanto falava comigo, o Zé Mário colocou o dedo no seu próprio nariz e apontou-me para ele, enquanto franzia os olhos)&lt;br /&gt;- Oh pá, claro que tou a ver que a gaja não tem nariz! Isso repara-se a uns 200 quilómetros. Fica feia, esquisita. Mas continuo sem perceber onde queres chegar.&lt;br /&gt;- Onde quero chegar? Então a gaja deve ter altas histórias para contar!&lt;br /&gt;- Ah é? Porquê? Se fosse assim tão interessante, não estava sozinha.&lt;br /&gt;- Isso é porque ela deve ser discreta. E um bocado intimidatória.&lt;br /&gt;- Lá isso.&lt;br /&gt;- Deve ter grandes segredos, grandes traumas.&lt;br /&gt;- Porquê?&lt;br /&gt;- Porquê? Perguntas-me isso? Já viste como é a vida de uma pessoa sem nariz? Falas com esse desprezo porque tens um! Uma pessoa com traumas desses deve ter uma vida riquíssima para partilhar! E como ela não tem amigos guarda os segredos para si! Vais ser um privilegiado, vais ouvir histórias fantásticas em primeira mão! Sabes lá como terá perdido o nariz? Será alguma repórter? Se calhar foi raptada por algum gajo do narcotráfico, num país qualquer da Ásia! Ou foi um ex-namorado que lhe fez isso, algum serial killer que a queria cortar aos pedaços, mas só lhe cortou o nariz porque ela entretanto conseguiu rasgar a corda que a prendia e correu para a rua, não sem antes ter visto os restos dos outros corpos dentro do frigorífico do gajo. Ou então, foi raptada por aliens, que…&lt;br /&gt;Olhei-o com enfado:&lt;br /&gt;- Ok, cala-te. Estou convencido. Vou-me sentar à mesa dela. Não vens comigo?&lt;br /&gt;- Achas, pá? Estou a fazer uma reportagem com estas moças do estrangeiro. Assim, cada um toma notas e compara no fim. Para além disso, a nariguda não se deve abrir tão bem com duas pessoas. Vai lá, pá! Antes que a nariguda baze.&lt;br /&gt;Pedi uma bebida ao Rúben e dirigi-me lentamente à mesa da indivídua não portadora de cavidades nasais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(continua um destes dias)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-726865636213517937?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/726865636213517937/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=726865636213517937&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/726865636213517937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/726865636213517937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2012/01/recordando-neilton-tcheleque-1-parte.html' title='Recordando Neilton Tcheleque - 1ª Parte'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5887184344705905806</id><published>2011-12-22T11:34:00.002Z</published><updated>2011-12-22T11:44:10.942Z</updated><title type='text'>"Conto de Natal" - escrito pelo nosso colaborador João César das Neves</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O nosso querido amigo João César das Neves, sempre com o seu humor brilhante, desarmante, acutilante e muitas mais palavras terminadas em ante, escreveu um pequeno conto natalício, que foi publicado na sua coluna do DN.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Por ser tão hilariante, vou publicá-lo na íntegra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Abraço e boas festas, amigo João! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-family: trebuchet ms;" id="ctl00_ctl00_bcrtop_topcontent_ThisContent"&gt;&lt;p&gt;"Não percebo  como é que consegues ser assim!" "Assim como?", respondeu André enquanto  pousava o tabuleiro do almoço diante do Pedro, na mesa da cantina da  empresa.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"És incrível! Tivestes uns bons cinco minutos a conversar com a velha da caixa como se nada estivesse a acontecer."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Que  mal tem conversar com a dona Adélia? O neto tem estado doente e ela  fica contente por falar dele. Felizmente já está melhor. De que é que te  queixas?"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Esta empresa está a ir por água abaixo e tu tens  cabeça para o neto da velha! Estamos a ser chamados, um a um, à  administração para saber o que nos espera. Se nos reduzem o ordenado  ficamos felizes, porque ainda o temos. Isto deixa-me maluco. E fico mais  furioso ao ver que põem ali o Presépio, como se tudo estivesse bem.  Bandidos!"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Os dois amigos comeram a sopa em silêncio alguns  minutos, até que André disse: "Queres saber o segredo da minha calma?  Queres saber como consigo não ficar desesperado? É que o meu Pai é dono  disto!"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"O teu pai? Tás maluco. A empresa foi comprada por um fundo alemão que não tem nada a ver com a tua família. Não gozes!"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Não  estás a perceber. Não me estou a referir à empresa, nem falo do meu  falecido pai. Estou a referir-me Àquele a quem digo todos os dias 'Paí  Nosso', que é dono de tudo o que tenho e sou, de tudo o que vejo e  existe no universo. Nada me preocupa porque Deus é dono da minha vida. A  confiança em Deus é a melhor coisa da existência."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Pode ser, mas isso não te livra de ires para a rua, porque a administração não deve rezar o Pai Nosso."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Provavelmente,  mas se isso acontecer, a vontade de Deus permanece e a minha confiança  n'Ele não me deixará ter um segundo de medo ou zanga. Confesso que nem  sempre tenho esta atitude e frequentemente me irrito e apavoro. Mas isso  deve magoar muito a Nosso Senhor, porque é duvidar da Sua Providência e  do carinho com que nos acompanha a cada momento."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Depois de um  silêncio, continuou: "Sabes, esta crise tem me feito muito bem. Ao  princípio assustou-me, mas um dia percebi que acima dela está Deus, que  quer dar-nos o melhor mesmo assim. E desde que Lhe entreguei, mais uma  vez, a minha vida senti uma liberdade e alegria profundas, que não  dependem do que me acontecer. 'Tudo concorre para o bem dos que amam a  Deus' (Rm 8, 28)."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Quer dizer que se fores para a rua, e os teus filhos tiverem fome, ficas contente?"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Se  for para a rua perguntarei que aventura maravilhosa o Senhor prepara  para mim. Se perder o que tenho direi 'Saí nu do ventre da minha mãe e  nu a ele voltarei. O Senhor mo deu, o Senhor mo tirou; bendito seja o  nome do Senhor! (...) Se recebemos os bens da mão de Deus, não  aceitaremos também os males?' (Job 1, 21; 2, 10). Aliás é bastante  provável que venham aí tempos bem difíceis. Mas se ao Seu Filho Deus  deixou que nós O crucificássemos, tudo o que eu sofrer é pouco. 'Estou  convencido de que nem a morte nem a vida,nem os anjos nem os  principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a  altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do  amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso' (Rm 8, 38-39). No  fim ressuscitarei!"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Devias dizer isso ao Matias. Ele, que se diz cristão, é o mais assustado e furioso de todos nós."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Já falei muito com o Matias. Mas nunca lhe disse isto assim. Vou tentar. Mas quem me preocupa é o Ernesto."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"O Ernesto? Esse está óptimo. Vai ser promovido e anda na maior."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Por  isso mesmo. O pobre Ernesto só tem a carreira. Vive para o emprego e só  depende disso. Já destruiu dois casamentos e está cada vez mais só. É o  mais miserável de todos nós. Mas não sei como abordá-lo."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"O tipo  é espantoso", riu Pedro. "Imagina que ontem, quando eu protestava por  terem posto aquele Presépio hipócrita, respondeu que se deveria ter  aproveitado para colocar lá publicidade. Imagina! Publicidade no  Presépio! O tipo é incrível!"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"A sério? Ele disse isso? Ora aí está uma oportunidade para eu lhe falar."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"O quê! Vais falar-lhe da publicidade no Presépio?"&lt;/p&gt;&lt;p&gt;"Não, vou falar-lhe do burro do Presépio."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;(João César das Neves)&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5887184344705905806?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5887184344705905806/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5887184344705905806&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5887184344705905806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5887184344705905806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/12/conto-de-natal-escrito-pelo-nosso.html' title='&quot;Conto de Natal&quot; - escrito pelo nosso colaborador João César das Neves'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-8501606972427074832</id><published>2011-12-15T17:38:00.004Z</published><updated>2011-12-15T17:55:25.296Z</updated><title type='text'>The biggest losers</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Chegou o Natal, época de festas, jantaradas e muita animação.&lt;br /&gt;Mas o Natal representa outras coisas.&lt;br /&gt;É altura de fazer balanços.&lt;br /&gt;Separar o essencial do supérfluo.&lt;br /&gt;E este ano, as coisas não estão fáceis.&lt;br /&gt;Estamos em época de crise.&lt;br /&gt;Não só monetária.&lt;br /&gt;De valores.&lt;br /&gt;Humanos.&lt;br /&gt;E não só.&lt;br /&gt;Para o Ângulo, este ano foi dramático.&lt;br /&gt;Publicaram-se menos posts.&lt;br /&gt;E mais importante:&lt;br /&gt;perdemos leitores.&lt;br /&gt;Comentadores.&lt;br /&gt;Pessoas interessadas.&lt;br /&gt;A culpa foi noss&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;a.&lt;br /&gt;Admitimos.&lt;br /&gt;Fizemos textos muito grandes&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;.&lt;br /&gt;Muitos deles, sem interesse.&lt;br /&gt;Não falámos da crise actual.&lt;br /&gt;Ou de fenómenos importantíssimos.&lt;br /&gt;Tais como:&lt;br /&gt;A morte do Steve Jobs&lt;br /&gt;A casa dos segredos&lt;br /&gt;Etcetra&lt;br /&gt;Não fomos proactivos.&lt;br /&gt;Não investimos no facebook.&lt;br /&gt;No twitter.&lt;br /&gt;Não comentámos um pouco por todo o lado.&lt;br /&gt;A nossa voz não se fez ouvir.&lt;br /&gt;Falhámos.&lt;br /&gt;E temos de dar o exemplo ao país.&lt;br /&gt;Temos de fazer cortes.&lt;br /&gt;Não estou a falar d&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;e cortes salariais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até porque trabalhamos de graça.&lt;br /&gt;Estou a falar de cortes de pessoal.&lt;br /&gt;Afinal, há quatro colaboradores.&lt;br /&gt;E o resultado produzido é quase nulo.&lt;br /&gt;Por isso, proponho mandar embora uma das mascotes do Ângulo.&lt;br /&gt;Não digo colaboradores, digo mascotes, porque somos autênticas mascotes da LITERATURA.&lt;br /&gt;Não merecemos o epíteto de colaboradores.&lt;br /&gt;Muito menos de escritores.&lt;br /&gt;Por isso, proponho que votem numa destas duas mascotes literárias.&lt;br /&gt;A que receber mais votos, continuará por aqui.&lt;br /&gt;A outra terá de emigrar.&lt;br /&gt;Arranjar outra zona de comodidade.&lt;br /&gt;E é isso.&lt;br /&gt;Senhoras e senhoras,&lt;br /&gt;Escolham entre estes dois:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A SAFOTTA&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-ucx_G2WHY44/TuozpzjMgRI/AAAAAAAAACw/o0Az6o9NcMg/s1600/popota2.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 186px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/-ucx_G2WHY44/TuozpzjMgRI/AAAAAAAAACw/o0Az6o9NcMg/s320/popota2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686414272814154002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou o LEOPOLDINO?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-xRG-U08W89A/Tuoz4oVyQQI/AAAAAAAAAC8/7n7xkcC4wC4/s1600/leopoldina%2Bantes.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 302px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-xRG-U08W89A/Tuoz4oVyQQI/AAAAAAAAAC8/7n7xkcC4wC4/s320/leopoldina%2Bantes.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686414527503155458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você decide. Quem é o elo mais fraco?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-8501606972427074832?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/8501606972427074832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=8501606972427074832&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/8501606972427074832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/8501606972427074832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/12/biggest-losers.html' title='The biggest losers'/><author><name>Algazel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09502859979644374900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2336/2233/1600/Algazel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-ucx_G2WHY44/TuozpzjMgRI/AAAAAAAAACw/o0Az6o9NcMg/s72-c/popota2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-2826121553773574232</id><published>2011-12-05T18:01:00.002Z</published><updated>2011-12-05T18:10:50.000Z</updated><title type='text'>As favas dos dentes caninos</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:donotpromoteqf/&gt;   &lt;w:lidthemeother&gt;PT&lt;/w:LidThemeOther&gt;   &lt;w:lidthemeasian&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeAsian&gt;   &lt;w:lidthemecomplexscript&gt;X-NONE&lt;/w:LidThemeComplexScript&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;    &lt;w:splitpgbreakandparamark/&gt;    &lt;w:dontvertaligncellwithsp/&gt;    &lt;w:dontbreakconstrainedforcedtables/&gt;    &lt;w:dontvertalignintxbx/&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 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A minha face corou levemente e o dente canino do lado superior direito queixou-se de uma dor aguda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;No dia seguinte voltou à carga: “o senhor é sempre assim tão obtuso ou desenvolveu essas capacidades apenas quando começou a trabalhar connosco”?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A minha face voltou a corar e a dor no dente canino aumentou de intensidade. Decidi marcar consulta no dentista.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Deixei de conseguir mastigar para o lado direito da boca quando o chefe disse, depois de avaliar um trabalho que me deu uma semana inteira para completar: “não sei o que o faz tão burro, mas olhe que funciona”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Até que me despediu, com as seguintes palavras: “vou-lhe fazer um teste psicotécnico de graça: o senhor pode ter muitas aptidões, mas nenhuma se enquadra nesta área de trabalho. O senhor é o elo mais fraco deste escritório. Adeus”!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Nessa noite, o dente canino superior do lado direito despediu-se da minha boca sem um queixume, enquanto comia um rebuçado de caramelo. Caiu pelo tubo digestivo e nunca mais o vi (terá ficado alojado nos intestinos?).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Os dentes caninos possuem uma forma semelhante a uma pá ou lança e têm por função perfurar e rasgar os alimentos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O dentista esclareceu: “os problemas dentários afectam a sua saúde e a sua auto-estima. Não o quero assustar, mas o seu dente canino do lado superior esquerdo também não está lá muito seguro e o conserto é bastante caro”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Confirmavam-se as minhas mais negras suspeitas. O dente canino do lado superior esquerdo ressentia-se do trabalho extra que vinha desenvolvendo desde o surgimento das dores do meu canino do lado direito. Depois, com a queda deste dente, sentia-me desconfortável a mastigar para o lado direito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;As dores no dente canino do lado esquerdo começaram a sentir-se depois da primeira entrevista de trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Eis as conclusões a que chegaram os entrevistadores:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor até apresenta um curriculum satisfatório;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor licenciou-se com boa média numa boa universidade;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor tem cinco diplomas completos de línguas estrangeiras e é um utilizador avançado em alguns itens de avaliação da compreensão oral, interacção oral e produção oral destas mesmas línguas;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor dispõe de disponibilidade imediata, não tem filhos nem família nem ambiciona ter nos próximos tempos, podendo dedicar-nos toda a máxima atenção, com alma e coração, uma vez que até mora a cinco minutos deste escritório;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor não regateia salários – aceita o que temos para lhe oferecer, seja qual for o valor;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O senhor tem menos de trinta e cinco anos, por isso cumpre rés-vés a relação idade/experiência, que exige 10 anos mínimos de experiência laboral acumulados com juventude, com conhecimento de um mínimo de cinco línguas, boas aptidões e competências sociais e de organização. E acredite:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- Nós tivemos em conta o facto de o senhor possuir uma grande capacidade de negociação; aptidões adquiridas em contexto profissional e em formação específica; aptidões e competências técnicas e mais outras coisas de muita importância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Todavia:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- Reparámos que lhe falta o dente canino do lado superior direito. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;E a nossa psicóloga de serviço disse:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- O dente canino tem como função rasgar e perfurar (nomeadamente a carne).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Conclusão: Parece-nos que isto é sintomático e que lhe falta a garra, a força, a determinação para segurar com unhas e dentes (desculpe-nos a facilidade da expressão) que é exigível neste caso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O nosso conselheiro de imagem disse:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- Quem não tem dente não é filho de boa gente;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- A imagem externa é essencial para o bom nome da empresa;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;-Todos sabem que um belo sorriso é como um cartão de visitas: uma falha na apresentação prejudica o conjunto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Conclusão nº2: apesar de o seu curriculum ser aliciante, o seu aspecto exterior prejudica a sua imagem e a imagem da empresa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Quando muito, poderíamos admiti-lo como estagiário ou seja, sem remuneração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; Eu respondi:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- Não poderiam, pelo menos, pagar-me um novo dente?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ao que eles retorquiram:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- Isto é que é a grande capacidade de negociação que o senhor diz possuir no item 10 do seu CV? Agora é que está chumbado na entrevista. Adeus!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O meu segundo dente canino superior despediu-se da boca sem um queixume. Desta vez, não foi necessária a ajuda de qualquer rebuçado de caramelo. Simplesmente, caiu pelo tubo digestivo e nunca mais o vi (terá ficado alojado nos intestinos?).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Pedi ajuda à família. Talvez me pagassem o conserto dos dentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Reuniu-se o conselho familiar, de urgência. Analisaram a minha biografia, o meu curriculum, as minhas relações amorosas e a minha contabilidade financeira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Eis as conclusões a que chegou o conselho familiar:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Vivi acima das minhas capacidades – nos últimos meses, desde o meu despedimento, tenho consumido mais do que produzo. Dentro da família, depois do primo Tomás, que é toxicodependente, sou o membro que possui o maior défice externo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O primo Tomás só possui 12 dentes, o que não o impede de ter um emprego estável como arrumador de automóveis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Como tal, e uma vez que ainda me restavam 30 dentes, teria de viver com eles, dentro das minhas possibilidade económicas, de preferência a comer alimentos menos sólidos e a sorrir bastante menos, caramba, com a crise económica, nem há vontade de rir, de preferência até deveria fazer um ar triste macambúzio, até aos dias de hoje as tristezas não pagavam dívidas, mas talvez os tempos mudem e assim até poderei pagar as dívidas com um pouco da minha tristeza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Os dois dentes caninos inferiores seguiram o canto do triste fado dos outros, passado três ou quatro entrevistas profissionais. Os incisivos e os molares começaram a apodrecer. Os meus dentes transformaram-se em bandeiras a meia haste, emblemas dos pecadores e desempregados crónicos, um efeito simbólico, mas altamente dissuasor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;As pessoas na rua gritavam: “lá vem o mandrião com os dentes podres! Ganha vergonha!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A revolta do estômago e dos intestinos teve início a partir do momento em que deixei de conseguir mastigar convenientemente a comida, por causa do desaparecimento dos dentes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Emagreci várias dezenas de quilos, deixei de me conseguir levantar, de me mexer, as pernas e os braços começaram a ressentir-se da falta de mobilidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Reuniu-se o conselho de família, que criticou a forma ruinosa como lidei com toda a situação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Perdi uma perna e um braço, mas ainda me restava a outra perna e o outro braço.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Tive de pedir ajuda aos meus pais, que me arranjaram uma cadeira de rodas e me ajudavam a deslocar de uma entrevista para a outra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;As pessoas na rua gritavam: “lá vem o mandrião que nem consegue andar e a família do mandrião que não se consegue governar!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Os rumores do escândalo chegaram aos ouvidos dos chefes dos meus pais, que os chamaram à parte e concluíram:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Os senhores até têm currículos satisfatórios;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Trabalham bastante sem protestar;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Não se importam que lhes cortemos os subsídios;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Sempre com um sorriso no rosto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Todavia;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O vosso filho é um pária;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Não tem dentes;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. É magro;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Cadavérico;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Com um ar triste, apesar de a tristeza não pagar dívidas;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Vive acima das suas possibilidades – gasta mais do que ganha;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Nem sequer tem as duas pernas e os dois braços.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Concluindo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Apesar de vocês até trabalharem bem, o vosso filho representa, sem dúvida, um encargo, uma preocupação. Mais cedo ou mais tarde, começarão a faltar ao trabalho, a produzir menos…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. A sorrir menos!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. E os investidores? Vão ficar preocupados, ao verem a imagem da preocupação estampada no rosto dos funcionários da empresa!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;- A imagem externa é essencial para o bom nome da empresa;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;-Todos sabem que um belo sorriso é como um cartão de visitas: uma falha na apresentação prejudica o conjunto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Conclusão nº2: apesar de serem uns funcionários modelo, o vosso familiar prejudica a vossa imagem e a imagem da empresa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Por isso, terão de ir embora. Vocês são o elo mais fraco. Adeus!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Os dentes incisivos da minha mãe começaram a doer-lhe um pouco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O meu pai sentiu dores de estômago.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Os meus irmãos sentiram formigueiros na raiz dos cabelos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Seguiram-se os despedimentos em massa de metade dos membros da família, mais a queda de membros, falência de órgãos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Reuniu-se o conselho familiar, de urgência.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Já não era possível salvarem-me a perna e o braço que restavam, pois tinham entrado em rápida deterioração nos últimos dias, perante o olhar impiedoso e desconfiado dos membros da Sociedade Civil. O conselho familiar reconheceu que me encontrava à beira do colapso. Exigiam-se medidas imediatas de salvação.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Resolveram pagar o implante dos dentes caninos. Dos quatro. Levaram-me de ambulância para o dentista. Os implantes dentários foram um sucesso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Quando acordei, passaram-me um espelho pela face, para que visse o resultado. Gostei. Os dentes caninos eram brancos, bonito, vistosos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Esbocei um sorriso vitorioso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O conselho familiar deu-me as últimas recomendações antes da entrevista:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Não te esqueças de sorrir muito. Ficas com um ar confiante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Todos sabem que um belo sorriso é como um cartão de visitas: uma falha na apresentação prejudica o conjunto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. E tens uns belos dentes caninos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. O dente canino tem como função rasgar e perfurar (nomeadamente a carne).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. Não te faltam a garra, a força, a determinação e o instinto de sobrevivência necessários para segurar com unhas e dentes todas as oportunidades que te sejam dadas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;. E assim ajudarás o país.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-2826121553773574232?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/2826121553773574232/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=2826121553773574232&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2826121553773574232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2826121553773574232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/12/as-favas-dos-dentes-caninos.html' title='As favas dos dentes caninos'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-6664356546067406133</id><published>2011-11-22T16:11:00.000Z</published><updated>2011-11-22T16:15:01.462Z</updated><title type='text'>Conselhos úteis para uma boa higiene pessoal</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif"; 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 &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Diz-se que a TVI apoiou a ideia e teria até havido alguns castings promissores. Segundo um director de castings, 12 cadeiras giratórias tinham um desempenho dramático bem melhor que a Diana Chaves.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mas eu não gosto de aceder a pedidos de fãs. Sou um enfant terrible da escrita e gosto de fugir às expectativas. O meu recente sucesso comercial não me subiu à cabeça. Prometo não me tornar previsível. Por isso, vou fazer um texto completamente diferente, uma coisa prosaica, realista e com os pés bem assentes na terra. Aqui vai:&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;CONSELHOS PARA TOMAR BANHO NA CASA DA MIÚDA&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Eis um tema fracturante e bem actual – o que se deve fazer quando tomamos banho em casa da miúda e não levamos shampoo, sabonete, pasta de dentes e essas tretas todas da higiene pessoal.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ora bem, qual é a primeira coisa que fazemos depois de acordarmos na cama da miúda, num Domingo de manhã, depois de uma noite de copos? Vamos à casa de banho, pois claro, fazer necessidades, daquelas que implicam sentarmo-nos na sanita. E aparece aqui a primeira contrariedade: mal nos sentamos, reparamos, com desagrado, que não existe qualquer jornal, revista ou livro de filosofia ao dispor. Porquê? Porque as miúdas não lêem, pelo menos no sítio apropriado para ler, que é a casa de banho.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mas um homem precisa de concentração para fazer um bom trabalho. Por isso, a pressa é a inimiga da perfeição. Devemos estar sentados, relaxados... E se não há revista, qual é a solução? A solução é pensar num tema que nos relaxe a mente, mas que mantenha o cérebro desperto para a tarefa que o corpo está a realizar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Por isso, aconselho o caro leitor a ocupar a mente com coisas importantes, como a táctica do Sporting para o próximo jogo da Superliga. Será que Domingos deve apostar em Carrillo no onze inicial, possibilitando assim ao Sporting a criação de oportunidades logo nos minutos iniciais de jogo, graças à imprevisibilidade deste jovem extremo? Ou deve Domingos guardá-lo para a 2ª parte, num momento em que seja necessário meter “a carne toda no grelhador”?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Do mesmo modo, será mais sensato lançar de início André Santos, garantindo uma maior coesão defensiva ao meio campo ou é melhor meter logo o tridente mais fantasista composto por Schaars-Elias-Matias?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E a defesa? Será que o Rodriguez recupera e justifica o investimento feito em si?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Com todos estes pensamentos em mente, o trabalho já está feito. Assim, puxamos o autoclismo e estamos prontos para o &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;DUCHE&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ligamos a água bem quente e deixamo-nos embalar com todo aquele vapor durante, pelo menos, vinte minutos, até chegamos a um estado próximo do transe. Um bom conselho para percebermos se já chegámos a esse estado: ver se os dedos das mãos já se encontram suficientemente encarquilhados e enrugados, como os do eleitorado do CDS.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Depois, começamos a pensar na fase seguinte do banho, mas sempre com um pensamento importante: NUNCA se deve desligar a água em momento algum do banho – isso estraga a concentração e a boa disposição. Depois, apanhamos frio e quando voltamos a ligar a água, esta demora alguns segundos a voltar à temperatura ideal. Com estas ideias bem assentes na cabeça, passamos à seguinte fase do banho, a fase de&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;COLOCAR O SHAMPOO NO CABELO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tal como expliquei aqui atrás, o homem não leva os seus produtos de higiene para a casa da miúda. Por isso, vai ter de contar com a prata da casa. E aí surge a grande contrariedade: no momento em que o homem está para pegar no frasco do shampoo, percebe que existem cerca de 50 frascos disponíveis. Por isso, terá de &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;LER O RÓTULO DO SHAMPOO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Chegamos à fase do horror absoluto. O homem estava à espera de encontrar dois frascos – um teria a seguinte inscrição: “gel de banho” e o outro diria, simplesmente: “shampoo”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mas não. Os frascos apresentam verdadeiros tratados linguísticos do mais obscuro que se possa imaginar. Eis o que diz o primeiro frasco:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Reparador celular – tratamento reparador celular.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O que é esta merda? Estamos em alguma aula de Técnicas Laboratoriais de Biologia e temos de olhar para o microscópio e meter um produto qualquer na pipeta, para ver o que faz às células microscópicas? O que é isso do tratamento celular?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Passemos ao frasco seguinte:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Lumino Contrast – Nutriceride – Shampoo brilho para cabelos com madeixas. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Já avançámos um pouco. Aparentemente, trata-se de um Shampoo. Mas provoca brilho? Que tipo de brilho? Uma coisa fluorescente? E o que é isso do cabelos com madeixas? Qual a definição? Eu tenho alguns caracóis no cabelo, que se metem à frente dos olhos. Será que são madeixas? E será que eu fico com o cabelo como o do Marco Paulo nos anos 80, caso experimente esse frasco?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O melhor é ver o que há mais por aí. Já me sinto como a Alice no País das Maravilhas, quando começa a experimentar aquelas poções todas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O terceiro frasco diz:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Termo Lait de Brushing – Cabelos normais&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Eis o que diz no rótulo: “loção de brushing enriquecida com um activo termoprotector para cabelos normais e espessos. Protecção da fibra contra a quebra do cabelo. Brilho acentuado”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Humhum. Percebi tudo. O activo termoprotector deve proteger das variações de temperatura do cabelo, que fica com uma cor fluorescente, depois de receber o brilho acentuado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E o que é isso dos cabelos normais? Há cabelos anormais? Cabelos bizarros, com comportamentos estranhos?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Para perceber qual é a noção de normalidade no padrão capilar, tento socorrer-me do velho termo jurídico do “homem médio”, ou seja, o tal gajo normal com uma vida normal.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Segundo uma pesquisa no Google,” o homem médio é um ser "ideal", nem alto, nem baixo, nem magro, nem gordo, nem branco, nem negro, nem sábio, nem tolo. Ele é uma abstração jurídica. Um exemplo de humano fictício que serve de parâmetro para a conduta de todas as pessoas. As suas características marcantes são a razoabilidade, a proporcionalidade, e o facto de estar sempre classificado como mediano. “&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ou seja, cabelo médio e normal será aquele nem muito curto, nem muito comprido, nem especialmente liso, nem especialmente comprido. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Passemos aos outros:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Condicionador aprés shampooing – tratamento termoactivo fortificante antiquebra.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mais uma coisa termoactiva. Mas este é para meter depois do shampoo. Guardo-o para mais tarde.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E este aqui?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Hair Mix – Sublime shine – Sérum antifrisado para cabelos secos. O que é um sérum? É uma espécie de ser? E o que é isso do hair mix? &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Passados 45 minutos, a miúda começa a perguntar quando é que acabamos de tomar banho. Por isso, teremos de tomar uma decisão. Inspirados pelo rótulo do hair mix, pensamos que o melhor será misturar um pouco de tudo:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Um pouco do reparador celular, com umas pitadas de termo lait de brushing, mais um pouco de activo dermoprotector. Depois, juntam-se os rótulos que estão escritos em línguas estrangeiras:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Umas gotas de shampoo mit lavandel und optischen aufheller, mais&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;um bain vital haute tolerance.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;No final, não nos podemos esquecer do tal condicionador. E passemos à fase seguinte, o&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt;ENSABOAMENTO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:14.0pt;line-height:115%"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Onde é que está o sabonete? Ah, isso já não se usa, é verdade. Queria dizer “gel de banho”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Vejo um frasco que diz:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“leite hidratante corporal – hidratante intensivo”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ficamos na mesma. Dá para passar pelo corpo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Eis o frasco seguinte:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“creme rico amaciador”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E o terceiro:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“fluide dermo – nettoyant sans rinçage”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O melhor é juntar um pouco de todos e adicioná-los com outros frascos que vamos encontrando, incluindo aqueles que falam de limpezas de partes íntimas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E pronto. Banho tomado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Resta lavar os dentes. Utiliza-se a escova de dentes da miúda, afinal, quem troca beijos também troca escovas de todo o género e feitio.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Depois, há que procurar a pasta de dentes. Perdão, a “loção anti-queda dentária protectora anti-tártaro e de branqueamento para dentes normais, com brilho acentuado”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E é isso.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;FIM&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;P.S. não percam o meu próximo conto, “Reflexões filosóficas de um condicionador de cabelo”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-6664356546067406133?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/6664356546067406133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=6664356546067406133&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6664356546067406133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6664356546067406133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/11/conselhos-uteis-para-uma-boa-higiene.html' title='Conselhos úteis para uma boa higiene pessoal'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5497987192442337430</id><published>2011-10-18T19:11:00.003+01:00</published><updated>2011-10-18T19:22:44.431+01:00</updated><title type='text'>As minhas memórias do colchão - partes VI a IX</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Nunca ouvi um elogio tão idiota, ainda para mais, referindo-se à imbecil da minha senhoria.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O colchão pareceu meditar um pouco na minha afirmação, pois só respondeu passados mais dois minutos:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Que exagero, Luís Pedro…ela não é assim TÃO má…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Tão má? Já ouviste bem aquela voz irritante que produz, segundo as tuas palavras “melodias de encantar que penetram os tímpanos suavemente”? Aquilo não só penetra os tímpanos, como os fura impiedosamente, com os “tá a ver” nasalados e estridentes…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- É um facto que a voz dela é um pouco forte…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Um pouco forte? Na tua escala dos decibéis, deve fazer mais estragos que o arranque de um avião Concorde…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Por acaso nunca tive coragem de medir os decibéis da sua voz…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E a “visão magnífica da cara senhora”? Estamos a falar da mesma “senhora”? É que se estivermos a falar da minha senhoria, eu utilizaria antes o termo “múmia putrefacta”. Convenhamos, o aspecto dela é pior que o do Tutankhamon…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois, mas o corpo dela ainda tem algumas curvas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Curvas? Já viste o rabo dela? É disforme, quase nem entra pela porta da rua. Conheces um personagem da Disney, o Gansolino? O rabo dele ao pé do da senhoria é pequeno e gracioso…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, tens razão, a senhoria é grotesca…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Grotesca é pouco! Ainda mais grotescas são as tuas palavras de elogio! Que colchão imbecil!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Imbecil o quê? Tenho de fazer pela vida!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Fazer pela vida? Eu despedia-te e assava-te na fogueira a lume brando, só por causa desse chorrilho de disparates que proferiste em tão pouco tempo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estás irritado e tens razão! Mas tens de compreender que sou um colchão com alguns anos de experiência, a vida não está fácil e agora há colchões novos, mais bonitos, mais macios e que se prostituem por bem menos, acredita! Olha o exemplo do colchão do italiano! Novíssimo, de uma marca toda da moda, muito senhor de si e que deixa que a senhoria lá se deite com o italiano, em troca do não pagamento das rendas. Eu seria incapaz de deixar essa rabuda Gansolina deitar-se um segundo em cima de mim…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fiquei surpreendido:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- O quê? A senhoria deita-se com o italiano?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah, pois é bebé. Ou pensas que ela lhe oferece os pastelinhos de Belém de borla?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E o Giovanni vai nessa conversa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Luís Pedro, o Giovanni é italiano…É natural que se deite com tudo o que se mexe, incluindo múmias rabudas pré-históricas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas isso é um escândalo! Está ela para aqui a deitar sentenças, quando se comporta pior que uma meretriz e…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Oh Luís Pedro, não sejas puritano! Já te vi trazeres para aqui umas belas peças…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Eu? Quando?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sei lá, uma vez trouxeste uma mulher que parecia uma diva do cinema dos anos 20…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah, com aquele penteado Lulu?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, essa mesma. O penteado até devia ficar bem à senhora, mas há oitenta anos atrás…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Que exagero, ela não era assim tão velha…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Na escala da idade do Universo talvez não seja assim tão velha...&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Agora estás a ser infantil. Um lambe-botas infantil…e bufo…tinhas alguma necessidade de fazer um relatório daqueles à senhoria?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sabes bem que ela ia desconfiar se eu dissesse que tu eras casto que nem o teu vizinho de casa, o Filipinho…até porque tu tens uma boa figura…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Oh, um elogio! Fico agradado, meu amigo colchão!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não sejas assim. Sabes que és bonito.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Esta conversa está a parecer-me um pouco estranha e começamos a desviar-nos do essencial. E o essencial prende-se com este simples facto: a partir de agora, não posso trazer a MINHA namorada para o MEU quarto…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não necessariamente…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não necessariamente? Não ouviste a outra cretina? Não posso levar companhia feminina para o quarto. A menos que seja para estudar ou ver televisão. Que programa fantástico! Vou dizer a uma rapariga: “olha, queres vir para o meu quarto hoje à noite? Não podemos tirar a roupa nem tocar-nos. Mas vai dar um filme fantástico na televisão! Eu faço as pipocas! O que me dizes disso?” Amigo colchão, acho que ninguém resistirá a tanto charme! As mulheres vão fazer fila para estarem comigo! &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ficámos um minuto em silêncio. Até que o colchão, num tom de voz misterioso, disse:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Talvez haja uma terceira via, uma solução consensual que agrade a todas as partes envolvidas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah é? E que solução é essa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Chega-te mais perto, para que ninguém oiça.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O colchão fez-me a proposta. Ouvi-o, estarrecido:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estás maluco? &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estou a falar muito a sério e penso que sairemos todos a ganhar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Só se fores tu! És um depravado!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ai, que rapazinho tão sensível e pudico!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não estou a ser pudico, mas o que me estás a pedir ultrapassa o limite do razoável!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- É a minha proposta! É pegar ou largar!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Então considera que está largado! Adeus!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Onde é que vais?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Afastei-me do colchão e dirigi-me para a porta do quarto:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Hoje durmo no sofá da sala. Não me apetece falar contigo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fechei a porta do quarto com um estrondo&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte VII – Um encontro mal sucedido&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Passou-se uma semana. Durante esse período de tempo, disse à minha namorada que não a podia receber em casa, pois ia visitar os meus pais à aldeia.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Pensava que os teus pais moravam a cinco minutos de tua casa”, disse-me ela.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sim, mas vamos visitar a família do meu pai, que mora numa aldeia transmontana”, respondi.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Disseste-me que o teu pai foi abandonado à nascença, foi criado num orfanato e nunca conheceu família nenhuma”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sim, por isso vamos visitar o orfanato, ele fez lá bastantes amigos…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Mas disseste-me que o orfanato ficava na Guiné-Bissau e que foi completamente destruído durante a guerra e mataram todos os responsáveis do orfanato, juntamente com todas as criancinhas, que foram fechadas numa sala, à qual atearam fogo e o teu pai foi o único sobrevivente graças a…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Tudo isso está correcto, mas vê lá tu que o meu pai foi a um psiquiatra, que o hipnotizou, teve uma regressão e lembrou-se de repente que tinha nascido numa aldeia transmontana”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não sei se a minha namorada acreditou, mas deste modo ganhei algum tempo. Precisava de trazer uma mulher para casa e experimentar outras alternativas. Foi fácil, parei num daqueles bares manhosos de marinheiros e engatei uma miúda em estado pré-comatoso, depois de termos dançado agarrados umas duas ou três músicas de kizomba/ pop chunga dos anos 80.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Entrámos em casa por volta das 4 da manhã.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não me apetecia ir para o quarto, com medo dos comentários sarcásticos do colchão de memória.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fomos para a casa de banho. Não sei porquê, mas tínhamos de começar por algum lado. Por isso, começámos e acabámos aí.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Sempre achei que se travam grandes relações de amizade no chuveiro. Também poderia servir para acordar o meu engate do seu estado pré-comatoso. Por isso, despimo-nos e enfiámo-nos lá dentro.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tentei ligar a água quente, mas fui interrompido por uma voz com um leve sotaque alentejano:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Perdão, Luís Pedro mas deram-me ordens estritas, repito – ordens estritas para não deixar ligar a água durante a noite, muito menos quando entram duas pessoas ao mesmo tempo na banheira.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Depois dos diálogos com o colchão, já não me espantava com criaturas antropomórficas, por isso, sem me deixar afectar, retorqui:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Muito bem…e deixa-me adivinhar: de quem partem as ordens?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Da patroa, como não podia deixar de ser.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas a patroa deixa o Giovanni tomar banho com as suas visitas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Luís Pedro, o Giovanni é italiano, é suposto poder tomar banho com quem quiser e às horas que quiser…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas isso é ridículo…dá-me cinco minutos, pelo menos…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Lamento, mas não posso transigir. No máximo, cada um pode tomar banho sozinho, à vez, e durante cinco minutos. Neste caso, uma das pessoas terá sempre de ficar do lado de fora da banheira e não pode espreitar pela cortina. Se espreitar, corto a água de imediato. A patroa é clara, no Ponto 5 do seu “Regulamento Interno para o bom trabalho dos chuveiros” (passo a citar): “de modo a evitar comportamentos porcos e lascivos, que incitem ao sexo, é estritamente proibido que duas pessoas tomem banho ao mesmo tempo no chuveiro ou que uma delas fique a assistir à outra pessoa a ensaboar-se. Isso poderia fazer com que houvesse recurso à masturbação, com lamentáveis consequências para o chão da casa de banho, que ficaria pegajoso”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Por favor, isso é ridículo…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois, mas não há nada a fazer. Eu sou um chuveiro um pouco antigo, agora há novos modelos muito melhores, não quero perder o meu emprego, com esta idade.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Certo, certo, isso já não me interessa…olha, esquece…não me apetece mesmo tomar banho.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Olhei para a minha conquista nocturna, que apresentava um aspecto lastimável. Estava deitada no chão, de olhos fechados. Começou a gemer: “ai meu Deus, ai meu Deus” e compreendi que iria começar a vomitar daí a nada. Por isso, peguei-lhe pelos braços e aproximei-a da sanita. Abri o tampo. No momento em que o meu engate se preparava para vomitar, ouvi uma voz, com um sotaque levemente madeirense:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Luís Pedro, o que estás a fazer?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Percebi que a voz vinha da sanita e retorqui:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- O que achas que estou a fazer, sua malcheirosa? A minha amiga prepara-se para vomitar!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A sanita pareceu ficar um pouco ofendida:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não é preciso seres mal-educado comigo, está bem? Até porque também és responsável pela origem do meu mau cheiro. Ou esqueces-te que costumas sentar-te aqui nunca menos do que duas vezes ao dia?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Desculpa lá, ó sanita, mas não vês que a minha amiga está aflita?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Bem vejo, mas tens de compreender que eu sou uma sanita um pouco antiga e não me convém ir contra o “Regulamento interno das sanitas”, nomeadamente o seu artigo 12º, nº3, que dispõe: “é proibido utilizar a sanita para a prática do vómito causado por álcool, drogas ou outro tipo de vícios que atentem contra a moral e os bons costumes”. Ora muito bem, vê-se perfeitamente que essa tua amiga está alcoolizada e sabe-se lá que mais. E previno-te já, antes que tenhas ideias esquisitas, que também não podes praticar actos sexuais de relevo em cima de mim, conforme indica o artigo 18º, nº1, alínea h) do Regulamento, que dispõe…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Oh meu amigo, achas que ela está em condições de praticar qualquer tipo de acto sexual de relevo? (naquele momento, a minha amiga revirava os olhos e começava a espumar pela boca). Vá, deixa-a vomitar um bocado!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Ficámos um minuto em silêncio. Até que a sanita, num tom de voz misterioso, disse:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Talvez haja uma terceira via, uma solução consensual que agrade a todas as partes envolvidas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah é? E que solução é essa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Chega-te mais perto, para que ninguém oiça.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A sanita fez-me a proposta. Respondi-lhe:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Vá lá, pensava que me ias pedir uma coisa esquisita, como fez o colchão de memória. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Isso quer dizer que aceitas?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, aceito!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Fixe! Então quer dizer que podemos começar a ter tertúlias diárias sobre literatura?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não exageres…podemos falar durante uns cinco minutos por dia, enquanto vou à casa de banho…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Isso já é bom! Sabes, sempre me apeteceu conversar contigo, quando trazias os livros para aqui e começavas a ler em cima de mim, mas eu sou uma sanita tímida, no fundo…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Já a minha mãe dizia: “és uma sanita culta e não brilhas por causa dessa timidez. Estás sempre calada, a engolir a porcaria dos outros”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas olha que eu gosto dessas coisas que tu lês&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Aquelas antologias de contos esquisitos…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Se bem que eu prefira poesia&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Adoro poesia portuguesa&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Somos um país de poetas&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Grandes poetas&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Agora há aí uma nova fornada de poetas de grande valor&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, um ou outro, dizem&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Um ou outro? Nem penses! Há resmas deles. Costumam encher um bar chamado “O Botequim”. Adorava ir ao Botequim declamar a minha poesia. Porque eu também escrevo, sabes?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah é?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, umas coisas simples. Uma vez, mandei para uma revista literária, mas não me responderam. Têm coisas de valor, Miguel Manso, David Teles não sei das quantas e uma búlgara, a Górgona Angel, mas o meu preferido é o Ruy Narval. Que poeta! Adorava ter um livro dele.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Se quiseres, atiro-te com um livro dele, podes devorá-lo à vontade. Acho que estás ao seu nível.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Fazias isso? Ficava-te eternamente grato!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;- Sim, claro! Olha, a minha amiga podia vomitar para ti, então? Acho que ela já está a ficar azul…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não vou contar o que se passou nas horas seguintes, mas travei conhecimentos com o bidé, o lavatório e a balança. Depois, já farto, saí de casa com o meu engate, que já se mostrava um pouco recomposta, mas pensava ouvir vozes na cabeça: “uma sanita estava a falar comigo”, repetia, assustada.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte VIII – O segundo encontro com o colchão&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Deixei o meu engate à porta da sua residência e deambulei pelas ruas durante umas horas. Cheguei a casa por volta das nove da manhã, com uma directa em cima. O Giovanni ainda não regressara da sua noitada. O menino Filipe Já tinha saído para as aulas. O costume.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Entrei estafado no quarto. O colchão interpelou-me de imediato:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Então Luís Pedro, estás cansado?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Eu? Não, é impressão tua…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Devias ir à casa de banho lavar essa cara, estás com remelas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Deixa estar, não me apetece dialogar com o lavatório…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estou a ver que já fizeste novos amigos cá em casa!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah sim, são todos encantadores! O lavatório, o bidé, a sanita…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não te esqueças do chuveiro! É um bocado temperamental, mas não é mau tipo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois, acredito…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas olha que estás MESMO com um ar cansado…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Nem por isso…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estás com olheiras…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Tenho sempre olheiras.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pois, mas estás com um olhar vidrado, os olhos vermelhos, prestes a saírem das órbitas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- É alergia ao pólen das árvores!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estamos no inverno, Luís Pedro! Acho que o pólen das árvores não te faz grande mal nesta altura…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Então devo estar a ficar com uma constipação.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Se estás a ficar constipado, deves deitar-te um bocado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Obrigado, mas sinto-me óptimo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Olha que ainda pioras e pegas alguma gripe…assim é que não podes receber a tua namorada…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Faz cá uma diferença…não a tenho recebido mesmo…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não a tens recebido porque não queres!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Já falámos sobre isso e continuo a achar a tua proposta imoral e degradante!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Porquê, Luís Pedro? Só precisavas de te deitar um bocadinho sobre mim…vá, deita-te…senta-te um pouco, pelo menos….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Sentei-me na borda da cama. O colchão continuou a falar:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Vês, Luís Pedro? Eu não mordo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não disse que mordias…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Parece! Diz-me lá, nestes dois anos em que te deitas sobre mim, alguma vez te fiz mal?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não, pelo contrário! Até tenho dormido muito bem em cima de ti! Olha, por exemplo, nesta altura do ano nunca sinto frio durante a noite nem preciso de usar cobertores…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Isso é porque a espuma de memória retém o calor muito bem, o que significa que irás manter a temperatura corporal durante a noite sem sentires frio. Este é um fantástico bónus com o preço da energia a aumentar, já que vai poupar energia e dinheiro sem ser necessário ter o aquecedor de casa ligado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A conversa do colchão começou a embalar-me. Deitei-me por cima dele, vestido, com os sapatos calçados. Balbuciei:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Estou mesmo confortável…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O colchão respondeu-me com o seu sotaque levemente transmontano e com um tom de voz aveludado:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Um colchão de espuma de memória é inacreditavelmente confortável. O corpo afunda-se na sua espuma densa e ao longo do dia, esta sensação de relaxe não tem preço…tira os sapatos, Luís Pedro…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Porquê? Tens medo de ficar com algum ácaro ou com pó que traga da rua?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Luís Pedro, os colchões de espuma de memória criam um ambiente que não é propício à humidade, formação de pó e ácaros, o que os torna ideais para quem sofre de alergias ou problemas respiratórios. Os colchões de espuma de memória são hipoalergénicos…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tirei os sapatos&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sabes tantas coisas, colchão…vou-te contar um segredo: a minha namorada gostava muito de dormir em cima de ti!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;-Os colchões de espuma de memória absorvem os movimentos. As qualidades viscoelásticas ajudam a eliminar a vibração, de modo a não perturbar o parceiro ou parceira durante o sono. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Então era esse o teu segredo, colchão!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não é segredo nenhum, Luís Pedro. Tudo o que te estou a dizer está contido no meu livro de instruções.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Mas no teu livro de instruções não diz nada que poderias apaixonar-te…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- O que é que queres, Luís? Não sou de pedra, caraças, sou um colchão.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E um colchão muito bom…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- De que me serve isso? Nem te queres estender sobre mim…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Eu estou estendido…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Assim, tão encolhidinho? Eu tenho muito espaço, podes estender os braços e as pernas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pronto, já estendi. Tens de perceber que fiquei um bocado confuso…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Fui muito franco contigo, Luís Pedro, e fiz-te uma proposta clara – ignorar que tragas para cá a tua namorada e esconder essa informação, sem nada divulgar à senhoria, em troca de um pouco de calor…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Um pouco de calor? Tu pediste para eu te acariciar todos os dias…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Pedi-te apenas para passares os teus dedos sobre a minha espuma. Acho que não há nada de mal nisso. É pouca coisa em troca do teu silêncio!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ficas feliz se eu fizer isso?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sabes bem que sim…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Comecei a percorrer as minhas mãos sobre o colchão. Ele começou a falar de um modo mais arrastado:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Isso, Luís Pedro, continua…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não te estou a aleijar?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Claro que não! Eu adoro sentir as tuas mãos a percorrer o meu material esponjoso de alta densidade…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Senti uma pequena fissura numa das extremidades do colchão:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- O que é isso, colchão?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Ah, é um corte, não ligues…Foi feito pela namorada do anterior inquilino, uma rapariga muito ciumenta. Uma vez, ela zangou-se, entrou aqui no quarto e começou a partir tudo o que via. Depois, pegou numa faca e fez-me uns golpes. Foi tudo por maldade. Ainda me remendaram, mas notam-se as costuras…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Não há problema, até ficas com mais personalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Achas que sim, Luís Pedro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Claro! É sinal de que tens um passado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E que passado! Sabias que já dormiram montes de raparigas giras por cima de mim?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- A sério?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Uma delas foi aquela actriz famosa…aquela que está num poster, ali na parede.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- A Rita Pereira Chaves , que fazia de “Safinha”, nos “Morângulos com Açúcar”? Não posso!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Essa mesma! Que mulherão! E que belo par de mamas!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- São boas? Viste-a nua?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Claro que a vi nua! Ela dormiu toda nua em cima de mim, fez sexo em cima de mim, veio-se em cima de mim…Luís Pedro…estás a ficar excitado ou é impressão minha?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Tás a falar da Rita Pereira Chaves, meu…como é que querias que ficasse?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Então despe essas calças, pá!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tirei as calças&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E tira essa t-shirt! Cheira a tabaco e suor!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tirei a t-shirt&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Vá, deita-te, que eu continuo a falar da Rita Pereira Chaves, se quiseres…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, por favor!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E vai passando as tuas mãos pela minha espuma…sim, como estás a fazer agora…podes arranhar-me todo, eu gosto, faz-me arrepios na espuma…isso, começa a massajar-me também com os pés, a Rita Pereira Chaves fazia isso, sabes? Gostava de se esfregar toda nua por cima de mim, isso Luís Pedro, já estou a sentir-te teso, gostas de falar da Rita Pereira Chaves, não é? Ela tinha a pele tão macia, devia ser do gel de banho que usava, era-lhe oferecido por aquelas lojas todas chiques, em troca de publicidade e…podes tirar as cuecas, Luís Pedro, ficas mais à vontade assim…isso Luís, encosta o teu pénis sobre mim, levemente, oh que bom, parece algodão, tão macio, mas prestes a explodir, não é Luís Pedro, gostavas de o enfiar todo na Rita Pereira Chaves, que dormia aqui toda em pelota e sabes Luís Pedro, ela gostava de homens morenos como tu, com uma pila como tu (oh sim, Luís Pedro, começa a mexer essa pila sobre mim, sobre a minha superfície de colchão formada por poliuretano e outros químicos e que foi criada pela NASA em 1970, com o objectivo de aliviar a tensão em pontos de pressão dos astronautas, especialmente durante as descolagens e aterragens), Luís Pedro, estás a sentir a pressão a invadir-te esse corpo todo, gostavas de comer a Rita Pereira Chaves e a tua namorada, que não vês há uma semana e meia e que nem sabes onde está agora, talvez esteja a dormir sobre outro colchão de espuma de memória com outro Luís Pedro qualquer, mas não pares, Luís Pedro, sente esta densidade de 2 kg, espessa o suficiente para manter a forma do seu corpo e o suporte necessário por baixo…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Oh…Rita Pereira Chaves, Safinha, uma vez tentei pedir-te um autógrafo, num bar, e mandaste-me à merda…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Isso é porque não és famoso, Luís Pedro…mas agora estás a roçar-te no mesmo colchão onde ela antes se roçou e se veio todinha, estás a sentir isso?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;- Sim, Rita Pereira Chaves, sente-me todo dentro de ti, neste colchão…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Luís Pedro, continua, estás a ir muito bem, estás a ver? Isto até é bom, podemos ficar assim todos os dias, uma meia hora logo de manhã, enquanto o Giovanni não chega e o Filipe está nas aulas, depois podes trazer as miúdas que quiseres, até te posso dar a morada de algumas, conheço muitas raparigas, digo-te do que elas gostam, podemos ser muito felizes assim, eu sou melhor que nada…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Oh, sim, colchão…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- E vem-te quando quiseres. Vem-te, que o amor não é o tempo, nem é o tempo que o faz. A minha espuma absorve tudo e guarda a memória de todos os que cá dormiram, nem precisas de me limpar…só tu e eu e que vamos saber, Luís Pedro… tu e eu…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;- Sim, colchãozito…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte IX: O sentido da vida - conclusão&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Vivo num bairro histórico da cidade, daqueles com muitos turistas em bando, com máquinas fotográficas a tiracolo e mapas na mão, que se misturam com a populaça local, sempre à espreita de novidades e com o calão bem afinado em trocas de galhardetes entre matronas gordas e os bêbados da esquina. Moro no primeiro andar e sou acordado todos os dias pelos gritos da Dona Lúcia, que apregoa em voz bem alta as rifas semanais com o sempre prometido prémio de um belo enxoval para o casamento ou um conjunto de faqueiros de cozinha de fazer inveja às japonesas Ginsu, anunciadas em grandes parangonas nos anúncios da TV Shop. No momento em que ela diz pela décima vez “olha a rifa!” estou deitado na cama. Não me levanto.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Melhor do que viver num bairro histórico da cidade é viver num prédio recuperado do bairro histórico da cidade, com elevador ultra moderno incluído no pacote, onde não faltam os painéis electrónicos azuis a marcar os andares, tudo num magnífico requinte de equilíbrio entre a traça original antiga e as mordomias próprias de imóvel do século XXI.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não é que isso me interesse. Deixo-me ficar deitado todo o dia em cima do meu colchão de espuma de memória, construído por um material espumoso de alta densidade, formado por poliuretano e outros químicos, e que se me molda na perfeição.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fim&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5497987192442337430?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5497987192442337430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5497987192442337430&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5497987192442337430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5497987192442337430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/10/as-minhas-memorias-do-colchao-partes-vi.html' title='As minhas memórias do colchão - partes VI a IX'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-4819200592160365159</id><published>2011-10-07T17:24:00.005+01:00</published><updated>2011-10-07T17:45:40.698+01:00</updated><title type='text'>As minhas memórias do colchão - Partes I a V</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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Moro no primeiro andar e sou acordado todos os dias pelos gritos da Dona Lúcia, que apregoa em voz bem alta as rifas semanais com o sempre prometido prémio de um belo enxoval para o casamento ou um conjunto de faqueiros de cozinha de fazer inveja às japonesas Ginsu, anunciadas em grandes parangonas nos anúncios da TV Shop. Levanto-me ao som da sua voz e no momento em que ela diz pela décima vez “olha a rifa!” já estou no banho a ensaboar-me.&lt;/p&gt;  &lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Melhor do que viver num bairro histórico da cidade é viver num prédio recuperado do bairro histórico da cidade, com elevador ultra moderno incluído no pacote, onde não faltam os painéis electrónicos azuis a marcar os andares, tudo num magnífico requinte de equilíbrio entre a traça original antiga e as mordomias próprias de imóvel do século XXI.&lt;/p&gt;  &lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte II: Descrição do meio humano circundante&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mas a qualidade tem um preço e para pagar o meu quarto com vista para o rio tenho de dividir com outros dois mancebos a coabitação neste imóvel t3 de tamanho reduzido.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Eu durmo no quarto do meio, no lado direito de quem entra pela casa está o quarto do Giovanni, o italiano e do lado esquerdo de quem entra encontra-se o quarto do Filipe, o atarracado e virgem estudante universitário de um curso esquisito do qual já me esqueci do nome.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Os três quartos ficam todos de seguida, paredes meias uns com os outros, mas as paredes estão lá só para darem presença física e para mostrar que estamos num edifício t3, isto porque as paredes não isolam o som, cá para mim se fossem feitas de esferovite ou até de papel de embrulho conseguiam isolar melhor os gritos das namoradas do Giovanni, o atraente estudante italiano de mestrado, digo estudante porque é isso é que ele me conta que está cá a fazer – estudar, mas disso eu pouco sei, o que sei é que o Giovanni passa os dias em casa e digo isso não por me meter na vida dele, porque isso pouco me importa, estão sempre a entrar miúdas cá em casa e isso também pouco me importa, importa-me um pouco mais quando fazem aqueles barulhos todos durante a noite e ai como gemem as namoradas do Giovanni e ele também geme, quando mistura aqueles impropérios em italiano com palavras que entretanto aprendeu em português, provavelmente nas suas aulas de mestrado. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Oiço durante toda a noite o Giovanni a bater contra a parede divisória do nosso quarto, imagino-o vestido de gondoleiro com aquelas camisas de risquinhas azuis e brancas, a conduzir a sua gôndola veneziana e a bater eternamente contra o raio da parede que não isola os sons, mais as miúdas a gritar que nem umas porcas na hora de irem para a matança. Um encanto, como devem imaginar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte III: Tensão subjacente&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Mas aqui o Luís Pedro queixa-se disso? Qual quê! O Luís Pedro, numa clara demonstração de simpatia, até empresta comida ao Giovanni - fatias de pão, queijo, leite e sei lá que mais e o tipo só diz grazie ou gracias ou o raio e nunca compra nada para a despensa, nem lava o fogão nem o chão, nem recicla o lixo. Deve pensar que ainda está em Nápoles.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Eu estou-me pouco lixando e não digo nada. Não se metam é na minha vida. Por isso é que o menino Filipe está marcado para sempre na minha lista negra. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tenho lá eu culpa que ele não possua um único amigo, também com aquelas trombas cheias de acne e aquele amor pelas músicas do Tony Carreira, como é que ele se pode safar? Quero lá saber que o Filipe seja um “deslocado”, que veio de uma pequena aldeia na província para obter um canudo na cidade e que se sinta “engolido” pelo frenesim da multidão, que chore quando vai à casa de banho para que eu não o oiça e que a única vez que viu uma mulher nua na vida foi no preciso instante em que a minha namorada ocasional saiu da casa de banho sem roupa e se cruzou acidentalmente com o menino Filipe.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;E eu fiquei chateado com isso? Quero lá saber! Até me ri, fiquei feliz com o Filipe, que correu para a casa de banho corado e escandalizado e se trancou durante meia hora, provavelmente para gratinar a sua beringela pronta a ser estreada há 25 anos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Falo agora da minha namorada ocasional. Nem sequer é namorada. Por isso, só lhe assenta bem o epíteto de ocasional. E é ocasional porque só aterra na minha casa muito de vez em quando, umas duas vezes por semana, de resto nada sei da sua vida. Diz-me que mora com os pais nos subúrbios e quem sou para duvidar? Não sou polícia, até me posso dar por contente com as duas noites por semana que me dedica. Gosto dela, gosto que ela fique a dormir comigo durante essas tais duas noites semanais.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Até tive o cuidado de avisar o Filipe, disse-lhe que se ele achasse que eu andava a fazer muito barulho que batesse na parede três vezes, assim eu ficava avisado e faria as coisas de um modo mais suave.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;P&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;arte IV: A senhora marquesa apresenta-se aos súbditos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Por isso é que fiquei lixado quando a marquesa tocou à porta naquela manhã, chamo-a marquesa não porque seja marquesa, pois acho que não é, mas pelo seu timbre de voz de tia afectada com os males de todo o mundo e porque tem um apelido que demora meia hora a ser soletrado, a marquesa é a minha senhoria e a dona de todo o prédio e dos dois prédios em redor. Raramente aparece e por isso estranhei, estranhei mais ainda quando lhe abri a porta, estava sozinho em casa, o Giovanni ainda não tinha aparecido da sua noitada e o Filipe tinha ido para as aulas e ela entrou em casa de rompante, sem me cumprimentar e a falar num tom de voz agressivo, “olhe Luís Pedro tá a ver, nós precisamos de falar, tá a ver, o seu colega de casa, o Filipe ou lá como se chama telefonou-me muuuito incomodado, tá a ver, a fazer queixas de si, a dizer que o Luís Filipe leva amigas para casa todas as noites e aquilo é uma pouca-vergonha, faz uma barulheira que nem se pode tá a ver e o Filipe não consegue dormir, coitadiiinho, até porque tem aulas de manhã e já está cansadíssimo e telefonou-me desesperadíssimo tá a ver, e eu fiquei muuito perturbada com o tefenema tá a ver, porque eu sou a proprietária de metade deste bairro, tenho todo o cuidado em seleccionar pessoas que ache que possam manter isto tudo compostinho, até que de repente me vêm dizer que o Luis Pedro mete pessoas mais que duvidosas cá em casa e começa a fazer coisas esquisitas, olhe que eu não sou puritana tá a ver, mas tenho de manter o meu bom nome e as pessoas começam a falar e é uma vergonha…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Depois de cinco tentativas, consegui interromper-lhe um pouco o fio do raciocínio: “eu nunca trago para cá ninguém, quer dizer, trouxe uma amiga umas duas ou três vezes e essa amiga é da máxima confiança, tivemos sempre todo o cuidado em fazer pouco barulho e….”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Não interessa”, respondeu-me a marquesa. “Isto não é uma casa de passe, eu estou a arrendar o quarto a si, não quero que venham para cá meninas, parece impossível, uns rapazes solteiros estarem a trazer engates da noite….”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Mas olhe que o outro vizinho de casa já tem trazido umas amigas…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa começou a rir-se: “está a falar do Giovanni? Oh Luís Pedro, mas o Giovanni é italiano, é suposto trazer miúdas, não é? E percebe-se tá a ver? O Giovanni é o máximo, tem aquele timbre de voz que parece que tá a cantar uma coisa romântica ao ouvido tá a ver, parece o Eros Ramazzotti, o Giovanni tem charme e só se dá com pessoas de classe. Deixe o rapaz em paz, tá a ver, coitadinho, não basta viver longe de casa, dos pais dele, já está a receber acusações? Já agora, o Giovanni está em casa? Eu trouxe-lhe uns pastelinhos de Belém…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa abriu sorrateiramente a porta do quarto do italiano e pareceu desapontada quando não viu ninguém.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Não está? Pobrezinho, já foi trabalhar…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Não foi trabalhar, ainda não voltou da noitada”, respondi-lhe.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Pois, coitadito, tem de se distrair…Mas olhe, estamos conversados, não quero cá mais meninas, se eu souber que volta a meter aqui alguém…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Até que lhe perguntei:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Como é que sabe que o Filipe não está a mentir? Se calhar, embirrou comigo e só está a fazer essas acusações torpes e infundadas para me colocar mal e para me mandar embora…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa respondeu-me enigmaticamente:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Isso é fácil de tirar a limpo. Vamos perguntar ao colchão”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Ao colchão?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sim, ao colchão”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Mas que colchão?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Que patetice de conversa, Luís Pedro. Que colchão é que havia de ser? É claro que estou a falar do colchão do Luís Pedro”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Aaaah….e acha que o meu colchão tem uma palavra a dizer sobre o assunto?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Mas é claro que tem muitas palavras a dizer sobre o assunto! O Luís Pedro sabe que dorme num colchão de memória?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Eu sabia que o colchão era de espuma, agora quanto à memória…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Pois bem, o colchão é de espuma de memória. Isso quer dizer que se lembra de tudo o que ocorre debaixo dos lençóis da cama. Vá, vamos falar com ele. O Luís Pedro está sozinho ou no quarto ou tem lá alguma das suas…amigas?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A conversa estava a parecer-me um pouco absurda, mas não me apeteceu contradizer a marquesa. Encaminhei-a para o quarto.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Esteja descansada, não está ninguém no quarto. Quer dizer, para além do seu amigo colchão.”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não consegui disfarçar uma risada, que foi ignorada pela marquesa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Muito bem, vamos lá”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p  style=" font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="line-height:115%;font-size:14.0pt;" &gt;Parte V – O colchão de memória&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O meu quarto estava relativamente arrumado, tivera o cuidado de atirar a roupa suja para dentro de um saco de plástico. As roupas da minha namorada ocasional estavam metidas dentro da terceira gaveta da cómoda. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa dirigiu-se para o pé da minha cama e começou a falar:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Bom dia, senhor colchão! Está com bom aspecto!”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Para minha surpresa, o colchão respondeu-lhe, com um leve sotaque transmontano:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Que agradável surpresa, minha senhora! Está cada vez mais bonita e encantadora! Há muito tempo que não a via!”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa pareceu ficar agradada com o elogio:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Muito obrigado, é sempre tão cavalheiro! “&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;O colchão continuou com a conversa melosa:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Não tem nada de agradecer, a senhora sabe que só digo as verdades e só estou a dizer o que penso, quando muito, o meu elogio empalidece face à visão magnífica da minha cara senhora…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Oh colchão, deixa-me corada com tanto elogio! Olhe, tá a ver, vim aqui para lhe pedir um grande favor!”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Diga, minha senhora. As suas palavras são suaves melodias de encantar e purificam cada recanto dos meus tímpanos à medida que neles penetram suavemente”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Ah, deixa-me sem palavras, amigo colchão…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sem palavras fico eu para a tentar descrever. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras, mas mil imagens nada valem comparadas com a simples palavra que menciona o seu nome”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“ Pois, colchão, muito obrigado, mas vamos ao que interessa. Tá a ver, o que acha do Luís Pedro?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Está a falar do rapaz que dorme por cima de mim? É boa pessoa, obviamente não se compara com a unha do dedo mindinho da minha cara senhora, de todo o modo ele não é um mau indivíduo, podia ter um bocado mais de cuidado com a higiene pessoal, às vezes deita-se com a t-shirt que levou para sair à noite, empestada de tabaco, não costuma tirar as meias, que usa sempre com aqueles sapatos malcheirosos…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Fiquei indignado, pois claro:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sapatos malcheirosos? Custaram-me 150 euros e meto pó de talco para afastar o mau cheiro…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa retorquiu:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Deixemo-nos de ninharia! Eu queria falar de coisas mais sérias…tá a ver, colchão, diga-me, o Luís Pedro costuma trazer….companhia?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Está a falar de companhias do sexo feminino?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Pois claro! O Luís Pedro recebe visitas?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Deixe-me cá ver…ora bem, o senhor Luís traz, de facto, uma companhia de sexo feminino para o seu quarto. Aparece, regra geral, depois de jantar. A companhia de sexo feminino é bonita, não tanto como a senhora, é claro, mas em comparação com a senhora ninguém é bonito. Costumo dizer para com os meus botões que Deus criou o mundo em sete dias, mas demorou vários milhares de anos para criar a senhora e…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Chega, colchão! Gosto muito dos seus elogios, mas vamos ao que interessa! Seja sucinto e telegráfico!”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“As suas palavras são ordens, minha senhora! Eis então os factos:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. O arrendatário Luís Pedro recebe nos seus aposentos uma jovem mulher;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Com uma periodicidade máxima de duas vezes por semana;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. A jovem mulher pernoita nos aposentos;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. E sai logo de manhã. Já ouvi dizer que ela conta aos pais que vai dormir a casa de uma amiga;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Na verdade, tem relações sexuais com o Luís Pedro;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Às vezes, sem preservativo;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Costumam falar um pouco;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Parece-me que as conversas da jovem mulher enfastiam um pouco Luís Pedro, que se mostra bastante interessado em desenvolver relações mais íntimas com a mesma. Digo isso porque o pénis de Luís Pedro aumenta logo em 50% aquando do primeiro beijo que dá à jovem mulher;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. A jovem mulher começa a falar do seu dia de aulas, num volume baixo, entre 30 a 40 decibéis;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. O Luís Pedro ouve-a quase em silêncio ou faz um ruído de assentimento, semelhante ao ruído das folhas das árvores quando há um pouco de vento, com cerca de 10 decibéis;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. A jovem mulher pergunta ao Luís Pedro se o está a maçar e se ele já não gosta dela;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. O Luís Pedro fica um pouco sobressaltado e responde-lhe: “claro que gosto, querida!”, num volume de som com cerca de 60 decibéis;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Acto seguido, passam a uns rápidos preliminares, que antecedem os actos sexuais de relevo, que atingem volumes que podem chegar perto dos 100 decibéis, ou seja, semelhantes ao ruído de um camião a passar e superior ao ruído médio de uma fábrica, por exemplo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;. Se a senhora quiser, posso especificar melhor as posições sexuais mais utilizadas e o tempo de duração do coito….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa interrompeu a exposição do colchão:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Já chega! Não quero saber pormenores da vida sórdida do Luís Pedro! Tá a ver, já sei o que me interessa! A partir de hoje, não quero que essa jovem senhora ou que mais alguém entre no quarto do Luís Pedro com intenções pecaminosas! Isso quer dizer que até podem entrar cá colegas de escola, desde que não suceda o mesmo que nos filmes pornográficos, onde os colegas de escola levam os cadernos para os quartos uns dos outros, começam a ler os livros de estudo, mas quando chegam à terceira página já estão todos nus e a lamberem-se todos uns aos outros! Ou seja, em suma: podem entrar no quarto do Luís Pedro colegas de escola, mas têm de se comportar convenientemente, tá a ver, sem tirar roupas e sem se atirarem para cima do meu amigo colchão e muito menos sem produzirem os tais ruídos que se comparam ao barulho de um camião. Estamos entendidos?”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Tive de concordar:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Sim, estamos entendidos”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa pareceu ficar satisfeita:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Muito bem! Agora, tenho de me ir embora, ainda vou passar pelo quarto do Giovanni…”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;A marquesa saiu e fiquei sozinho no quarto com o colchão. Este disse-me em surdina:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;“Pronto, lá vai aquela badalhoca falar com o colchão de espuma do quarto do italiano. O desgraçado tem de lhe fazer uma exposição global de tudo o que acontece durante todos os dias e todas as noites. Coitado. Tem uma sorte pior que a Sherazade”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Não respondi. Sentei-me na cadeira, a pensar. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(Fim da Parte V. A continuação segue dentro de momentos).&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-4819200592160365159?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/4819200592160365159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=4819200592160365159&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4819200592160365159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4819200592160365159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/10/memorias-de-um-colchao-partes-i-v.html' title='As minhas memórias do colchão - Partes I a V'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-1664373534670365718</id><published>2011-09-23T18:40:00.002+01:00</published><updated>2011-09-23T18:44:36.473+01:00</updated><title type='text'>Relato de uma não-guerra</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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 mso-hansi-font-family:Calibri;  mso-hansi-theme-font:minor-latin;  mso-bidi-font-family:"Times New Roman";  mso-bidi-theme-font:minor-bidi;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Por ocasião do recente óbito da Condessa do Vale da Amurada, emérita activista anti aborto, proactivamente activa na defesa de todos os valores tradicionais, repetiram-se na imprensa generalista e nos fóruns de opinião as palavras do costume: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;“Na luta contra esse temível e implacável &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;inimigo sem rosto, &lt;/i&gt;a Condessa mostrou sempre uma enorme força, dando provas de um elevado carácter e de uma imensa coragem” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;“ Com grande dignidade empreendeu uma guerra feroz contra aquele &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;inimigo impiedoso,&lt;/i&gt; sempre determinada a lutar até ao fim e sem nunca se entregar, com uma força que é Exemplo para Todos Nós”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Etcetra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Na hora em que a Condessa se entregou e se deitou no caixão, voluntariosamente sofrendo a morte e partindo, dizendo adeus aos seus discípulos, milhares de personalidades dos mais variados quadrantes políticos e sociais juntaram-se em uníssono para prestar homenagem a esse grande e corajoso vulto maior da realidade nacional.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Apareceram, postumamente, os diários de guerra contra o &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;inimigo sem rosto&lt;/i&gt;, escritos pela condessa em momentos de sofrimento atroz, mas sempre pautados por um elevado dever de cidadania, abnegação e crença num futuro sorridente para todos nós. Todos a aplaudiram de pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim Silva Andrade não teve tanta sorte. Quando o inimigo sem rosto bateu à sua porta, encontrava-se a dormir o sono dos justos, depois de uma noite de copos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Talvez por isso, não deu logo conta do sucedido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim Silva Andrade não se ergueu feroz, decidido, pronto para a corajosa luta, nem deu provas de um carácter forte, exemplo proactivo de uma cidadania exemplar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Pelo contrário, bocejou e deu mais uma volta na cama, depois de puxar um pouco os lençóis para cima de si, caramba, o frio de Outubro começava a fazer-se sentir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O inimigo feroz não deu provas de vencido e disse, depois de bater três vezes: “abram a porta!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Terá Joaquim Silva Andrade despertado do seu sono letárgico e ter-se-á dado finalmente conta da funesta situação?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;(&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Será agora, querido Joaquim, que te erguerás e que lutarás contra esse inimigo cruel com todas as forças que te restarem nesse miserável corpo terreno, para te sacrificares por todos nós com o teu exemplo de coragem e abnegação?)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Não. Num inesperado volte-face, Joaquim voltou de facto a face, mas para o lado da parede, ficou deitado na posição fetal e continuou a dormir o sono dos justos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O inimigo funesto não desistiu, rodou imundo e grosso e de novo bateu três vezes e três vezes disse a gritar: “abram a porta!” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim Silva Andrade despertou do seu sono letárgico e entre dentes disse a rosnar: &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;“Será que não me deixam em paz, por nada deste mundo?”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Estava frio, não lhe apetecia sair da cama, por isso, ainda meio embriagado, três vezes as mãos ergueu e cheio de frio tremeu e disse: “espere mais um segundo!”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim Silva Andrade levantou-se pé ante pé e foi abrir a porta ao inimigo sem rosto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;PEQUENO DIÁLOGO INSERIDO DENTRO DO CONTO&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Por motivos de comodidade vou passar para um registo teatral.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Por isso, apresentarei de seguida as &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;PERSONAGENS&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim Silva Andrade: indivíduo comum de meia-idade&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável: aquele do qual nunca se pronunciará o nome em voz alta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A acção decorre no vão das escadas em frente à fracção F, pertencente a um bloco de apartamentos habitacionais comuns, de um bairro da semi-periferia de um grande centro urbano.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;abrindo a porta, depois de bocejar&lt;/i&gt;) – pronto, já abri a porta, escusa de se exaltar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo – eu não me estava a exaltar!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – não estava a exaltar-se? Então começou a bater à maluca, deve ter acordado todos os meus vizinhos, o João do Segundo tem um sono leve e a Dona Maria…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – queira desculpar-me, mas não creio que tenha batido demasiadas vezes. Ao princípio, dei só uns toques leves com a ponta dos dedos, depois como vi que não abria a porta…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – toques leves? Parecia o King kong com cio, a rebentar com as portas do Empire State Building!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – Eu? Isso foi só agora, estou a bater há séculos, mas olhe que isto também é para o seu bem, quanto mais depressa me atender, melhor para si!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – melhor para mim? Melhor para mim teria sido ficar na caminha, com este frio ainda apanho alguma constipação…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;num tom grave, funesto&lt;/span&gt;) – meu caro, se fosse a si, não me preocupava com uma simples constipação…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – não me preocupava com uma constipação? Sabe o que está a dizer? Ainda o ano passado estive uma semana de cama, a espirrar por todos os lados, com febre, não conseguia sequer comer…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – vá, deixe lá de fazer queixinhas. Quanto mais tempo ficar a lamuriar-se, pior para si. Toda a gente me diz que bato à porta na pior altura, no momento exacto em que estão a endireitar a vida, etc etc. Por isso, vamos passar ao que interessa: escolha as armas!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;confundido e depois de mais um bocej&lt;/span&gt;o) – escolho as armas? Que armas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – ora essa! As armas para usar na guerra, no combate feroz!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – mas nós estamos em guerra? De qualquer modo, estou na reserva territorial e ando à procura de emprego, não posso perder tempo a servir o país e…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – mas quem é que lhe disse que estávamos em guerra? O senhor Joaquim é que está em guerra! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – eu é que estou em guerra?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – ah, pois é bebé!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – e eu estou em guerra contra quem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – Que raio de pergunta! Contra mim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;depois de olhar atentamente para o inimigo impiedoso, medindo-o de alto a baixo&lt;/span&gt;) – eu estou em guerra contra si? Porque carga de água? Fiz-lhe algum mal? Nem o conheço! Espere lá…foi contra o carro do senhor que eu mandei aquele toque ontem à noite? Olhe que foi sem querer e eu ia avisar…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não é nada disso! Eu não tenho carro e o senhor Joaquim não fez nada contra mim, em particular…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – então se não lhe fiz nada de mal em particular, porque é que está em guerra contra mim?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – que pergunta difícil… sei lá….é o destino?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – o destino? Que raio de resposta é essa? Eu não acredito no destino! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não é bem o destino…quer dizer, o destino é construído por cada um de nós, de certa forma… a culpa acaba por ser sua, Joaquim…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – ah é? Porquê? Nunca fiz mal a ninguém, estava aqui sossegadinho, deitado na minha cama, depois de ter comigo e bebido muito bem ontem à noite, com uma grande companhia…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – pois, o problema é esse, Joaquim…o meu amigo Joaquim não tem hábitos saudáveis e coloca-se em situações de risco para a saúde…bebe muito, como porcarias com sal, não pratica desporto, tem um estilo de vida sedentário, tem pensamentos mórbidos e pouco ambiciosos…depois já se sabe, mentes sãs, corpos sãos…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – já percebi…o senhor pertence a um departamento de recrutamento de algum desses programas novos de televisão sobre como melhorar a vida e mudar de hábitos e vem convidar-me para participar…em princípio, eu recusaria, mas já agora quero saber o prémio, quero saber quanto ganho com os direitos de imagem…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – amigo Joaquim, está a ver mal as coisas. Isto não é nenhum concurso, quando muito, se vencer esta guerra (que aviso desde já, será muito dura e deixar-lhe-á mazelas para sempre, na hipótese remota de poder sobreviver), o senhor Joaquim terá de alterar por completo os seus hábitos, tem de deixar de beber, fumar, comer quase todo o tipo de coisas, fazer exercício moderado, viver moderadamente sem grandes sobressaltos e acima de tudo, terá de mudar a sua atitude negativa, tem de ver o mundo com uma melhor perspectiva, olhar para cada novo dia como se fosse uma dádiva e…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – hum…pois, estou a ver que se ganhar esta guerra não terei direito a um grande prémio, há que convir!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não é grande prémio? Eu estou a oferecer-lhe a possibilidade de sobreviver, caso aceite com bravura e dignidade a sua situação actual, até lhe posso dar a escolher as armas com que pode lutar…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – fantástico! Posso escolher as armas! E em que consistem essas armas?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável &lt;span style="font-style: italic;"&gt;(pegando num dossier e começando a folheá-lo atentamente&lt;/span&gt;) – as armas…muito bem! Agora é que começámos a chegar à parte interessante…ora bem, caro Joaquim, tenho a dizer-lhe que a sua situação não é brilhante e que parte para a guerra com uma desvantagem considerável…no entanto, tem várias gamas de armas à sua escolha, pode optar pela ultra-incisão intra-localizada, com uma taxa de sucesso de 10%, probabilidade de grave sofrimento de 95%, de um modo prolongado, nunca inferior a 6 meses, com uma taxa de invalidez permanente de 100%, mas com custos bastante interessantes… podemos também tentar fazer uma guerra à base de químicos agressivos, com a colocação de células de beduínos esterilizados por meio de métodos ultra…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;interrompendo&lt;/span&gt;) – chega! O senhor está a pregar-me uma valentíssima seca!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – a pregar-lhe uma valentíssima seca! Estamos a falar da sua sobrevivência, caro Joaquim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – para que é que eu quero sobreviver, se a condição sine qua non para que tal possa acontecer passe por enfiar um beduíno esterilizado pelo meu corpo dentro?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não é um beduíno inteiro, são células estaminais criadas laboratorialmente…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – seja! De todo o modo, o senhor não me convence! Não me apetece entrar em guerra hoje, ainda por cima está um belo sol, vou aproveitar para beber uma cerveja na esplanada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – o senhor está parvo? Percebe o que está para aí a dizer? Tem noção do absurdo que está a dizer, percebe a insensatez desse seu comportamento mesquinho e abominável?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – percebo perfeitamente! Está aí a falar-me de umas guerras parvas, feitas por métodos cruéis e absurdos, para quê? Além disso, não tenho nada contra si, não me apetece estar a gastar forças numa guerra na qual não acredito!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não é uma questão de acreditar! É o seu futuro que está em jogo, amigo Joaquim! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – está a ver? Até me chama de amigo! E não me interessa esse futuro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – não seja infantil, Joaquim, está a meter a cabeça debaixo da areia. Enfrente-me, bolas! E que a sua luta seja um exemplo para todos nós!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – quero lá saber de exemplos! Ainda se a guerra fosse com armas mais giras, podíamos divertir-nos um pouco…não dá para fazer a guerra à base de quizes musicais, onde criaríamos as playlists mais absurdas possíveis…olhe, que tal criar uma lista das 10 melhores músicas sobre guerra? Isso é que seria interessante!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – oh, meu Deus…Joaquim, só tenho estas modalidades de luta! Não seja cobarde, não seja um rato, dê um exemplo, por uma vez e transforme essa sua vida inútil e sem significado…&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – se é inútil e sem significado neste momento, que significado poderá adquirir com uma guerra desinteressante e com resultados catastróficos?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – obtenha a absolvição da sociedade! E que a sua luta o redima de tudo o que não fez até hoje!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim – não estou interessado na remissão dos meus pecados! Vou dormir mais um bocado! Adeus!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Joaquim fecha a porta, volta para dentro e torna a deitar-se. O inimigo continua a bater À porta, mas não obtém resposta&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Inimigo implacável – Joaquim! Vamos lá! Isto até pode ser divertido! Olhe, podemos fazer o quiz musical enquanto lhe enfio pelo rabo acima os bocados esterilizados do beduíno! Até pode transformar-se num melhor exemplo para os outros! Já imagino a frase: “Joaquim continua a divertir-se, apesar de estar a perder a terrível guerra! Joaquim, abra-me essa porta! Lute, Joaquim! Lute! Torne-se um de nós, mente sã, corpo são! É pelo nosso bem-estar! Joaquim! A sua sobrevivência não está nas suas mãos! É um dever entrar na guerra! Não é patriótico, Joaquim? Joaquim!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Epílogo:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Não existem quaisquer registos de diários escritos por Joaquim na sua luta contra o inimigo sem rosto. Joaquim nunca demonstrou possuir um elevado dever de cidadania, abnegação e crença num futuro melhor. Por isso, ninguém o aplaudiu de pé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-1664373534670365718?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/1664373534670365718/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=1664373534670365718&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/1664373534670365718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/1664373534670365718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/09/relato-de-uma-nao-guerra.html' title='Relato de uma não-guerra'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-551466517580255559</id><published>2011-08-31T20:11:00.003+01:00</published><updated>2011-08-31T20:14:38.892+01:00</updated><title type='text'>Produtividade Veraneante</title><content type='html'>Tradição é:&lt;br /&gt;Este blog publicar, pelo menos, um post mensal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a um esforço colectivo e a uma elevada proactividade, conseguimos satisfazer as necessidades dos nossos leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;ÂNGULO SAXOFÓNICO:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;A servir desde Fevereiro de 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-551466517580255559?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/551466517580255559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=551466517580255559&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/551466517580255559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/551466517580255559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/08/produtividade-veraneante.html' title='Produtividade Veraneante'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-354045904974104450</id><published>2011-07-08T16:42:00.002+01:00</published><updated>2011-07-08T16:47:20.707+01:00</updated><title type='text'>A verdadeira história do Doutor Maçanetas</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 5"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="60" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="61" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="62" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Light Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="63" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="64" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Shading 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="65" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="66" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium List 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="67" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 1 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="68" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 2 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="69" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Medium Grid 3 Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 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Tarde de sol. Ao longo da praça estão montados alguns pavilhões, dentro dos quais se encontram várias mesas com livros. No centro da praça há uma mesa rectangular, com uma cadeira, onde está sentado um JOVEM ESCRITOR. Em cima da mesa vemos 10 livros e há um papel, com a inscrição: “SESSÃO DE AUTOGRÁFOS – APRESENTAÇÃO DO LIVRO “AS AMEIXAS DO POLÍCIA” DAS 17 ÀS 18.30”.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;com um ar sonhador e falando entredentes&lt;/i&gt;) - e não é que já são 17 e….(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olhando para o relógio&lt;/i&gt;) 17 horas e 20 minutos e ainda não apareceu uma alminha sequer no centro desta praça ajardinada desta bela e pacata cidade de província. Mas não faz mal. Dá para apreciar melhor a natureza e olhar com atenção para estes belos edifícios de estilo gótico. Ou serão barrocos? Confesso que não percebo muito de arquitectura. Tenho de ler mais coisas sobre esses assuntos. “O saber não ocupa lugar”. E que calma! Consigo ouvir as andorinhas e as rolas a cantar. Ou serão pombas? Confesso que não percebo grande coisa de aves. Tenho de ler mais coisas sobre esse assunto, “burro velho, mais vale matá-lo que ensiná-lo” e eu, com a devida graça divina a quem muito agradeço, sou um jovem escritor. Ou melhor, ambiciono ser escritor, acabei de lançar uma modesta obra, fruto do labor de muitos anos e estou agora a apresentá-la. Não falarei muito sobre ela, até porque “as palavras voam e a escrita fica”. E espero que a minha escrita fique no coração de pelo menos um querido leitor, é só isso que peço. Não tenho pressa, até porque “as cadelas apressadas parem cães tortos.” Olha! Está ali uma velhinha à janela! Vou acenar-lhe. Adeus, querida senhora, como está? Olha, não me respondeu. Não faz mal, não me deve ter visto. Que horas são? (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olha para o relógio&lt;/i&gt;) O quê? Já são 17 horas e 30 minutos? Que pena! Gostaria de ficar aqui eternamente, a contemplar este pedaço de paraíso. Anda tudo apressado, acham que “em tempo de guerra não se limpam as armas”, mas eu sou pelo amor e pela paz. A propósito, ainda não fiz o meu agradecimento diário:&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Querido mundo, agradeço-te por me teres colocado neste país e por me teres ajudado a lançar esta modesta obra de estreia.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Querido país: obrigado por me ajudares a servir-te.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Querido Deus: obrigado por teres criado o mundo e este país e por me teres dado o dom da escrita.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Querida escrita: obrigado por existires.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Querido Guttenberg: obrigado por teres inventado a prensa ou algo do género.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridos antepassados remotos: obrigado por terem gerado os meus antepassados menos remotos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridos antepassados menos remotos: obrigado por terem gerado os meus antepassados recentes.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridos antepassados recentes: obrigado por terem gerado os meus avós e pais.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridos pais: obrigado por me terem gerado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridos professores de toda a minha vida: obrigado por me terem ensinado tudo o que me ensinaram e por terem contribuído para me tornar o que sou hoje.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridas todas as pessoas com quem já me cruzei: mil obrigados, sem mais palavras.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;Queridas pessoas da editora: obrigado por terem confiado em mim e por terem depositado tantas esperanças neste ser pecador e pecaminoso, com tendências para….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;entretanto, aproxima-se o EDITOR&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; – querido amigo escritor, peço tantas e tantas desculpas!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM EDITOR&lt;/b&gt; – bons olhos te vejam, meu amigo EDITOR. Ainda agora estava a fazer a minha prece diária, mencionando o teu nome. Lá diz o ditado: “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”, mas meu amigo EDITOR, tu és magnífico e eu sou um pobre diabo, que não mereço estar junto do chão que pisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(com lágrimas nos olhos&lt;/i&gt;) – não digas isso, amigo escritor! Eu trouxe-te aqui, a esta cidade de província, onde não está ninguém, e não aparece sequer uma alma para tu assinares um autógrafo….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – querido editor! “A ambição cerra o coração”! A minha ambição, se é que lhe podes chamar assim, é apenas partilhar dois dedos de conversa contigo, neste paraíso terrestre desta cidade magnífica…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR &lt;/b&gt;– amigo escritor, mas “a barriga não tem fiador”, deves estar com fome…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – alimento-me das trovas do vento e que passa e da tua presença e da alegria de ter editado um livro…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; – sim, mas “a cada boca uma sopa”…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – basta-me apenas uma sopa. Não preciso de vender nada. “A boca do ambicioso só se fecha com terra de sepultura”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; – mas há que tentar vender um livrinho ou outro, não?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – só se for para te agradar. Achas então que deveremos tentar vender alguma coisa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; – hum…que tal um livrinho ou dois?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – então vamos tentar vender alguma coisa! Mas atenção: “a fama soa longe. E mais depressa a má que a boa”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt;- concordo, amigo jovem escritor. Mas como vamos vender um exemplar que seja?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”. Iremos de porta em porta tentar vender o produto do nosso modesto trabalho.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; –oh, jovem escritor! Como és bondoso e proactivo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; –mas vamos já! “a laranja, de manhã é de ouro, de tarde é de prata e à noite mata”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;o JOVEM ESCRITOR levanta-se da cadeira, pega nos 10 exemplares dos livros e começa a andar, na companhia do EDITOR&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – olha, vamos tentar falar com aquela simpática velhinha que está à janela. &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(aproximam-se da janela da velha&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; –amiga senhora de idade, boa tarde! Eu sou um jovem que está agora a iniciar-se na aprendizagem da arte da escrita e anda a vender de porta em porta o fruto do seu trabalho, editado pelas graças deste meu fantástico amigo. Não quererás comprar-me um exemplar para me ajudar a matar a fome?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;a velha não responde e afasta-se da janela&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;falando para o editor&lt;/i&gt;) – a simpática velhinha vai abrir-nos a porta!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR&lt;/b&gt; –oxalá!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;a velha volta à janela e atira com um penico cheio de fezes para a cabeça do escritor, provocando-lhe um golpe na cabeça).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;VELHA&lt;/b&gt; –vão trabalhar, seus madraços! Delinquentes! Ficam aí a vadiar e no fumício e depois os governantes têm de tirar as pensões dos pobres velhinhos que andaram a trabalhar a vida toda! “A ociosidade é a mãe de todos os vícios”! Rua! Rua! E não se atrevam a acampar no meio da praça, que isto não é o Rossio! Polícia!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR &lt;/b&gt;– parece impossível! Esta velha deve ter votado no partido liberal, 60% dos habitantes desta cidade votaram no partido liberal e já se sabe, os velhos são fascistas! Isso! Fica aí em tua casa a gozar a reforma mínima! Deves ter ido votar no…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;interrompendo-o&lt;/i&gt;) – calma, amigo EDITOR! Não vamos caluniar a senhora. Olha, vamos tentar bater de porta em porta, mas sem dizermos logo que estamos a vender livros…sei lá, podemos dizer que somos de alguma religião, ou que vamos instalar um novo sistema de TV Cabo. “à primeira, qualquer cai. À segunda, cai quem quer”.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;o JOVEM ESCRITOR e o EDITOR afastam-se. A velha ainda tem tempo de atirar um martelo à cabeça do JOVEM ESCRITOR).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;contorcendo-se de dor&lt;/i&gt;) – AAAAAI! Não faz mal! “Antes martelo que bigorna”!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;entretanto, aproxima-se uma pessoa, que pára em frente do JOVEM ESCRITOR e do EDITOR. Olha para os livros)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – é o primeiro livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – perdão, meu amigo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– perguntei se era o primeiro livro que escreve…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – é sim, publiquei-o agora mesmo, saiu há duas semanas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– e já começou a escrever o segundo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – perdão?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – perguntei se já começou a escrever o segundo livro. É importante não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – meu caro amigo, tem toda a razão! “ A conselho amigo, não feches o postigo! “A preguiça morre à sede, andando a boiar”. Vou já começar a escrever o segundo livro neste instante!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – aproveito e posso contar-lhe umas histórias. O meu caro amigo pode usar estas histórias para fazer uns contos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – ora nem mais! Sabe, o escritor é uma esponja! Absorve tudo o que vê e o que lhe contam. É claro que eu não daria o merecido brilho que as suas histórias hão-de merecer. Olhe, meu querido amigo. Nós vamos vender uns livros de porta em porta. Não nos quer acompanhar e aproveita para nos contar uma das suas magníficas histórias? Nada me faria mais contente!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; –vou à apresentação do equipamento do VITÓRIA FC SPORT CLUB E PROGRESSO e depois vou a um picnic organizado por uma grande superfície comercial, mas ainda tenho uma meia horita e posso acompanhar-vos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;JOVEM ESCRITOR – então bora lá!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(nisto começa a cair uma forte chuvada&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – não faz mal! “Abril águas mil”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;EDITOR &lt;/b&gt;– mas não estamos em Abril!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – “água de Julho, no rio não faz barulho”. Em frente, companheiros.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;começa a nevar&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – “ano de nevão, ano de pão”&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;os nossos três amigos começam a andar, sob um forte nevão. O JOVEM ESCRITOR canta canções de louvor, para animar os seus companheiros).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt; &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olhando para o relógio&lt;/i&gt;) – que horas são? 18 horas? Como o tempo passa! Apressemo-nos, queridos irmãos! Meus amigos, vão contando umas histórias para eu apontar no meu bloco de notas!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– conhecem a história do Doutor Maçanetas?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;cai mais chuva, neve e granizo mas os nossos amigos continuam a andar, alegres, mas não gracejam. Sorriem, apenas e contam uma ou outra anedota ligeira ou uma chalaça inocente. Afinal, não querem fazer stand up comedy).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-354045904974104450?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/354045904974104450/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=354045904974104450&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/354045904974104450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/354045904974104450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/07/verdadeira-historia-do-doutor-macanetas.html' title='A verdadeira história do Doutor Maçanetas'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5886698679880748236</id><published>2011-07-07T13:22:00.003+01:00</published><updated>2011-07-07T17:38:23.581+01:00</updated><title type='text'>A verdadeira história do Tio Firmino</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; 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  &lt;w:lsdexception locked="false" priority="70" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Dark List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="71" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Shading Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="72" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful List Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="73" semihidden="false" unhidewhenused="false" name="Colorful Grid Accent 6"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="19" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="21" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Emphasis"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="31" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Subtle Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="32" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Intense Reference"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="33" semihidden="false" unhidewhenused="false" qformat="true" name="Book Title"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="37" name="Bibliography"&gt;   &lt;w:lsdexception locked="false" priority="39" qformat="true" name="TOC Heading"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-priority:99;  mso-style-qformat:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin-top:0cm;  mso-para-margin-right:0cm;  mso-para-margin-bottom:10.0pt;  mso-para-margin-left:0cm;  line-height:115%;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:11.0pt;  font-family:"Calibri","sans-serif";  mso-ascii-font-family:Calibri;  mso-ascii-theme-font:minor-latin;  mso-fareast-font-family:"Times New Roman";  mso-fareast-theme-font:minor-fareast; 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É fantástico e gratificante poder publicar um livro.&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Criei este personagem mimado e fútil (e suspeito, pouco talentoso) para poder apenas brincar com a imagem do jovem escritor auto-centrado. É claro que a graça aumenta (para mim) se misturar certos aspectos autobiográficos.&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;E é isso!&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Obrigado a todos os leitores e a todos os que me têm acompanhado. As minhas obras pertencem-vos também e adoro-os!&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Um Xi-coração do vosso autor!!&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;E agora segue-se a farsa;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;3&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;2&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;1&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;Levanta-se o pano&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;Personagens:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p face="trebuchet ms" class="MsoNormal"&gt;JOVEM ESCRITOR: Com uma idade de jovem escritor&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;HOMEM: com uma idade de homem, digamos 50 anos ou 60 anos ou talvez 42 anos&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Praça central de uma cidade de província. Tarde de sol. Ao longo da praça estão montados alguns pavilhões, dentro dos quais se encontram várias mesas com livros. No centro da praça há uma mesa rectangular, com uma cadeira, onde está sentado um JOVEM ESCRITOR. Em cima da mesa vemos 10 livros e há um papel, com a inscrição: “SESSÃO DE AUTOGRÁFOS – APRESENTAÇÃO DO LIVRO “AS AMEIXAS DO POLÍCIA” DAS 17 ÀS 18.30”.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;com um ar enfadado e falando entredentes&lt;/i&gt;) - e não é que já são 17 e….(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olhando para o relógio&lt;/i&gt;) 17 horas e 20 minutos e ainda não apareceu uma alminha sequer no centro desta praça empoeirada desta cidade de província. Ah, será que está a decorrer algum importantíssimo desafio de futebol? Será a apresentação oficial do novo equipamento do FC VITÓRIA CLUBE SPORT? Ou haverá alguma coisa mais importante noutro local da cidade? Já sei, foram todos ao Shopping, como se diz por aqui, comprar alguma coisa, talvez haja por lá outra sessão de autógrafos de algum escritor importante, como um futebolista, ou alguma coisa do género. Ou então foram à praia, resolveram passar o fim-de-semana fora, daqui até ao litoral é um pulinho, uma coisa de nada, o quê? Sessenta quilómetros, mais coisa menos coisa, e o pessoal foi todo para a praia apanhar sol, qual crise qual quê, queremos é estar todos divertidos, não é? O que interessa uma sessão de autógrafos de um escritor desconhecido, na praça central da cidade? Por acaso, é uma praça central bem bonita, aquelas árvores ao fundo, aqueles edifícios do estilo gótico, ou será barroco…eu, se morasse aqui, andaria sempre metido nesta praça, se pudesse. E a feira do livro? Tem um aspecto bastante aprazível, quem me dera morar cá, só para ir passear para esta feira do livro tão gira, com estes escritores promessa tão simpáticos, anunciados na nota de rodapé daquela revista que eu só comprei porque aparecia lá a referência ao meu nome. Mas pronto, que horas são? (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olha para o relógio&lt;/i&gt;) 17 horas e 25 e cinco minutos!? Oh diacho, nesta terra, o tempo não passa, o tempo voa , senhoras e senhores, vejam lá o milagre da passagem do tempo, mas como diz o outro, quando a gente se diverte o tempo passa num esfregar de olhos e eu estou tão divertido a contar as pombinhas a comer o milho ou a olhar para aquela velha estúpida que está à janela daquele terceiro andar a mirar-me…o que é que foi, ó velha? Nunca viste um escritor promessa numa sessão de autógrafos de uma cidade de província vazia porque foi tudo ver a apresentação do novo equipamento do FC VITÓRIA SPORT CLUBE DESPORTIVO DA PUTA QUE O PARIU? Vai morrer longe, ó velha. Não tens dinheiro para me comprar o livro, é? Cortaram-te as pensões da reforma? Não tivesses votado no partido liberal, sim porque eu sei que nesta bela cidade à beira rio plantada, cerca de 60% das pessoas votaram no partido liberal e já se sabe que os velhos têm tendências fascistas, por isso, votaste no partido liberal, por isso agora lixas-te, oh velha, e só podes olhar pela janela e não podes ir aqui à praça central, a esta bela praça central, onde os pombos cantam como rouxinóis ou urinóis, mas não podes ir a esta praça central comprar-me o livro. Não é que isso sirva para alguma coisa, pois deves ser analfabeta, certo? Ou pelo menos meio cegeta e não ias perceber metade disto tudo. Mas também não deve ser o teu estilo, isto é um livro de contos, não é um guia das telenovelas nacionais nem fala do casamento do príncipe das Astúrias do Principado, por isso mais vale manteres-te afastada, a micar-me com o teu rendimento mínimo votado e legalizado nas urnas. E que horas são agora? 17 e 30? Fantástico! Como a gente se diverte por aqui!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;entretanto, aproxima-se uma pessoa do centro da praça. Trata-se de um homem com cerca de 50 anos ou 60 anos ou talvez mesmo 42 anos, aparentemente sem grandes traços distintivos)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt; &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – o quê? Será que os meus olhos me enganam? Será uma miragem, provocada por esta vaga de calor? Vejo um vulto a aproximar-se? Haverá vida por aqui? Como é que conseguiu surgir vida num local tão agreste e destituído de interesse? É milagre! Deus! Afinal EXISTES!&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;o homem aproxima-se devagar e pára em frente à mesa do jovem. Fica a olhar para o papel e para a capa do livro. Até que começa a falar).&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – é o primeiro livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – perdão?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– perguntei se era o primeiro livro que escreve…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – é sim, publiquei-o agora mesmo, saiu há duas semanas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– e já começou a escrever o segundo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – perdão?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – perguntei se já começou a escrever o segundo livro. É importante não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – sabe…agora estou a promover este livro, é um livro de contos chamado…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– oh jovem, eu sei o nome do livro, está aí escrito. Perguntei só se já tinha começado a escrever o segundo livro. É importante não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – olhe, as coisas não são assim tão simples. Repare, para começar a escrever um livro, é preciso saber exactamente do que vai tratar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – o importante é não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – certo. Tem toda a razão. É importante não parar, mas no mundo editorial e neste mundo actual em que vivemos, onde somos inundados por informação e por novas edições, não podemos estar sempre a editar livros, há que saber esperar…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; –&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;não podemos esperar, sem continuar a escrever. O importante é não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e tem toda a razão! Mas já leu o livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – eu não! Não tenho tempo para essas coisas, tenho a vida muito ocupada.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – tem toda a razão, a vida agora ocupa-nos muito, estes dias com 24 horas são tramados…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt;- pois, mas isso não é desculpa para deixar de escrever. O importante é não parar. Olhe, devia estar a escrever neste momento.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – agora?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;–sim, agora mesmo, neste preciso instante. O importante é não parar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – mas neste momento estou a falar consigo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – sim, mas escreva enquanto fale. Aponte ideias.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – quais ideias?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – quais ideias? Tudo! Olhe, até pode escrever sobre esta conversa!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – qual conversa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – esta que estamos a ter!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – desculpe estar a perguntar isto, mas qual é o interesse desta conversa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – qual é o interesse? Acha que esta conversa não interessa?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;depois de respirar fundo&lt;/i&gt;)– perdão, acho que esta conversa é extremamente interessante e muito rica (pelo menos para mim), mas os leitores querem sempre algum…sei lá…drama, acção, emoção…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – sim, percebo…então, quer drama? Olhe aqui para o meu nariz!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;o JOVEM ESCRITOR olha atentamente para o nariz do HOMEM, mas não nota nada de esquisito)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt; &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – desculpe, mas não noto nada de…talvez esteja um bocadinho queimado? É isso? Queimou-se no fogão da cozinha? Deixou os bicos ligados? Ou foi num acidente de automóvel? Ia sem o cinto posto e o pneu traseiro esquerdo do automóvel rebentou?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – nada disso, rapaz! O meu nariz é torto! Não nota?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;o JOVEM ESCRITOR aproxima-se do nariz do HOMEM e observa-o muito atentamente)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – uma narina é um bocado mais aberta que a outra. Isto é porque a cana do nariz está meio torta. Fui uma vez ao médico e ele disse-me que me pode tratar com uma cirurgia. O problema é que a cirurgia é cara e é preciso fazer com anestesia geral. Sabe, eu tenho medo das anestesias gerais, uma vez o meu tio Firmino acordou no meio de uma operação e….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – sim, estou a compreender…mas o que tem o seu nariz a ver com as minhas histórias?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – nunca consegui respirar bem. Não entra todo o ar pela narina esquerda. E isso faz-me ficar mais cansado, às vezes fico irritadiço, enfim…é um drama….e depois, fico sempre emocionado quando penso que posso vir a respirar bem, mas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – sim, estou a perceber e estou a ver que a sua história é bastante dramática, mas não me parece que os leitores queiram saber…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – a minha história não é suficientemente interessante? Então fica aqui outra: na aldeia onde nasci havia um homem com uns dedos das mãos muito largos. O resto do corpo era normal, a cara, os braços, mesmo o tamanho da mão. Mas aqueles dedos eram largos, pareciam batatas. Por isso, chamavam-no Doutor Maçanetas. Não sabiam bem porque é que ele tinha os dedos assim, uns diziam que era porque roía as unhas…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – essa história parece ser muito interessante, mas as coisas comigo não funcionam assim, eu escrevo por inspiração, conto o que me vem à cabeça, não tenho um bloco que me diga o que devo dizer nem obedeço a um programa pré-estabelecido….&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – mas deve apontar o que ouve. Eu nem devia estar a falar consigo. Os escritores são perigosos. Deve estar a apontar mentalmente o que lhe digo e vai meter na próxima história…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – esteja descansado. Eu não meto esta conversa em história nenhuma.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– agora devia era escrever um Romance. Uma coisa de vulto.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – estou a pensar nisso. Quero ver se penso num enredo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – pense à vontade. O importante é escrever. Não deve ficar parado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; –esteja descansado.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt;- não quer apontar isso?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt;-&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt;  &lt;/span&gt;isso o quê?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM-&lt;/b&gt; isso de “o importante é não ficar parado”. Dava uma ideia gira para uma história. Uma pessoa que quer ficar parada e não consegue e vice-versa.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt;- acho que me consigo lembrar da ideia.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – olhe, vou ter de ir andando.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt;- não me quer comprar um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– acha que sim, amigo? Não tenho tempo para essas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e a sua mulher, não quererá comprar-me um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – acha que sim, amigo? Ela não tem tempo para essas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e o seu filho, não quererá comprar-me um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – acha que sim, amigo? Ele não tem tempo para essas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e a sua filha, não quererá comprar-me um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – acha que sim, amigo? Ela não tem tempo para essas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e os seus vizinhos, não quererão comprar-me um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– acha que sim, amigo? Eles não têm tempo para essas coisas.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – e o seu cão, não quererá comprar-me um livro?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– por acaso, o meu cão tem um exemplar do seu livro. Roubou-o da FNAC. Adorou o livro, devorou-o em cinco minutos. O meu caro amigo tem de escrever mais livros, para o meu cão roubar da FNAC. O importante, acima de tudo, é não ficar parado. Continue a escrever, não fique aí sentado, parado. Olhe, até podia fazer uma história sobre uma pessoa que escreve e quer vender os livros e não consegue e…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – estou a perceber, é uma boa ideia…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM &lt;/b&gt;– ou então pode escrever uma história sobre…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – olhe, boa ideia! Vou escrever agora mesmo!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;HOMEM&lt;/b&gt; – então se vai escrever, deixo-o em paz…&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – sim, vá lá à sua vida e obrigadinho!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;(o HOMEM afasta-se&lt;/i&gt;)&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;com um ar enfadado e falando entredentes&lt;/i&gt;) – fantástico! Acabei de ter uma aula com um professor de escrita criativa! E foi de graça! Isto há dias de sorte! O professor de escrita criativa quase que me comprava o livro, mas vejam lá! Não tem tempo! Não tem tempo para ler umas míseras 110 páginas com letras grandes e parágrafos de cinco em cinco linhas, para não cansar a vida do distraído leitor! Mas não tem tempo! Vai a correr ver a apresentação do novo equipamento do SPORT CLUBE VITÓRIA ETERNA FC e de caminho vai a um picnic organizado por alguma grande superfície comercial ouvir as músicas do grande cantor romântico do momento! Ele que vá! Eu fico aqui sentado! E que horas são? (&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;olha para o relógio)&lt;/i&gt;. 18 horas?! Como o tempo voa nesta magnífica cidade de província, local que fervilha de actividade e onde as ideias brotam como cogumelos venenosos! Ah, mas o importante é não ficar parado! Não ficar parado nesta actividade tão solitária como é a da escrita! Eu devia era ter trazido o jornal, a Dica da Semana, ainda não acabei de fazer o sudoku desta semana. E tenho o telemóvel sem bateria, não posso jogar snake, e ainda tenho de ficar mais meia hora, o pessoal da editora disse-me “ficas lá das 17 até às 18 e 30, nós não te podemos acompanhar ao evento, temos de ir à praia ou passear com a família, mas boa sorte, desemedar-te e vende uns livros, estamos a contar contigo com a tua boa disposição com a tua proactividade e com a tua linda cara que te há-de levar tão longe e que é tão boa para meter nas badanas dos livros e naquelas fotos grandes para se meter nas livrarias ao lado do Miguel Sousa Tavares e daquele escritor que agora é secretário de Estado”! É isso, meus irmãos, o importante é não estar parado! Faça-se-lhes a vontade, se é o UNIVERSO que quer que eu escreva!&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;(&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;muito devagar, e com um gesto solene, mas com um ar meio enfadado, o jovem escritor abre a sua mala de tiracolo e tira de lá um bloco de notas, que tem o título “ideias para contos, etc.”)&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight:normal"&gt;JOVEM ESCRITOR&lt;/b&gt; – como é que era mesmo a história do DOUTOR MAÇANETAS?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="mso-spacerun:yes"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5886698679880748236?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5886698679880748236/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5886698679880748236&amp;isPopup=true' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5886698679880748236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5886698679880748236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/07/verdadeira-historia-do-tio-firmino.html' title='A verdadeira história do Tio Firmino'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-6593674552298244763</id><published>2011-06-08T18:56:00.008+01:00</published><updated>2011-06-08T19:15:10.192+01:00</updated><title type='text'>Uma nova aventura de Romualdo- Parte 1: As férias do Romualdo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Naquela tarde, Romualdo Castelo ligou o Facebook e deparou com um pedido de amizade, acompanhado da seguinte mensagem:&lt;br /&gt;“Romualdo, és tu? Sou eu, a Mariazinha, do São Wojtyla II! Que saudades desses tempos lol! Lembras-te de mim? Temos de combinar uma saída! Grande beijo!” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Romualdo consultou as mais recentes galerias de fotografias que Mariazinha guardava no seu perfil. Gostou do que viu, particularmente das “Fotografias tiradas na viagem de finalistas a Porto de Galinhas – grande bebedeira lol”; da “Festa da Latada Gregoriada – grande bebedeira lol” e do “Baptizado do primo Martim – grande bebedeira lol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariazinha era bastante agradável anatomicamente e tinha um belo sorriso, mesmo depois de vomitar, como se comprovava na galeria de fotografias “bubas minhas e dos meus amigos 2010 lol”.&lt;br /&gt;Por isso, Romualdo decidiu que seria de mau tom deixar de responder a tal mensagem, tal como achou de mau tom que uma mulher bonita como Mariazinha pudesse ver recusado um simpatiquíssimo pedido de amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com estes pensamentos em mente, depois de ter aceitado o pedido de amizade, respondeu do seguinte modo:&lt;br /&gt;“Claro que me lembro de ti, Mariazinha! E lembro-me muito bem desses tempos do São Wojtyla II lol! Ainda no outro dia estava a pensar em ti e no resto do pessoal! Está tudo bem contigo? Temos mesmo de combinar uns copos, para matar saudades! Beijocas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa mensagem tinha um pequeno senão. Esse pequeno senão consistia no facto de Romualdo não fazer ideia de quem era Mariazinha. Foi pesquisar quais os amigos que tinham em comum. Nenhum, excepto uma Associação qualquer de defesa do bom-nome dos vegetais e uma editora com um nome esquisito, Angelus Novus, que Romualdo adicionara a pedido de um amigo com ambições de escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem era de estranhar que Romualdo não conhecesse esta Mariazinha. Afinal, não sabia o que era esse tal de São Wojtyla II. Depois de uma rápida pesquisa Google, concluiu que se tratava de um Colégio religioso, que abraçava uma filosofia com um ultra moderno conceito de proactividade messiânica.&lt;br /&gt;Romualdo estudara, com muito orgulho, na Escola Secundária do Vale da Azinhaga da Rebordeira e sempre olhara de soslaio para esses alunos burgueses de estabelecimentos de ensino privados. Às vezes, até ia para a porta de alguns desses colégios, para “catar os betos”.&lt;br /&gt;Mas não havia nada a fazer. Romualdo teria de se comportar, a partir de agora, como um antigo aluno do colégio de São Wojtyla. Mais precisamente, teria de se comportar como “o” Romualdo do colégio de São Wojtyla II. Porque Romualdo Castelo tinha a certeza de que existia, algures, outro Romualdo, que teria a sua idade e que estudara nesse estabelecimento de ensino. Romualdo Castelo teria, impreterivelmente, de conhecer o seu homónimo e de estudar a fundo a sua biografia, os seus hábitos, a sua forma de vestir, de modo a poder fazer-se passar por ele, num hipotético futuro encontro que pudesse vir a ter com Mariazinha.&lt;br /&gt;E não dispunha de muito tempo. Naquele instante, recebeu uma mensagem de Mariazinha, que dizia o seguinte:&lt;br /&gt;“Oh Romualdo, estou tão contente por te lembrares de mim! Quando é que queres tomar um copo comigo? Temos de festejar para beber lol”&lt;br /&gt;Romualdo precisava de dispor de alguns dias, para poder prosseguir calmamente a sua investigação, mas tinha de apresentar um motivo forte para não marcar qualquer encontro para os dias seguintes. Como tal, respondeu do seguinte modo:&lt;br /&gt;“Agora estou no estrangeiro, em trabalho, mas logo que voltar, para a semana, eu aviso, para metermos as bebidas em dia lol”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar maior credibilidade à sua história e para que Mariazinha não pensasse que estava a mentir, Romualdo decidiu colocar umas fotos suas no Facebook, junto a alguns monumentos famosos, para dar a impressão de que estava mesmo de férias.&lt;br /&gt;O problema é que não tinha, de momento, no computador portátil, quaisquer fotos suas em viagem, só havia umas fotos tiradas durante o Carnaval, no ano anterior, quando se vestira de Leão do Feiticeiro de Oz. Por isso, decidiu manipular algumas imagens no Photoshop.&lt;br /&gt;Mas Romualdo não sabia trabalhar no Photoshop e não havia tempo a perder. Por isso, utilizou o Paintbrush. Eis o resultado final (por motivos de privacidade, tapei a cara do Romualdo). &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Romualdo junto à Torre de Pisa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YOIFepj0vp0/Te-5IcoRj1I/AAAAAAAAAPc/M2Eg4ekn3hE/s1600/torre-pisa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615910815129505618" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-YOIFepj0vp0/Te-5IcoRj1I/AAAAAAAAAPc/M2Eg4ekn3hE/s400/torre-pisa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romualdo no Monte Rushmore:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WOJYnphX8HU/Te-5iQZRUUI/AAAAAAAAAPk/qxmK8RSomuY/s1600/Mount-Rushmore.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615911258521948482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-WOJYnphX8HU/Te-5iQZRUUI/AAAAAAAAAPk/qxmK8RSomuY/s400/Mount-Rushmore.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romualdo junto ao Farol de Alexandria:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Zf6fgz05n3k/Te-566WCn4I/AAAAAAAAAPs/YVwZ4mvNRLc/s1600/Farol%2Bde%2BAlexandria.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5615911682099552130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 296px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-Zf6fgz05n3k/Te-566WCn4I/AAAAAAAAAPs/YVwZ4mvNRLc/s400/Farol%2Bde%2BAlexandria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mariazinha gostou muito do que viu e passados poucos segundos já estava a fazer um comentário à foto tirada junto ao farol de Alexandria.&lt;br /&gt;“Que giro, Romualdo! Eu também estive nesse sítio o ano passado! E estás vestido de leão! Sabias que eu também sou do Sporting? Temos muitas coisas em comum lol”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-6593674552298244763?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/6593674552298244763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=6593674552298244763&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6593674552298244763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6593674552298244763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/06/uma-nova-aventura-de-romualdo-parte-1.html' title='Uma nova aventura de Romualdo- Parte 1: As férias do Romualdo'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-YOIFepj0vp0/Te-5IcoRj1I/AAAAAAAAAPc/M2Eg4ekn3hE/s72-c/torre-pisa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-308487372805288252</id><published>2011-05-31T11:28:00.004+01:00</published><updated>2011-05-31T11:42:32.542+01:00</updated><title type='text'>O Ângulo apresenta a sua nova rubrica: Diário de um Escritor Publicado</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-1Rdg_4t3T5c/TeTFkMzJJPI/AAAAAAAAAPI/jLOEXZEyrtc/s1600/heningway.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612828261312177394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-1Rdg_4t3T5c/TeTFkMzJJPI/AAAAAAAAAPI/jLOEXZEyrtc/s400/heningway.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Eis a pergunta que os meus muitos leitores mais têm colocado:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;"Como é a vida de um escritor publicado"?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Os meus dois leitores estão muito interessados nesta questão, nomeadamente a minha mãe, que &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-I6RwMHwdrbE/TeTFxeFYNqI/AAAAAAAAAPQ/q6Yh24dJ-l0/s1600/lili%2Bcane%25C3%25A7as3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612828489290364578" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-I6RwMHwdrbE/TeTFxeFYNqI/AAAAAAAAAPQ/q6Yh24dJ-l0/s400/lili%2Bcane%25C3%25A7as3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;quer saber se eu tenho conhecido gente divertida; se os meus dias estão repletos de empolgantes aventuras; se eu já escrevi um livro sério e de grande fôlego, como um romance de 500 páginas...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Para responder a essas questões, resolvi criar esta nova rubrica: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;No "Diário de um escritor publicado", tentarei contar os meus medos, anseios, alegrias, frustrações e todas as aventuras deste homem-novo, cheio de sonhos e lindos projectos das cores do arco-íris.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Estejam atentos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-308487372805288252?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/308487372805288252/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=308487372805288252&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/308487372805288252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/308487372805288252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/05/o-angulo-apresenta-sua-nova-rubrica.html' title='O Ângulo apresenta a sua nova rubrica: Diário de um Escritor Publicado'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-1Rdg_4t3T5c/TeTFkMzJJPI/AAAAAAAAAPI/jLOEXZEyrtc/s72-c/heningway.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-3045783746131273114</id><published>2011-04-29T17:16:00.002+01:00</published><updated>2011-04-29T17:24:11.300+01:00</updated><title type='text'>O que vou fazer no dia 7 de Maio</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-KT5B-bY1VZY/Tbrkqbs-T5I/AAAAAAAAAPA/4gR7KIY1Eps/s1600/flyer+livro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601040504230662034" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 369px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-KT5B-bY1VZY/Tbrkqbs-T5I/AAAAAAAAAPA/4gR7KIY1Eps/s400/flyer%2Blivro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Assistirei ao lançamento deste livro. Dizem que vai haver acepipes e bebidas com fartura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Já lá estou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-3045783746131273114?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/3045783746131273114/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=3045783746131273114&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/3045783746131273114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/3045783746131273114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/04/o-que-vou-fazer-no-dia-7-de-maio.html' title='O que vou fazer no dia 7 de Maio'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-KT5B-bY1VZY/Tbrkqbs-T5I/AAAAAAAAAPA/4gR7KIY1Eps/s72-c/flyer%2Blivro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-296670559371140139</id><published>2011-03-28T13:49:00.003+01:00</published><updated>2011-03-28T13:57:29.418+01:00</updated><title type='text'>HSC12 36 Amp</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Metia-me medo, nem sei bem porquê. Não podemos falar em imponência física, eu que sou bem mais alto, pelo menos uns sete ou oito centímetros. Já nem falo da sua magreza, os braços estreitos, mais as suas pernas meio tortas, em suma, uma figura ridícula. Ainda por cima, com óculos. Não é que os óculos resolvam grande coisa, naquele caso grave de miopia…&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas não havia nada a fazer, matraqueava-me aquelas ordens todas e eu ficava calado, acobardado, obedecia a tudo, sim claro, tens toda a razão, não me batas mais, por favor... Naquele dia foi a mesma coisa. Acordou-me às seis da manhã, já com o banho tomado. Era a minha vez, o gás acabou-se passado um minuto e tive de apanhar com aquela água gelada de Novembro a furar-me os cornos e o coro cabeludo, até os cabelos fugiam e caíam para o ralo sujo da banheira, os ossos a desfazerem-se pouco a pouco, pele engelhada, a tremer de uma ponta à outra. Ainda me acusou de ter gasto a botija, bateu-me com o cinto e atirou-me com mais umas quantas reprimendas. Saímos de casa à pressa e tropecei em dois degraus. O pior veio depois. Tentei ligar o carro, mas não deu em nada. Claro, deixou as luzes acesas, na noite anterior.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas a culpa era minha, como sempre, e correu atrás de mim pela rua toda, a largar imprecações. “tem calma,”, respondi-lhe. “Eu resolvo o assunto”. “Então resolve o assunto depressa, faz-te um homem”. Chamei o vizinho ensonado, ainda de pijama, a resmungar por todos os lados e pedi-lhe ajuda.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;Para a resolução deste problema, são necessários dois cabos de bateria e um carro que, evidentemente, tenha a bateria carregada. Depois, colocam-se os dois carros de modo a que as baterias estejam próximas. Com ambos os carros desligados, liga-se o cabo vermelho ao positivo da bateria descarregada e a outra ponta ao positivo da bateria carregada. De seguida, liga-se o cabo preto ao negativo da bateria carregada e a outra ponta à terra, isto é, a uma parte de metal do carro descarregado – procurem uma parte metálica, não pintada e sem óleo e certifiquem-se que o cabo não fica no caminho de nenhuma peça móvel.Com os cabos bem presos, liga-se o carro que tem a bateria carregada e acelera-se um pouco (aí até às 2 mil rpm). Com o carro ligeiramente acelerado, dá-se à chave do carro descarregado que deverá pegar. Convém deixar os dois carros ligados uns dois minutos e depois removem-se os cabos na ordem inversa: primeiro desliga-se o negativo e depois o positivo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;A coisa lá se fez mais ou menos desta forma e o carro voltou a dar sinais de vida, mas cuidado, avisou o vizinho, “&lt;em&gt;Se o carro descarregado se aguentar em funcionamento, é conveniente deixá-lo ligado uns 20 minutos ou meia hora, para que o alternador carregue a bateria. No entanto, o alternador necessita, geralmente, de pelo menos 2 mil rpm para ser eficiente, pelo que o ideal é ir dar uma volta com o carro.” &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Arrancámos. Passado um momento, deixei o carro ir abaixo, acidentalmente. Quase fui espancado, tive de voltar atrás, chamei de novo o vizinho, agora colérico, levei com mais reprimendas, etc. Desta vez, o automóvel ficou sem problemas. Andámos uns bons quilómetros, tratámos de tudo o que havia a tratar. No regresso, pela estrada deserta, teve uma reacção estranha. Faltava-lhe o ar, sentia fortes dores no peito, arfava. “estou a morrer, não consigo respirar, ajuda-me depressa, por favor, resolve este assunto, faz-te um homem!” Estava a ver que se finava por ali. Não é que me importasse, mas metia-me medo. E eu tinha de me fazer um homem. Por um impulso, abri o porta bagagens e tirei de lá os cabos que utilizara há pouco para ligar à bateria do automóvel do vizinho. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Para a resolução deste problema, foram necessários dois cabos de bateria e o meu carro, que tinha a bateria carregada. Depois, coloquei o meu carro de modo a que a bateria estivesse próxima do seu coração. Com o carro desligado, liguei o cabo vermelho ao seu peito (não sem antes lhe ter arrancado a parte de cima da roupa) e a outra ponta ao positivo da bateria carregada. De seguida, liguei o cabo preto ao negativo da bateria carregada e a outra ponta à terra, isto é, a uma parte do seu corpo – procurei uma parte metálica, não pintada e sem óleo e acabei por me resolver pelo seu cinto. .Com os cabos bem presos, liguei o carro, que tinha a bateria carregada e acelerei um pouco (menos do que até às 2 mil rpm). Deixei o carro ligado durante dois minutos e removi os cabos na ordem inversa: primeiro desliguei o negativo e depois o positivo.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;Passado uns minutos, melhorou, deixou de estrebuchar, as cores voltaram-lhe pouco a pouco às faces, que ficaram com um tom rosado, assemelhava-se um pouco a um suíno. Mas não estava fora de perigo. Continuei a abanar-lhe o corpo vigorosamente e andámos de um lado para o outro, sem nunca parar durante uns bons vinte minutos pela estrada, para não se ir abaixo. Recuperou e voltou ao seu estado normal, como se nada de invulgar tivesse ocorrido. Não me agradeceu, mas também não me descompôs. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;À noite, ao jantar, pagou-me a sobremesa e no dia seguinte acordou-me às 6.15. As nossas relações não se alteraram a partir daí, mas deixei de ter medo. Voltei a acordar às seis da manhã, tomo sempre um duche de água fria, que me fura os cornos e o coro cabeludo, até os cabelos fogem e caem para o ralo sujo da banheira, os ossos desfazem-se pouco a pouco, a pele fica engelhada, a tremer de uma ponta à outra. Mesmo assim, insulta-me e diz-me que gasto demasiada água. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os seus ataques tornaram-se cada vez mais frequentes e ocorrem, actualmente, a um ritmo diário. Sempre que tal acontece, olha-me suplicante, sabendo que depende de um gesto meu. (Faz-te um homem, faz-te um homem). Com o hábito, aprendi a prolongar a operação de salvamento. Descobri que é capaz de aguentar quase cinco minutos sem um carregamento de bateria. Os espasmos aumentam de intensidade e pelo corpo propagam-se lentamente umas manchas azuladas, com um tom intenso. Acaricio-lhe o cabelo e fixo-lhe as faces assustadas, que assumem uma beleza invulgar. Quando sinto que os ataques ameaçam roubar-lhe o último sopro de vida, dirijo-me em passos lentos para o carro, vou buscar os cabos e repito a mesma operação de sempre. Ligo o carro e sento-me ao volante, deixando o motor a trabalhar durante alguns minutos, enquanto fumo um cigarro e oiço a minha estação de rádio favorita. Nesses instantes, sorrio para dentro, o peito fica carregado de uma alegria transbordante e concluo que a vida não é assim tão má. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-296670559371140139?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/296670559371140139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=296670559371140139&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/296670559371140139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/296670559371140139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/03/hsc12-36-amp.html' title='HSC12 36 Amp'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-6507593519966603675</id><published>2011-03-25T13:05:00.000Z</published><updated>2011-03-25T13:06:07.985Z</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"&lt;em&gt;Todos os países tinham o seu contingente de imbecis, de sacanas e de putas. Era preciso ser um débil mental para acreditar que se passavam coisas importantes noutros lados.&lt;br /&gt;A única diversidade era a da linguagem e a única novidade era que os mesmos imbecis, sacanas e putas se exprimiam numa língua diferente. Medhat recusava-se a absolver a aberração dos que aprendiam toda a espécie de idiomas estrangeiros a fim de penetrar o sentido das mesmas palermices que podiam ouvir na sua terra, sem precisar de se deslocar e gratuitamente. Pela sua parte, nunca se sentira tentado a percorrer o planeta à procura de sensações ditas transcendentes por se situarem em hemisférios distantes.&lt;br /&gt;De que servia mudar de continente, aspirar a outros climas, se não se conseguia ver, em primeiro lugar, o que se passava à nossa volta?"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Albert Cossery – excerto de “&lt;em&gt;Un complot de saltimbanques&lt;/em&gt;” , Tradução de Ernesto Sampaio,  Edições Antígona.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-6507593519966603675?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/6507593519966603675/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=6507593519966603675&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6507593519966603675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6507593519966603675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/03/todos-os-paises-tinham-o-seu.html' title=''/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-2075363756246694655</id><published>2011-03-04T22:02:00.003Z</published><updated>2011-03-04T22:07:13.087Z</updated><title type='text'>O Ângulo oferece genuínos produtos revolucionários!</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580349117370182114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-zDmgxOiTRXo/TXFh9M-DqeI/AAAAAAAAAOw/4D3W5q8mXRM/s400/Holland-tshirts.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A organização do próximo dia 12 de Março “pede para que todas as pessoas que se decidam manifestar levem escritas numa folha A4 as razões que os levaram ao protesto para depois serem entregues na Assembleia da República”&lt;br /&gt;Boring! Qual é o interesse? Até parece que vão cantar as Janeiras de porta em porta, com uma folhinha na mão, para não se esquecerem da letra!?!&lt;br /&gt;E se houver uma rabanada de vento que leva as folhas atrás? E se chover? As folhas ficam todas empapadas. Estou mesmo a ver que, quando acabar a manif, toda a gente atira os papéis para o chão. E aqueles que deitarem os papéis para o lixo, não devem mandar para a reciclagem.&lt;br /&gt;Por isso, o Ângulo lembrou-se de fazer tshirts trendy, com uns slogans revolucionários à maneira. É mais prático, mais amigo do ambiente e mais cool. Assim, podem todos ficar com as mãos livres para carregarem o ipod. &lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enviem já as encomendas para a nossa redacção. Os primeiros 100 compradores recebem grátis uma “tshirt Lugones”.&lt;br /&gt;De que estão à espera? Peçam o dinheiro aos pais e despachem-se!&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-WsGH6YJEeNk/TXFhv5YByXI/AAAAAAAAAOo/LUwMzGjL6pk/s1600/fashion%2Btshirt.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580348888772102514" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-WsGH6YJEeNk/TXFhv5YByXI/AAAAAAAAAOo/LUwMzGjL6pk/s400/fashion%2Btshirt.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-B0Q6iXDgMnI/TXFiO1ogMfI/AAAAAAAAAO4/Zq7zSl_2SvY/s1600/fashion%2Btshirt2.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5580349420343407090" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 331px; CURSOR: hand; HEIGHT: 356px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-B0Q6iXDgMnI/TXFiO1ogMfI/AAAAAAAAAO4/Zq7zSl_2SvY/s400/fashion%2Btshirt2.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-B0Q6iXDgMnI/TXFiO1ogMfI/AAAAAAAAAO4/Zq7zSl_2SvY/s1600/fashion%2Btshirt2.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-B0Q6iXDgMnI/TXFiO1ogMfI/AAAAAAAAAO4/Zq7zSl_2SvY/s1600/fashion%2Btshirt2.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-B0Q6iXDgMnI/TXFiO1ogMfI/AAAAAAAAAO4/Zq7zSl_2SvY/s1600/fashion%2Btshirt2.bmp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-2075363756246694655?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/2075363756246694655/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=2075363756246694655&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2075363756246694655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2075363756246694655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/03/o-angulo-oferece-genuinos-produtos.html' title='O Ângulo oferece genuínos produtos revolucionários!'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zDmgxOiTRXo/TXFh9M-DqeI/AAAAAAAAAOw/4D3W5q8mXRM/s72-c/Holland-tshirts.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5623532086198671018</id><published>2011-03-03T17:04:00.002Z</published><updated>2011-03-03T17:12:32.471Z</updated><title type='text'>A juventude tem a palavra</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pQm_4PIcWrk/TW_KthL4AUI/AAAAAAAAAOY/hfuWTAped00/s1600/pedrogranger33.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5579901346686435650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 350px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-pQm_4PIcWrk/TW_KthL4AUI/AAAAAAAAAOY/hfuWTAped00/s400/pedrogranger33.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para iniciarmos o dossier dedicado à Revolta dos Precários, o Ângulo resolveu dirigir-se ao epicentro, ao âmago do problema. Para isso, nada melhor do que entrevistar um jovem português. E resolvemos entrevistar um jovem normal ou, como se diz em termos jurídicos, um “homem médio”, daqueles que se encontram na rua e se mostram muito surpreendidos quando são abordados ou aqueles que são escolhidos aleatoriamente para fazer perguntas sobre o Estado da Nação ao Professor Marcelo, no Jornal Nacional.&lt;br /&gt;Para encontrarmos um desses jovens anónimos, pedimos ajuda a Isabel Stilwell, directora do Jornal Destak, que nos indicou Bernardo Maria Espírito Santo Pinto Magalhães e Mello Teixeira Duarte, que também tem a enigmática alcunha de “Al Ganzel”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo as palavras de Isabel Stilwell, trata-se de um jovem perfeitamente normal, com os problemas e as angústias normais da gente grande acabada de chegar à idade adulta.&lt;br /&gt;Encontrámo-nos com Bernardo na sua vivenda na Quinta da Marinha, ao final da tarde.&lt;br /&gt;Ficaram desde logo à partida desfeitos alguns estereótipos referentes à chamada “Geração à Rasca” – Bernardo tem 30 e não mora com os pais, pois tem casa própria; não depende deles financeiramente e não ganha 500 euros por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bernardo vive sozinho desde os 24 anos, altura em que se tornou Administrador Executivo de uma famosa Consultora Financeira.&lt;br /&gt;Não lhe falem da letra da música dos Deolinda. Damos a palavra a Bernardo: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Acho estúpido o refrão da música que diz que eu fico a pensar bla bla mundo parvo onde para ser escravo é preciso estudar. Meus amigos, se estudam e são escravos, desculpem lá mas são mesmo parvos. Parvos porque gastam o dinheiro dos pais e dos nossos impostos a estudarem e a não aprender nada. Isso acontece porque estudam para aqueles cursos que não interessam nada, as letras e a filosofia. Depois ficam desempregados, vivem à mama dos pais e bebem copos e drogam-se. Pá, é tipo, eu também gosto de ler o tio Patinhas, o César das Neves e o José Eduardo dos Santos, aquele jornalista da RTP, mas uma coisa é ler essas cenas na praia, outras é tar a tirar cursos disso. Depois admiram-se e ainda se armam esquisitos e não querem trabalhar nos supermercados. Quando não têm qualificações para estar no mercado de trabalho. Não estudam gestão, engenharia, informática…claro, preferem os concertos, os fuminhos e os copos. Isto o mundo já se sabe, é dos que mandam e os que são mandados, andam aí com comportamentos decadentes e armam-se em queixinhas. Atenção, eu também gosto de me divertir, ainda este fim-de-semana dei um pulinho à Tailândia e bebi uns copos e coiso e tal, mas viver só disso…por isso é que o país está assim. Só se queixam.&lt;br /&gt;Eu também trabalhei quando estava na universidade, o meu pai empregou-me lá na empresa dele em part-time e pagava-me uma miséria, menos de 1.000 euros, mais a mesada. E só me comprou o BMW quando eu entrei para o segundo ano do curso” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Segundo Bernardo, os números estão do seu lado:&lt;br /&gt;“Um estudo da Universidade Católica revelou que a maioria dos licenciados não tem vontade de andar a cantar essa coisa esquerdóide dos Deolinda, sabem porquê? Porque a maioria dos licenciados ganha duas vezes mais do que a média e 80% mais do que quem tem o ensino secundário. Os meus amigos estão todos bem. A empresa de construção civil da minha namorada ganhou agora um concurso de obras públicas e o meu melhor amigo é Presidente de uma Fundação. Por isso, parem lá de ser vítimas. Os nossos pais andavam em guerra com…com…com outras pessoas e os nossos avós passavam fome. Mas não vale a pena viver no passado, como estas histórias todas que houve agora por ocasião do centenário do 25 de Abril. Vivam no presente, neste belo país!” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Mas Bernardo também confia nos benefícios de uma experiência no estrangeiro:&lt;br /&gt;“Vejam o caso do filho do D. Duarte. Ou eu, que fiz um Mestrado numa Universidade inglesa e fui colocado num escritório de uns amigos dos meus pais, numa sucursal em Singapura. Abre os horizontes, é bom”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O próprio Bernardo contribui para o avanço do país, pois tem sempre vários estagiários a trabalhar na sua empresa:&lt;br /&gt;“Só contrato os melhores e olhe que eles querem todos vir para cá. Batalham muito entre si. E nós apoiamos esse espírito competitivo, é bom. Têm de mostrar que merecem vestir a nossa camisola”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E serão bem pagos? Bernardo responde:&lt;br /&gt;“Não pagamos à maior parte dos estagiários. Mas isso é de propósito. É para formar o carácter. É como nas universidades, aqui eles são os caloiros, os bichos. Também há praxes. Mas eles gostam”.&lt;br /&gt;No final da entrevista perguntamos a Bernardo o significado da sua alcunha.&lt;br /&gt;“Al Ganzel? Ahah, isso foi quando eu fumava umas cenas malucas há uns anos, em festas nas casas dos amigos dos meus pais, lá no Egipto e na Tunísia, com o Ben Ali e esses. Bons tempos! Esta túnica que tenho na cabeça arranjei-a lá. É gira e dizem que dá efeitos terapêuticos, tipo as pulseiras do Power Balance. Ofereci uma túnica ao Santana Lopes e outra ao Chakal”. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Para terminar, perguntámos a Bernardo se ia à manifestação do dia 12.&lt;br /&gt;Ri-se.&lt;br /&gt;“Acha? Isso vai contra os meus princípios. Parece que não percebem que só há uma forma de dizer basta: passar a fazer parte da solução”&lt;br /&gt;Bernardo despediu-se, pois estava com pressa. Disse-nos que ainda tinha de passar por um Posto Médico, para arranjar um atestado e apanhar, a seguir, um avião para Angola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5623532086198671018?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5623532086198671018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5623532086198671018&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5623532086198671018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5623532086198671018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/03/juventude-tem-palavra.html' title='A juventude tem a palavra'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pQm_4PIcWrk/TW_KthL4AUI/AAAAAAAAAOY/hfuWTAped00/s72-c/pedrogranger33.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-6001255022276391588</id><published>2011-02-28T17:20:00.007Z</published><updated>2011-02-28T17:32:42.553Z</updated><title type='text'>Programa REvolucinário em Curso</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-H6DIVrF9k60/TWvZoiQ3GFI/AAAAAAAAAOQ/v6Zf9v7ouOg/s1600/baile+mÃ¡scaras2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5578791853844011090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 277px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-H6DIVrF9k60/TWvZoiQ3GFI/AAAAAAAAAOQ/v6Zf9v7ouOg/s400/baile%2Bm%25C3%25A1scaras2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Boa tarde, jovens irmãos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Como foi dito no post anterior, o Ângulo resolveu juntar-se às festividades revolucionárias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Até ao dia 12 de Março, haverá muitas novidades:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;canções revolucionárias, uma peça de teatro revolucionária, sugestões picantes revolucionárias e tantas outras coisas!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Aguardem, amiguinhos!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Um abraço fraterno do vosso querido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#ff0000;"&gt;Â&lt;span style="color:#009900;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;G&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993300;"&gt;U&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;L&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#990000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-6001255022276391588?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/6001255022276391588/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=6001255022276391588&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6001255022276391588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6001255022276391588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/02/programa-revolucinario-em-curso.html' title='Programa REvolucinário em Curso'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-H6DIVrF9k60/TWvZoiQ3GFI/AAAAAAAAAOQ/v6Zf9v7ouOg/s72-c/baile%2Bm%25C3%25A1scaras2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-489140770300120142</id><published>2011-02-28T17:08:00.003Z</published><updated>2011-02-28T17:26:30.206Z</updated><title type='text'>Arriba! Avanti!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trim Trim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Era uma chuvosa manhã de Inverno, com um leve nevoeiro e ventos a soprar de sudeste na ordem dos 15 km/hora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trim Trim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu dormia profundamente, depois de mais uma noitada de copos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trim Trim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ao prinicípio, pensei que se tratava do barulho de um comboio a apitar, mas quando o&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Trim Trim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;se transformou em&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"são horas de acordar"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;com um tom de voz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;metálico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;compreendi que se tratava de um &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#009900;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffcccc;"&gt;R&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;D&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;O&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;R&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000000;"&gt;que tentava acordar-me insistentemente,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"deixa-me em paz, pá! Ainda não dormi o suficiente", disse eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Mas estás a dormir há um mês, pelo menos", respondeu-me o despertador, naquele seu tom de voz meio metálico meio fanhoso, meio arrastado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"deixa-me dormir mais um mês, pelo menos", respondi-lhe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"não pode ser, há uma Revolução em curso, uma grande manif no dia 12 de Março, as pessoas andam o mobilizar-se todas, a cantar letras de guerra, a juntar-se em redes sociais, a fazer coisas. Tens de agir!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"Está bem. Deixa-me dormir mais 15 dias", retorqui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Mas o despertador começou a cantar desafinadamente uma música revolucionária, uma letra que falava de escravos e licenciados e deixei de conseguir dormir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;E é assim que chegamos ao&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;MÊS REVOLUCIONÁRIO DO ÂNGULO&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-489140770300120142?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/489140770300120142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=489140770300120142&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/489140770300120142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/489140770300120142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/02/arriba-avanti.html' title='Arriba! Avanti!'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-4867620632830828466</id><published>2011-01-31T17:00:00.002Z</published><updated>2011-01-31T17:05:32.648Z</updated><title type='text'>Actualidades Nacionais</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foi com “forte indignação” que o Bloco de Esquerda (BE) tomou conhecimento do novo Decreto-Lei do Governo, que propõe, entre outras medidas de excepção, fazer cortes, na ordem dos 8%, à atribuição de suicídios para o 2º Trimestre de 2011.&lt;br /&gt;“É inaceitável e escandaloso”, afirmou, em comunicado, a Direcção do BE. Num momento em que há 300 mil pessoas sem qualquer protecção social, e um aumento crescente de desemprego, o Governo deveria assumir as suas responsabilidades, e incentivar a população na prossecução rápida do suicídio, de preferência, em massa”.&lt;br /&gt;O Governo já respondeu às críticas, numa nota enviada às redacções dos jornais, esclarecendo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ao contrário do que tem sido divulgado na Comunicação Social, ao longo do dia, não é verdade que o novo Decreto-Lei faça cortes indiscriminados na atribuição de suicídios. Há, pelo contrário, um incentivo para o aumento dos suicídios na faixa etária correspondente aos maiores de 65 anos. O Governo faculta-lhes meios próprios; para além disso, através de um Protocolo assinado com diversas funerárias, garante aos interessados um abatimento do IVA, no preço dos caixões, na ordem dos 2%. Foram igualmente assinados acordos com três companhias aéreas, que permitirá que os interessados, caso assim o queiram, possam espalhar as suas cinzas em 25 cidades do mundo inteiro, à sua escolha. As cinzas dos defuntos não têm de pagar bilhete completo e poderão viajar em primeira classe, com todos os requintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá, contudo, um corte na atribuição de suicídios aos jovens com idade até 35 anos, a menos que estes expliquem, através de um questionário que estará disponível no site do Ministério da Educação, que não se estão a suicidar devido a um protesto específico contra este Governo em concreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos casos em que haja fundadas dúvidas sobre as motivações suicidas dos jovens (e há que ter especial atenção para os jovens com comportamentos desviantes -como aqueles que vivem à custa de precárias bolsas de estudo, ou que aufiram rendimentos médios abaixo dos salário mínimo – ou seja, todos os jovens que não sejam futebolistas), haverá sempre uma solução:&lt;br /&gt;O homicídio a pedido da vítima (Código Penal, artigo 134º).&lt;br /&gt;Nestas situações, os jovens serão ajudados por cidadãos que já estejam a cumprir pena de prisão, e que os assassinarão, após o preenchimento de um impresso, onde o interessado terá de escrever: “matem-me, por favor”.&lt;br /&gt;Os cidadãos que praticarem o homicídio a pedido da vítima terão uma redução da sua pena.&lt;br /&gt;O homicídio a pedido da vítima não contará para as estatísticas dos óbitos nacionais como um voto de protesto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CDS já aplaudiu as novas medidas. Nas palavras de um Deputado da Bancada Parlamentar, a nova Legislação, embora algo demagógica e tímida, dá um passo em frente na protecção dos direitos dos velhinhos reformados.&lt;br /&gt;A Igreja Católica também acolhe as novas medidas com simpatia. Nas palavras de um Bispo, que preferiu manter o anonimato, “todas as medidas que combatam o suicídio são do nosso agrado. No caso de ter de se recorrer ao homicídio a pedido da vítima, que este seja praticado por pessoas já condenadas ao fogo dos infernos, tal como os homossexuais, ou aqueles que não coloquem nas varandas um porta estandarte do Menino Jesus”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-4867620632830828466?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/4867620632830828466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=4867620632830828466&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4867620632830828466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4867620632830828466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2011/01/foi-com-forte-indignacao-que-o-bloco-de.html' title='Actualidades Nacionais'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-324504377068845394</id><published>2010-12-24T17:56:00.004Z</published><updated>2010-12-24T18:06:57.931Z</updated><title type='text'>Um Santo Natal com um pequeno aviso pelo meio</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Amigos Cibernautas:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Queria desejar-vos um Santo Natal, com tudo de bom e do melhor para vós, para os vossos entes queridos, amigos de entes queridos e amigos de facebook.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já que estou a escrever este texto, aproveito para vos dizer que os primeiros 100 felizes compradores do meu livro terão direito a um bonito estandarte do Menino Lugones, que poderão pendurar nas janelas, em sinal de devoção e promoção do seu autor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Também sairão tshirts, canecas, porta-chaves e rolos de papel higiénico com a efígie deste vosso escriba.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aguardem novidades no&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TRThC-lsvbI/AAAAAAAAAOA/4VGFYbWq-qI/s1600/estandarte+menino+jesus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5554311681731771826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TRThC-lsvbI/AAAAAAAAAOA/4VGFYbWq-qI/s400/estandarte%2Bmenino%2Bjesus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;s próximos meses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até lá, um grande bem-haja, da parte deste humilde filho de Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-324504377068845394?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/324504377068845394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=324504377068845394&amp;isPopup=true' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/324504377068845394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/324504377068845394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/12/um-santo-natal-com-um-pequeno-aviso.html' title='Um Santo Natal com um pequeno aviso pelo meio'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TRThC-lsvbI/AAAAAAAAAOA/4VGFYbWq-qI/s72-c/estandarte%2Bmenino%2Bjesus.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5805478429751832836</id><published>2010-12-21T20:35:00.007Z</published><updated>2010-12-21T21:52:49.620Z</updated><title type='text'>Novidades Literárias</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pois é, parece que a edição do meu livro de contos vai mesmo avante. Após uma série de reuniões e de trocas de mails com a Direcção da Editora, que se revelaram muito animadores e construtivos, estou em condições de vos avançar que o livro sairá num dos primeiros seis meses de 2011.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os contos que eu enviei serão publicados na íntegra, sem qualquer censura. Os meus editores sugeriram, contudo, umas pequenas alterações minimais, que não mudarão, em nada, o seu sentido. Eu acolhi-as com agrado, pois parece-me que eles ficaram bem melhores, com estas trocas microscópicas de palavras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;As ilustrações traduzirão, com sagueza e perspicácia, o espírito de cada um dos contos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Para vos aguçar o apetite, mostro-vos agora, queridos leitores, e em primeiríssima mão, uns dos textos que farão parte do livro. Chama-se "a minha inércia explicada às crianças ", e já foi publicado neste blog, no distante dia 1 de Maio de 2006:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://angulosaxofonico.blogspot.com/search?q=a+minha+in%C3%A9rcia+explicada+%C3%A0s+crian%C3%A7as"&gt;http://angulosaxofonico.blogspot.com/search?q=a+minha+in%C3%A9rcia+explicada+%C3%A0s+crian%C3%&lt;/a&gt;&lt;a href="http://angulosaxofonico.blogspot.com/search?q=a+minha+in%C3%A9rcia+explicada+%C3%A0s+crian%C3%A7as"&gt;A7as&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Como poderão ter ocasião de ver, este texto contém minusculíssimas diferenças em relação ao primeiro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A ilustração, belíssima, parece um espelho da minha alma, tal é a forma como reflecte, de forma cabal, o que eu pensava, quando escrevi aquelas linhas, há quatro anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;strong&gt;A INÉRCIA EXPLICADA ÀS CRIANÇAS (VERSÃO 2011)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TREhaX9xriI/AAAAAAAAANw/3x83Y3gXuz4/s1600/happy%2Bworker.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553256552517971490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 271px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TREhaX9xriI/AAAAAAAAANw/3x83Y3gXuz4/s400/happy%2Bworker.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Durante os dias, não encosto os braços, talvez por fervor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Deixo-os crescer, endurecer ao sol,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;para que aos outros façam sombra -&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;- Àqueles, que só querem descansar!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5805478429751832836?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5805478429751832836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5805478429751832836&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5805478429751832836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5805478429751832836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/12/novidades-literarias.html' title='Novidades Literárias'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TREhaX9xriI/AAAAAAAAANw/3x83Y3gXuz4/s72-c/happy%2Bworker.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-820737564215667289</id><published>2010-11-26T17:01:00.005Z</published><updated>2010-12-01T14:20:23.149Z</updated><title type='text'>L. Lugones, NIF 197 906 024, representante da Fazenda Pública (delegação de competências feita pelo despacho 2240/2009) vem apresentar o seu conto</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Já se passaram alguns meses desde que entrei para a Fazenda Pública, e as pessoas dizem-me, com frequência, que mudei um pouco o meu comportamento.&lt;br /&gt;Isso irrita-me, pois sei que tal não corresponde, de todo, à verdade.&lt;br /&gt;Ainda no outro dia, a minha amiga Ana Brandão Silva Pereira, com NIF nº 143 697 436, e que vive em união de facto desde Janeiro de 2006, embora só tenha declarado às finanças a mudança do seu domicílio fiscal em 1/10/2008, disse-me que estou a ficar um pouco afectado com o meu trabalho.&lt;br /&gt;“Um pouco afectado, como?”, perguntei-lhe.&lt;br /&gt;“Não te sei explicar bem, mas o Zé Pedro acha a mesma coisa.&lt;br /&gt;“Oh, o Zé Pedro….”, respondi-lhe….o Zé Pedro Cruz Sobral, NIF nº 123 732 987, separado desde 2004, mas que continuou, durante dois anos, a fazer a entrega da sua declaração de IRS em conjunto com a Marta Fonseca Alves Caneças, NIF nº112 564 728, “o Zé Pedro, que se meta na sua vida, ele que tenha mas é cuidado com a sua empresa, a Construvidal, Lda, NIF nº 506 434 521, apesar de a empresa ter deixado de laborar, não quer dizer que não tenha de fazer a entrega periódica de declarações de IRC, ele não tem moral para falar dos meus problemas, ainda outro dia o vi a entrar na tasca do Manel, mesmo sabendo que o Manel não entrega as facturas, para efeitos de IVA…o Zé Pedro, que vá mas é dar uma volta, esse madraço…”&lt;br /&gt;A Ana Brandão Silva Pereira não insistiu, e eu não voltei à conversa.&lt;br /&gt;Por um lado, compreendo a sua aflição e, no fundo, a Ana deve estar a atirar as culpas para cima dos outros, sei que ela está preocupada com a família, o pai dela, o António José Silva Pereira, NIF nº 118 746 243 tem 5 processos executivos a correrem contra ele, sem contar com os apensos, e andam a penhorar-lhe o salário. Nem percebo bem porquê, até porque ele tem um belo imóvel sito na Rua dos Combatentes, nº14, R/C, que podia ser vendido, em hasta pública, para pagar as dívidas, que ascendem aos €:5.432,98, sem contar com juros.&lt;br /&gt;Mas eu não tenho culpa dos problemas dos outros, até porque esses assuntos não me interessam. Já se passaram alguns meses desde que entrei para a Fazenda Pública, mas não mudei o meu comportamento. De resto, irritam-me aquelas pessoas que são afectadas, de tal, forma, pelo meio que as rodeia, que passam a falar sempre dos mesmos assuntos, dos colegas de trabalho, do trabalho que têm de fazer, das músicas que ouvem no trabalho…&lt;br /&gt;Enfim, deixemo-nos de conversas, e falemos do que interessa: Literatura.&lt;br /&gt;A propósito, tenho de telefonar ao Algazel, NIF 198 303 017, notei uma irregularidade na sua situação fiscal, ele ainda não comunicou às finanças o seu falecimento, que ocorreu há alguns anos, por alturas do último post que escreveu. Até compreendo a sua situação, pois analisei as suas declarações de entrega de IRS e…&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-820737564215667289?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/820737564215667289/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=820737564215667289&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/820737564215667289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/820737564215667289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/11/l-lugones-nif-197-906-024-representante.html' title='L. Lugones, NIF 197 906 024, representante da Fazenda Pública (delegação de competências feita pelo despacho 2240/2009) vem apresentar o seu conto'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-5160671830937154810</id><published>2010-10-28T22:49:00.001+01:00</published><updated>2010-10-28T22:53:14.207+01:00</updated><title type='text'>Um Dia Normal de Trabalho na Função Pública</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Disse-me o Romualdo:&lt;br /&gt;Foi assim: ontem apareceu, lá no Edifício, o José Alegre e Silva, deves saber de quem se trata, é o principal arguido daquele processo das “Mãos de Tesoura Sujas”, aquele sucateiro que também é Presidente de Câmara. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ora, o José Alegre e Silva, o sucateiro, Presidente de Câmara, e que também é Magistrado, apareceu-me lá no Edifício, e perguntou-me o sucateiro José Alegre e Silva, aquele que é Magistrado, Presidente de Câmara e Presidente de uma Fundação de Interesse Público, se eu não estaria interessado em dar um sumiço no dossier das “Mãos de Tesoura Sujas”, fazê-lo desaparecer da vista de todos, porque, como sabes, longe da vista, longe do coração, e o José Alegre e Silva, sucateiro, Magistrado, e Presidente de Fundação, também é dono de um Hospital, mas a idade já não lhe perdoa os esforços, e aquele coração está a dar as últimas, já não consegue sobreviver a grandes apertos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Propôs-me pagar 300 mil euros, limpos, livres de impostos e retenções na fonte, em troca da amputação das Mão de Tesoura Sujas, mas eu mandei-o embora, indignado, sou um gajo honesto, porra, fechei-lhe a porta na cara, e pus-me a trabalhar com afinco naquele maldito Processo, com tanto afinco que resolvi fazer horas extraordinárias, ou seja, continuei a trabalhar para lá das 4 horas da tarde, que é aquele momento em que todos os meus colegas trocam mensagens no Facebook, e se preparam para ir para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 5 da tarde já só restava eu no Edifício, fiquei cheio de fome e fui buscar um iogurte líquido, daqueles com sabor a chili, banana, e cocktail de camarão.&lt;br /&gt;O problema é que não me entendo com a abertura fácil daquelas tampas, e fiz tanta força para abrir aquilo, que a tampa da embalagem acabou, realmente, por abrir, mas o iogurte saiu todo, num violento jacto, directamente para cima do dossier das mãos sujas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei dar um jeito naquela confusão, fui à casa de banho, abri as torneiras do lavatório, e molhei vários bocados de papel higiénico, para tentar limpar o dossier, mas o papel higiénico colou-se ao iogurte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, tentei arrancar o papel higiénico, mas fiz essa operação com tanto vigor, que quando o papel higiénico saiu, de facto, de cima do dossier das “Mãos de Tesoura Sujas”, levou com ele, atrás, metade das folhas, incluindo aquelas onde constava toda a Investigação Criminal, a tal que demorou cinco anos a ser realizada, e que incriminava o sucateiro José Alegre e Silva, Engenheiro de profissão, Presidente de Hospital, e de uma Fundação, e que neste momento passa mal com tanta aflição no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei em choque, e um tanto ou quanto nervoso. Ainda pensei em dizer ao Chefe, como desculpa: a culpa foi do gato, ele é que derrubou o Iogurte.&lt;br /&gt;Mas depois lembrei-me que não havia gatos no Edifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irritei-me, e atirei, com toda a minha força, o rádio ao chão, aquele rádio que todos os nossos colegas ligam, a todas as horas do dia, para meter na música do waka waka, ou do wegue wegue, ou naquela do cantor dos Pólo Norte, que pede que lhe dêem um abraço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Restava-me, apenas, uma solução: telefonei ao José Alegre e Silva, que se prontificou a aparecer, o mais depressa possível, no Edifício. Demoraria cerca de meia hora, era só o tempo de fazer a sua rubrica de Comentários Políticos na Televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi-lhe para que fingisse que houvera um assalto. Por isso, disse-lhe para roubar vários Processos – seria demasiado suspeito que desaparecesse, apenas, o “Mãos de Tesoura Sujas”.&lt;br /&gt;Fui para casa, a tempo de ver o resumo diário do programa da Casa dos Segredos, que passa na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí a pouco, liga-me o José Alegre e Silva, e diz-me que deu sumiço ao “Mãos de Tesoura Sujas”, e a quase todos os outros Processos que se encontravam no Edifício.&lt;br /&gt;Mas acrescentou o José Alegre e Silva, sucateiro, Presidente de Clubes, Fundações e Hospitais, Comentador, e insigne benemérito da Sociedade Civil:&lt;br /&gt;“Não posso deixar de dizer que há uma inundação no Edifício. Alguém se esqueceu de fechar as torneiras do lavatório da casa de banho, a água transbordou, e alagou todas as salas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, tinha sido eu, com aquelas pressas, e com a mania de consertar tudo da pior forma possível, a abrir a torneira, quando tentei limpar o dossier das mãos de tesoura sujas com papel higiénico, e com água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescentou o José Alegre e Silva, o tal que é sucateiro:&lt;br /&gt;“Não posso deixar de dizer que há um incêndio no Edifício, provocado por um curto-circuito, que teve origem na queda de um rádio portátil. E, por estranho que pareça, no meio daquele terrível incêndio, e daquela inundação, o rádio ainda tocava o waka waka”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente, tinha sido eu, com aquelas fúrias ridículas, e com a mania de desconsertar tudo da pior forma possível, a atirar o rádio ao chão, quando me irritei, já nem me lembro bem porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Edifício estava irremediavelmente destruído. Ainda pensei em dizer ao Chefe, como desculpa: a culpa foi do gato, ele é que partiu tudo, quando ia atrás de uma mosca.&lt;br /&gt;Mas depois lembrei-me que não havia gatos no Edifício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi ao José Alegre e Silva, já que ele é sucateiro, e empreiteiro, que dinamitasse o que restava do Edifício, assim, ainda poderiam pensar que se tinha tratado de um sismo ultra localizado, que destruíra apenas a Sede da Direcção de Finanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim. Agora, já sabes porque é que metade da cidade está destruída. Eu e o José Alegre e Silva chegámos à conclusão de que seria muito suspeito desaparecer, apenas, o nosso Edifício, e a investigação seguiria, provavelmente, o rasto do caso das “Mãos de Tesoura Sujas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que raio de história”, respondi ao Romualdo. Mas até foi bom ter acontecido isto. Eu estava às voltas com um Processo, e não estava a conseguir concluir uma Contestação. E foi bom para ti, Romualdo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Porque é que foi bom para mim?”, perguntou-me o Romualdo.&lt;br /&gt;“Ora, sempre ganhaste os 300 mil euros. Afinal, deste sumiço ao Processo Mãos Sujas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E disse-me o Romualdo:&lt;br /&gt;“Estás parvo, Lugones? Eu sou um gajo honesto, porra! Achas que ia aceitar aquele dinheiro das Mãos de Tesoura Sujas?”&lt;br /&gt;“Desculpa, pá, tens razão”, respondi-lhe. “Olha, vou ali ao balcão pedir o pequeno-almoço. O que vais tomar?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me o Romualdo:&lt;br /&gt;“Pode ser um iogurte líquido, daqueles com sabor a chili, banana, e cocktail de camarão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-5160671830937154810?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/5160671830937154810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=5160671830937154810&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5160671830937154810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/5160671830937154810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/10/um-dia-normal-de-trabalho-na-funcao.html' title='Um Dia Normal de Trabalho na Função Pública'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-2640116804246929430</id><published>2010-09-15T16:19:00.003+01:00</published><updated>2010-09-15T16:22:32.531+01:00</updated><title type='text'>Diário de um Funcionário Público: o Meu Colega Romualdo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os meus colegas da Direcção-Geral de Impostos são muito simpáticos. Hoje, fui almoçar com um deles, que trabalha noutro Departamento, nas Execuções Fiscais. Chama-se Romualdo Castelo. Mudou de emprego há dois meses. Não percebi bem onde trabalhava antes, mas viveu momentos dramáticos. Eis o que o Romualdo me contou:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;“Ganhava bastante bem, e tinha um bom Gabinete. Partilhava a sala com uma colega, a Joaninha. Percebi, logo no primeiro dia, que ela era irritantemente prestável.&lt;br /&gt;“Estou com fome”, disse-lhe, a meio da manhã.&lt;br /&gt;Ela atirou-me um pacote de bolachas Maria:&lt;br /&gt;- Podes comê-las todas, se quiseres. Eu tenho mais cinco pacotes&lt;br /&gt;Para ser simpático, agradeci-lhe, sorrindo, e comi uma bolacha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, ficou imensamente satisfeita por me ter sido prestável. Por isso, atirou-me com outro pacote de bolachas Maria, com um pacote de barras de cereal, com cinco diferentes tipos de peças de fruta, e com doze tipos diferentes de sandes.&lt;br /&gt;- Podes comer o que quiseres!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeci-lhe, sorrindo, e peguei nas cerejas.&lt;br /&gt;A minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, ofereceu-se logo para me descascar as cerejas, e para tirar os caroços.&lt;br /&gt;Agradeci-lhe, sorrindo.&lt;br /&gt;Depois, como não havia caixote do lixo, a minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, engoliu os caroços, com um sorriso.&lt;br /&gt;Eu disse-lhe:&lt;br /&gt;- Agora, o que me apetecia mesmo, era um belo de um cigarrinho. Mas não tenho nenhum aqui comigo…&lt;br /&gt;A minha colega de trabalhou exclamou logo:&lt;br /&gt;- Toma um dos meus. Se não quiseres estes, tenho cigarros de outras marcas – Marlboro, Camel, John Player Special, Português Suave, Ritz e Lucky Strike. Tenho dos normais, e dos Light.&lt;br /&gt;“Ah, não”, disse-lhe eu, para fazer pirraça. Só fumo cigarros vindos da zona da fronteira Paris/China.&lt;br /&gt;A minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, ficou a pensar, durante uns segundos, e respondeu:&lt;br /&gt;- Tenho uma amiga, a Siang Mae, que mora para esses lados. Vou-lhe telefonar agora.&lt;br /&gt;Pegou no telemóvel, e marcou um número:&lt;br /&gt;- Estou sim, Siang Mae? Podias trazer-me uns cigarros, aqui ao trabalho? Eu sei que estás a 10.000 quilómetros de distância, mas eu pago-te o avião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, lá apareceu a Siang Mae, com vinte maços de cigarros da zona Paris/China.&lt;br /&gt;Eu disse-lhe:&lt;br /&gt;- Muito obrigado, mas agora apetecia-me um charuto cubano.&lt;br /&gt;A minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, ficou a pensar, durante uns segundos, e respondeu:&lt;br /&gt;- Tenho um amigo, o Fidel, que mora para esses lados. Vou-lhe telefonar agora.&lt;br /&gt;No dia seguinte, enquanto dava umas baforadas no charuto cubano, perguntei à minha colega:&lt;br /&gt;- Quanto é que te devo?&lt;br /&gt;E a minha colega, que era irritantemente prestável, respondeu:&lt;br /&gt;- Não é nada, que disparate!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha uma leve dor de cabeça, a minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, arranjava-me aspirinas, ou outros cinco tipos diferentes de medicamentos.&lt;br /&gt;Se não me apetecia acabar um Processo, passava-lho para as mãos. Ela terminava-o em meio tempo, e acabava todos os meus outros Processos, e fazia apontamentos explicativos, em cada um deles, com toda a legislação aplicável, e os Acórdãos aplicáveis ao longo de todos os tempos, sobre cada um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha colega, que era irritantemente prestável, tinha amigos em todos os tipos de profissão, em todos os estratos sociais, e em todos os cantos do globo.&lt;br /&gt;Quando falei do meu interesse em comprar uma casa, ela prontificou-se a ajudar, e meteu-me em contacto com dez amigos diferentes, que tinham casas fantásticas para arrendar, e para vender, já totalmente mobiladas, e situadas em óptimos locais, mesmo no centro de qualquer cidade do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudei-me para uma dessas casas. Os meus vizinhos, que também eram amigos da minha colega irritantemente prestável, eram igualmente irritantemente prestáveis, e tocavam-me à porta, a toda a hora, e perguntavam-se se tinha fome, se precisava de almoço, jantar, ou lanche, ou se precisava que me passassem a roupa a ferro.&lt;br /&gt;Os donos dos restaurantes ao pé de minha casa eram igualmente prestáveis, e ofereciam-me refeições de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha colega irritantemente prestável perguntava-me sempre, logo pela manhã, depois de me ter oferecido mais um pacote de bolachas Maria, se eu estava satisfeito.&lt;br /&gt;“Nem por isso”, respondia, mal-humorado. “O Sporting perdeu, pela 5ª vez consecutiva”.&lt;br /&gt;E a minha colega, que era irritantemente prestável, dizia-me que era amiga dos presidentes de todas as Ligas de Clubes do mundo, era madrinha de casamento dos Presidentes dos clubes rivais, e podia fazer alguma coisa por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sporting começou a ganhar.&lt;br /&gt;A minha amiga, que era irritantemente prestável, perguntava-me, logo depois de me oferecer outro pacote de bolachas Maria, se eu estava mais satisfeito, e eu respondia que sim, mas que estaria ainda mais satisfeito se o Sporting começasse a ganhar sempre por 7-0, e não pela magra vantagem de um ou dois golos, e a minha amiga irritantemente prestável logo disse que podia fazer algo por isso, e o Sporting começou a ganhar por 10-0 todos os jogos, até que me cansei de ver futebol, e ligava a televisão para as notícias, e era sempre a mesma coisa, incêndios de verão, e mais incêndios de verão, até que a minha amiga, que era irritantemente prestável, vendo que eu me aborrecia com a programação, quis fazer alguma coisa pelo assunto, não acabou com os incêndios de verão, mas disse que era amiga dos Directores das Televisões, e os Directores das Televisões, que eram igualmente irritantemente prestáveis, tocavam-me à porta, e perguntavam que programas queria eu ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passado uns tempos, comia de graça, via os programas que queria, não necessitava de trabalhar, mas sentia-me cada vez mais irritado sempre que a minha colega, que era irritantemente prestável, me atirava, logo de manhã, com um pacote de bolachas Maria, e me perguntava como estava, como me sentia, e eu suspirava, e a minha colega de trabalho, que era irritante prestável, suspirava também, e nada me dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que, farto da situação, pedi à minha colega de trabalho irritantemente prestável que se atirasse para uma linha de comboio.&lt;br /&gt;A minha colega, que era irritantemente prestável, respondeu-me, com um sorriso:&lt;br /&gt;“Claro que me atiro! Tenho um amigo, que conduz TGV’s, e que pode passar por cima de mim”.&lt;br /&gt;A minha amiga, que era irritantemente prestável, pediu para que lhe passassem por cima com 10 diferentes tipos de comboios, e pediu a 15 amigos, que conduziam aviões, que se espetassem contra o que restasse do seu irritantemente prestável corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante uns tempos, não comi de graça, deixei de fumar charutos cubanos, e até trabalhei um pouco.&lt;br /&gt;Até que uma noite, enquanto tentava adormecer, alguém me perguntou:&lt;br /&gt;- Não tens sono? Se quiseres, arranjo-te 20 diferentes tipos de comprimidos para dormir.&lt;br /&gt;Sobressaltei-me. A voz respondeu-me:&lt;br /&gt;- Não te assustes. Sou eu.&lt;br /&gt;Era o fantasma da minha colega irritantemente prestável.&lt;br /&gt;Ela disse-me:&lt;br /&gt;-Tens insónias? Estás preocupado com algum assunto? Se estiveres com medo da morte, não te rales. Desde o meu triste falecimento, travei amizade com Deus, a Nossa Senhora, o menino Jesus, os anjos, os arcanjos, os pastorinhos, e com o Papa João Paulo II. Já tratei de tudo. Quando morreres, vais para uma nuvem-condomínio-fechado. Eu estarei perto de ti, até ao fim da Eternidade, caso precises de alguma coisa.&lt;br /&gt;E atirou-me com um pacote de bolachas Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos meses seguintes, estive sempre bem acompanhado, no trabalho.&lt;br /&gt;Não cabíamos todos lá dentro, só existia uma mesa, e na sala só havia duas cadeiras. Eu sentava-me numa delas. À minha direita, sentava-se Deus-Pai.&lt;br /&gt;A Nossa Senhora levava-me o café. O Papa João Paulo II trazia-me os jornais desportivos, tabaco, e embalagens de preservativos. A minha colega de trabalho, irritantemente prestável, andava sempre à volta, atirava-me pacotes de bolachas Maria, e supervisionava os seus novos amigos, para que não me faltasse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janela da sala dava para o rio. Lá fora, Jesus Cristo, que não cabia dentro do meu gabinete, porque não havia cadeiras para se sentar à direita do Pai, fazia os possíveis para me entreter. Andava sobre a água, e fazia milagres muito engraçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a minha vida tornava-se cada vez mais insuportável, e os meus assistentes ficavam tristes, sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;Todos os dias, repetia-se o mesmo ritual: a minha colega, que era irritantemente prestável, atirava-me, às 10.30, em ponto, um pacote de bolachas Maria: &lt;br /&gt; -Podes comê-las todas, se quiseres. Eu tenho mais cinco pacotes.&lt;br /&gt;Agradecia-lhe, fazendo um sorriso forçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei farto da situação, e despedi-me. Procurei vários tipos de trabalho, fui traficante de droga, e proxeneta. Mas a minha colega de trabalho, que era irritantemente prestável, aparecia, todas as manhãs, com o seu séquito de amigos prestáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que me mudei para aqui.&lt;br /&gt;A minha colega é irritantemente prestável, mas tem limites. Nem ela, nem os anjos, ou os arcanjos se atrevem a entrar na Direcção-Geral de Impostos, muito menos, nas Execuções Fiscais.&lt;br /&gt;Hipotequei as minhas esperanças de ter uma bela vida Eterna, e Deus-Pai deixou de se sentar à minha direita.&lt;br /&gt;Mas eu não tinha outra opção.&lt;br /&gt;Sempre odiei bolachas Maria.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa acabou aí. Levantámo-nos, e quando eu fiz menção de pagar o almoço, o Romualdo Castelo adiantou-se, e pagou a conta toda, incluindo os queijinhos frescos, que nem sequer provei.&lt;br /&gt;Gosto dele, é bastante prestável.&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-2640116804246929430?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/2640116804246929430/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=2640116804246929430&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2640116804246929430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2640116804246929430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/09/diario-de-um-funcionario-publico-o-meu.html' title='Diário de um Funcionário Público: o Meu Colega Romualdo'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-9044834659189592339</id><published>2010-09-14T19:59:00.004+01:00</published><updated>2010-09-14T20:45:30.455+01:00</updated><title type='text'>As Crónicas da Fazenda Pública</title><content type='html'>&lt;div&gt;A&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; minha caixa de emails tem estado sempre cheia, desde que anunciei, ao meu círculo de conhecidos, que tinha começado a trabalhar para a Direcção-Geral de Impostos, mais precisamente, para a Fazenda Pública.&lt;br /&gt;Todos se mostraram preocupados, pensavam que eu não teria tempo, ou paciência para actualizar os posts, com a regularidade devida.&lt;br /&gt;Sosseguei-os. Disse-lhes que iria continuar a escrever as coisas do costume.&lt;br /&gt;Todos se mostraram preocupados, aconselharam-me a mudar a temática dos textos.&lt;br /&gt;Pedi-lhes para me darem sugestões. As respostas não tardaram. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TI_QayZoKfI/AAAAAAAAANg/dCCCdmHUQDM/s1600/publicidade.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5516857227176585714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 321px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TI_QayZoKfI/AAAAAAAAANg/dCCCdmHUQDM/s400/publicidade.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Segundo a opinião de 100% dos leitores, terei de começar a debruçar-me sobre temas mais práticos, e fazer posts a explicar como se preenchem declarações de IRS e de IRC, como se deve fugir ao pagamento do IVA, ou de IMI, ou IMT, ou como se apaga do sistema informático do Estado todas as referências a processos que envolvam penhoras ou hipotecas.&lt;br /&gt;Não posso aceder a todos esses pedidos. Contudo, escreverei, a partir de agora, um conjunto de notas pessoais, que versarão sobre o meu dia-a-dia no maravilhoso mundo da Função Pública.&lt;br /&gt;Até lá, despeço-me, com os melhores cumprimentos&lt;br /&gt;O amigo ao dispor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L.Lugones&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Representante da Fazenda Pública) &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-9044834659189592339?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/9044834659189592339/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=9044834659189592339&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/9044834659189592339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/9044834659189592339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/09/as-cronicas-da-fazenda-publica.html' title='As Crónicas da Fazenda Pública'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/TI_QayZoKfI/AAAAAAAAANg/dCCCdmHUQDM/s72-c/publicidade.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-4453966363148890757</id><published>2010-08-31T00:16:00.002+01:00</published><updated>2010-08-31T00:28:16.014+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;«After listening one evening to a tale about a journey through the Alps, Mendelssohn tells us, he had a strange dream. He dreamt that he too was travelling through the Alps, and that he had the aid of two guides. One guide was a Swiss rustic, who was strong and robust, but who had no subtle intellect; the other was an angel, who was gaunt and delicate, introspective and morbid. The guides came to a crossroads and went off in opposite directions, leaving the poor Moses standing there completely confused. But he was soon rescued by the arrival of an elderly matron, who assured him that he would soon know his way. The matron revealed the identity of his two guides. The rustic went by the name of “common sense” (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gemeinsinn&lt;/span&gt;), and the angel by the name of “contemplation” (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Beschauung&lt;/span&gt;). She told him that it often happens that these characters disagree with each other and go off in opposite directions. But, she consoled him, they eventually return to the crossroads to have their conflicts settled by her. “So who are you?” Mendelssohn asked the matron. She said that on earth she went by the name of “reason” (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vernunft&lt;/span&gt;), while in heaven she was called… At this point their conversation was interrupted by the arrival of a fanatical horde who had rallied around the angel of contemplation and who were threatening to overpower common sense and reason. They attacked with horrible screams. Mendelssohn then woke up in terror.»&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;(in Frederick C. Beiser,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; The Fate of Reason&lt;/span&gt;, 1987)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-4453966363148890757?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/4453966363148890757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=4453966363148890757&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4453966363148890757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/4453966363148890757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/08/after-listening-one-evening-to-tale.html' title=''/><author><name>Boécio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03039340016998110801</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://www.stfrancis.edu/ph/hauser/boethius/boethius3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-534457999205532017</id><published>2010-08-25T19:00:00.008+01:00</published><updated>2010-08-25T19:24:12.624+01:00</updated><title type='text'>Medidas de prevenção contra a queda de meteoritos</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os meteoritos são fragmentos de materiais que vagueiam no espaço, e que alcançam a superfície da Terra. Ao contrário dos meteoros, os meteoritos não são completamente consumidos pelo fogo decorrente do atrito da atmosfera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto quer dizer que atingem o solo, e que podem causar danos das mais variadas espécies.&lt;br /&gt;Alguns meteoritos atingem bens, pessoas e animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este ano, na Austrália, um meteorito furou o telhado de uma casa e embateu num sofá, onde uma senhora tinha estado a descansar, uns minutos antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, um jovem alemão foi atingido na mão, por um meteorito do tamanho de uma ervilha, e que caiu a mais de 40 mil quilómetros por hora. Sobreviveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1980, um meteorito caiu sobre o Cadillac de Mary Shepard, que se encontrava estacionado em frente à casa desta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quedas dos meteoritos são perfeitamente aleatórias, no tempo e no espaço.&lt;br /&gt;Tal como ocorre com outros desastres naturais (como os sismos, os tufões, as enxurradas na Madeira, a queda de palmeiras durante comícios políticos, ou choques em cadeia entre carros que circulam a 180km/hora, em auto-estradas, em dias de nevoeiro, e chuva intensa,), é extremamente difícil prever a queda de um meteorito. Mas existem vários comportamentos que, a ser seguidos, poderão ser bastantes úteis, caso estejamos perante este fenómeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;1 – Medidas de Prevenção Contra Meteoritos:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVbBaBXtrI/AAAAAAAAANA/i-g4tjRij34/s1600/asterix.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509409798880736946" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVbBaBXtrI/AAAAAAAAANA/i-g4tjRij34/s400/asterix.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;a) &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Identificação de zonas de elevado risco meteorítico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sabia que mais de 70 por cento dos meteoritos colidem nos oceanos e, por isso, nunca são recuperados?&lt;br /&gt;Por isso, se não quiser levar com um meteorito em cima da cabeça, deverá afastar-se, o mais possível, dos oceanos.&lt;br /&gt;Caso não o possa evitar, tente manter-se, o mínimo de tempo possível, dentro de água.&lt;br /&gt;Se um indivíduo quiser ir, por exemplo, de Portugal para os Estados Unidos, deve atravessar toda a Ásia, até chegar à Kamchatka. Daí, atravessa o Estreito de Bering (que não é um Oceano, é um Estreito, como o nome indica), até ao Alaska. Depois, percorre o caminho que falta, até aos Estados Unidos.&lt;br /&gt;Se quiser ir ao Brasil, ande mais um pouco, desça a América Central, seguindo as placas com indicação da América do Sul, atravesse a Venezuela, e estará lá perto.&lt;br /&gt;Para África, não há problema. O Estreito de Gibraltar e o Mar Mediterrâneo não são Oceanos, por isso, não fazem parte das estatísticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;b) &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Monitorização&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Caso tenha mesmo de atravessar os Oceanos, deve fazê-lo de avião, pois é mais rápido. Mas deve ter um amigo astrónomo, para que o avise, de antemão, da possível queda de corpos celestes.&lt;br /&gt;Se não puder ir de avião, é melhor apanhar um submarino. Dizem que a água diminui bastante a força do impacto dos meteoritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;c) &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Aplicação de materiais anti-meteoríticos em projectos arquitectónicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os mais afamados Arquitectos de todo o mundo trabalham, neste momento, em alguns projectos de vanguarda, com vista a proteger melhor as casas dos ataques de meteoritos.&lt;br /&gt;Neste caso, a palavra de ordem é só uma: robustez.&lt;br /&gt;É necessário criar casas fortes, que aguentem o embate de meteoritos. E, para isso, há que usar o melhor material: DIAMANTES.&lt;br /&gt;Um país do mundo, situado dentro da cidade de Roma, já está a revestir os seus edifícios governamentais e habitacionais com este material. Para isso, conta com um Protocolo assinado com personalidades importantes, tais como os antigos Presidentes da Libéria, e Serra Leoa.&lt;br /&gt;Para promover estas novas habitações, foi contratada uma figura pública: Naomi Campbell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;d) &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Identificação dos locais mais seguros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, quanto mais fundo, melhor!&lt;br /&gt;Há que criar bunkers em todas as casas – túneis profundos, com todos os víveres necessários, caso seja preciso lá ficar durante bastante tempo, na eventualidade de haver a queda de um meteorito, e a pessoa fique enterrada dentro do bunker. Mas antes enterrado que esmagado!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 – &lt;span style="font-size:180%;"&gt;COMPORTAMENTOS A TOMAR NA PRESENÇA DA QUEDA DE UM METEORITO&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVcEGMfbsI/AAAAAAAAANI/rzElknYSYRE/s1600/sismo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509410944609906370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 216px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVcEGMfbsI/AAAAAAAAANI/rzElknYSYRE/s400/sismo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Pelo sim, pelo não, olhe constantemente para o Céu. Se uma bola de fogo se aproximar, afaste-se rapidamente. É mais provável que seja um meteorito, do que o Espírito Santo.&lt;br /&gt;. Afaste-se rapidamente, mas mantenha a calma.&lt;br /&gt;. Se estiver em casa, dirija-se para um canto da sala, ou do quarto, ou vá para debaixo de uma mesa (de preferência, uma mesa de diamante). Ajoelhe-se, e proteja a cabeça e os olhos com as mãos.&lt;br /&gt;. Se estiver num grande edifício, fique nos andares mais baixos. O meteorito tem tendência para cair em cima dos andares do topo.&lt;br /&gt;. Se estiver na rua, não fique em céu aberto.&lt;br /&gt;. Se estiver na praia, dentro de água, vá depressa para terra. Como se disse atrás, 70% dos meteoritos caem dentro de água.&lt;br /&gt;. Se for a conduzir, acelere o mais possível, caso o meteorito esteja a cair na sua direcção. Conduza SEMPRE na direcção contrária à da zona de choque do meteorito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;3- COMPORTAMENTOS A TOMAR APÓS A QUEDA DE UM METEORITO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. Se a sua casa tiver sofrido danos graves, saia. É provável que a cozinha, a despensa, a casa de banho, ou o quarto tenham ficado danificados. Assim, ou não pode preparar nada para comer, ou não pode tomar banho, ou não pode dormir. Mais vale ir para o Hotel, durante uns tempos.&lt;br /&gt;. Se houver feridos, ajude-os. A menos que estejam debaixo de um meteorito. Neste caso, não há nada a fazer.&lt;br /&gt;. Fique atento às recomendações dadas pela rádio. Assim, fica sempre a saber se estamos perante uma chuva de meteoritos, ou se se trata de um fenómeno isolado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVcpB7AkpI/AAAAAAAAANQ/uJuV43tYrdo/s1600/sismo2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509411579117998738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 279px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVcpB7AkpI/AAAAAAAAANQ/uJuV43tYrdo/s400/sismo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-534457999205532017?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/534457999205532017/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=534457999205532017&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/534457999205532017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/534457999205532017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/08/medidas-de-prevencao-contra-queda-de.html' title='Medidas de prevenção contra a queda de meteoritos'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/THVbBaBXtrI/AAAAAAAAANA/i-g4tjRij34/s72-c/asterix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-6073510247027570898</id><published>2010-07-30T17:06:00.001+01:00</published><updated>2010-07-30T17:11:13.531+01:00</updated><title type='text'>Contos de Verão - Volume 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A minha namorada tem um rabo-de-cavalo, mas só reparei nisso quando fomos à praia, uns dias depois do nosso primeiro encontro.&lt;br /&gt;Quando a vi, de bikini, olhei para a extensão posterior, da coluna vertebral, situado na sua posição dorsal, e perguntei-lhe:&lt;br /&gt;- Tens uma cauda?&lt;br /&gt;Ao que me respondeu, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- Não é uma cauda, é um rabo-de-cavalo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Mudei rapidamente de conversa. Estava uma bela tarde de sol, metemo-nos na água, que se apresentava a uma temperatura deveras agradável. Nadámos durante meia hora, e ensinei-a a fazer o pino.&lt;br /&gt;Vendo-a, de perto, depressa constatei, que a informação que me prestara, de que possuía um rabo-de-cavalo, estava incorrecta.&lt;br /&gt;A cauda da minha namorada é mais curta, e mais estreita, do que as caudas dos cavalos. O tipo de pêlo também é um pouco diferente. Poderíamos, quando muito, chamar-lhe crina pois, segundo o Dicionário, a crina, sendo um tipo de pelagem presente nos equídeos, como o cavalo, ou as zebras, também se pode encontrar em pêlos de outros animais, como os gatos, ou as galinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso, desde já, que não sei muito bem qual é a diferença entre “cauda” e “crina”. Serão as crinas um tipo específico de caudas?&lt;br /&gt;Não sei a resposta, tal como não sei a diferença entre encarnado e vermelho.&lt;br /&gt;Esta questão foi levantada durante a nossa conversa, ocorrida uma hora mais tarde, na esplanada. A minha namorada teimava em afirmar que encarnado é uma cor diferente de vermelho. Discutíamos isso, enquanto assistíamos à operação de resgate de uma pequena criança de oito anos, que acabara de cair de uma ravina de 30 metros, junto à praia.&lt;br /&gt;Quando lhe disse que a areia tinha ficado vermelha, com a cor do sangue da criança, ela respondeu-me, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- A areia não está vermelha, está encarnada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante. Vocês conhecem, de certeza, aquela expressão que diz que “os olhos são o espelho da alma”.&lt;br /&gt;No caso da minha namorada, que só tem um olho, poderia, quando muito, dizer que o seu olho é o espelho da alma.&lt;br /&gt;Eu chamo-a, às vezes, Ciclope, na brincadeira.&lt;br /&gt;Ao que ela responde, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- Não sou Ciclope, os Ciclopes eram gigantes imortais, com um só olho no meio da testa, e o meu olho fica do lado esquerdo da cabeça.&lt;br /&gt;Não riposto. A minha namorada tem, de facto, o seu olho do lado esquerdo da cabeça. Mas, para ser mais exacto, ela nunca poderia ser um Ciclope. Tem dois metros e meio de altura, é um facto, mas não é imortal.&lt;br /&gt;Até porque sei que a mãe dela já morreu, fomos visitá-la outro dia, ao Museu de História Natural.&lt;br /&gt;Olhámos para a redoma, onde estava depositada a minha sogra.&lt;br /&gt;Quando perguntei à minha namorada se a sua mãe era uma múmia, respondeu-me, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- Não sejas parvo, querido, as múmias são cadáveres que são embalsamados. Não foi o que se passou com a minha mãe, que morreu na queda de um glaciar, quando andava à caça de dinossauros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso de observar o olho da minha namorada, para saber o que lhe vai na alma.&lt;br /&gt;Sei que está satisfeita, quando começa a abanar o rabo, quando vamos, por exemplo, à Feira Popular, para comer farturas.&lt;br /&gt;Nesses momentos, a minha namorada torna-se impulsiva, e pede-me para a levar, rapidamente a casa, para fazermos o amor.&lt;br /&gt;Com a pressa, ao entrarmos em casa, costumo fechar a porta, com força.&lt;br /&gt;A minha namorada solta um grito, e pergunto-lhe, sobressaltado:&lt;br /&gt;- Desculpa, querida, magoei-te a cauda?&lt;br /&gt;Ao que ela me responde, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- Oh querido, quantas vezes já te disse que não é uma cauda, é um rabo-de-cavalo??&lt;br /&gt;Gosto muito da minha namorada, e quero que o nosso relacionamento se torne mais sério. Ela pede-me para ter um emprego mais estável, e que me vista melhor. Quando a vou buscar ao trabalho, as colegas dela comentam a minha indumentária, e criticam-me por andar com a camisa por fora das calças.&lt;br /&gt;“E corta-me esse cabelo, por favor!”, diz-me a minha namorada.&lt;br /&gt;“Mas eu gosto de andar de rabo-de-cavalo”, respondo.&lt;br /&gt;Ao que ela me responde, com um leve desprezo:&lt;br /&gt;- Chamas a isso um rabo-de-cavalo?&lt;br /&gt;Rio-me, dou-lhe a mão, e seguimos para a Feira Popular, a tempo de comermos uma fartura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-6073510247027570898?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/6073510247027570898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=6073510247027570898&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6073510247027570898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/6073510247027570898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/07/contos-de-verao-volume-1.html' title='Contos de Verão - Volume 1'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-843607023270770900</id><published>2010-07-13T22:37:00.001+01:00</published><updated>2010-07-13T22:39:09.250+01:00</updated><title type='text'>A Festa das Famílias</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não se escreve nada há que tempos para este pasquim virtual e houve tantos acontecimentos dignos de nota neste mês e meio mais coisa menos coisa, e tão pouco foi dito, que tenho de escrever alguma coisa mas vou sair daqui a pouco de casa, e tenho pouco tempo para pensar no que quer que seja, muito menos para escrever o que quer que seja, por isso vou escrever um texto onde não criarei personagens e, para apressar as coisas, não colocarei quase pontuação nenhuma, assim faço um piscar de olho ao José Saramago, e à sua morte, mato mais um coelho com esta cajadada, e passarei, em seguida, para temas actuais e temas actuais neste momento são os concertos de verão mas como não fui assistir aos grandes concertos de verão, Optimus Rio ou o Rock In Alive, farei a crítica a um concerto pequenininho, não será bem uma crítica, mas sim uma anotação, ou uma nota, com constatação de factos, dados sempre por um ponto de vista subjectivo, logo, passível de contestação, mas passemos à frente destas minudências, para nos aproximarmos do objecto de estudo deste texto, que ocorreu na rua do Coliseu, mas desenganem-se aqueles que pensam que me enfiei, à socapa pelos bastidores do Teatro Politeama, para ouvir encantos vindos de gaiolas de loucas, pois o canto foi outro, oriundo do Atheneu, um velho espaço manhoso, ao lado do Coliseu, com salas de tecto trabalhado, gerido por pessoal janado, e a precisar de levar com uma dose de quitoso, mas passando à frente de considerações capilares direi que se tratava do espectáculo de apresentação do novo álbum de Tiago Guillul, a flor da caveira fúria, e autor do “hino não oficial da selecção portuguesa”, as sete muralhas para o caixão ou algo do género, assim aproveito para enterrar de vez o futebol mundial e mata-se mais uma queijadada com um coelho saído da cartola, e falando de cartola falarei das vestimentas que se viam para os lados do Atheneu, pois não nos esqueçamos que o Tiago Guillul é pastor baptista e homem religioso, e por isso, logo à entrada, vi vários elementos do público trajando t-shirts do papa Bento XVI, aquele que veio recentemente em digressão, e vi também muitas criancinhas abençoadas correndo alegremente pelo recinto, filhos dos músicos que iam tocar nessa noite, pois como dizia o Senhor, “venham a mim as criancinhas”, e era um regalo ver tanta miudagem andando alegremente por ali, e respirando o ar de rock dos nossos gloriosos tempos, naquele Atheneu transformado em recinto musical, o palco em forma de ringue, como se estivesse preparado para receber um combate, e parecia tratar-se, De facto, de um combate, quando às dez em ponto da noite entraram em palco cinco matulões vestindo calções e roupas desportivas, e com uns capuzes a tapar a cabeça, como se fossem verdadeiros boxeurs, mas a ilusão durou poucos segundos, pois depois de o mestre-de-cerimónias, que mais não era do que o músico igualmente religioso Samuel Úria ter apresentado a banda, logo surgiram furiosas batidas de hip hop, que animaram as hostes, e fizeram saltar o público presente, que era composto por jovens teenagers sub-16, com umas tiaras na cabeça, e umas sandálias de praia, mais os atrás mencionados meninos envergando t-shirts do papa, mais as criancinhas, mas também muita freakalhada, amantes do rock, ou músicos conhecidos, todos comungando aquela magnífica experiência musical de um hip hop cantado por brancos pintados de negro, pois quando os músicos tiraram os capuzes, viu-se que se tratavam de rapazes da linha do Estoril, com melenas louras, mas com a pele pintada de negro, para parecerem verdadeiros rappers.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;E aqui faço um ponto final porque já estou cansado, e porque me apetece falar um pouco mais das vestimentas dos músicos em palco, e das suas sweat shirts, que tinham escrito “ATALAIA-HIP HOP Cristão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se percebia nada do que os músicos diziam, o som parecia saído de um concerto de Pavilhão desportivo saído dos anos 80, como disse Tiago Guillul, a certa altura do concerto.&lt;br /&gt;Sentia-me, sem saber muito bem porquê, num ambiente familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao terceiro tema, saíram de palco os músicos de hip hop, e Guillul começou a tocar um punk rock manhoso. As meninas da Avenida de Roma ficaram ainda mais satisfeitas e começaram a pular, desavergonhadamente. Sem querer, despejei um pouco de cerveja para as sandálias de uma delas, que me olhou semi-escandalizada, mas logo fez um olhar condescendente, aprendido com muitos anos de caridade cristã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meio do concerto, Guillul dirigiu-se ao público, e propôs um desafio: quem adivinhasse a que música pertencia o sample que ele iria tocar, durante uns segundos, teria direito a ganhar um CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma alegria ver toda aquela gente, animada, a responder ao passatempo. No final, quem acertou na resposta (tratava-se do tema da telenovela “A Guerra dos Sexos”) teve direito a um disco do Tiago Guillul, devidamente autografado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, percebi porque me sentia, desde o início do concerto, num ambiente familiar:&lt;br /&gt;Quando eu era um rapaz imberbe, e fazia parte dos alunos de um Colégio Católico, havia um acontecimento especial, que era o culminar de longos meses de espera, e preparação espiritual, o momento pelo qual todos ansiávamos, ao longo do ano lectivo: tratava-se da Festa das Famílias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que era isso?&lt;br /&gt;Tratava-se de uma festa, que durava vários dias, durante os quais se realizava um conjunto de actividades, onde todos podiam entrar: os pais, os filhos, os netos e os avós. Todos estavam convidados a participar e, com a graça do Espírito Santo, jogavam Rally Papers, Quizzes Culturais, Jogos do Saco, Torneios de Futebol, faziam concursos culinários, ou davam concertos inter-geracionais, com filhos a cantarem desafinados, e a capella, as músicas criadas pelos pais ou pelos avós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo em alegre confraternização, num espírito de amizade, e com respeito pela diferença, desde que a diferença fosse respeitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os concertos do Tiago Guillul são uma espécie de Festa das Famílias, com todo o tipo de jogos, como o Quiz musical, ou as danças ao som de vários estilos musicais, tudo isto pautado por uma alegre confraternização entre todos os grupos étnicos e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos fazem parte da Festa:&lt;br /&gt;O rapazinho obeso, chamado ao palco para fazer um solo de guitarra estridente, durante uma música…&lt;br /&gt;O homenzinho obeso, e com barba, chamado ao palco para fazer uns gritos estridentes;&lt;br /&gt;A estrela rock idosa, chamada ao palco para fazer uns coros estridentes…&lt;br /&gt;A jovem cantora negra, de soul, chamada ao palco, porque fica sempre bem, num concerto destes, subir ao palco uma jovem cantora de soul, negra…&lt;br /&gt;As criancinhas (filhas dos músicos?), chamadas ao palco para entrar no “momento Kelly Family” da noite”…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei no ritmo, e cantei, a plenos pulmões, todas as músicas, desde uma ode à classe média, até ao tema final, o tal hino não oficial da Selecção Portuguesa.&lt;br /&gt;Nessa altura, a Festa das Famílias estava ao rubro, e o palco era demasiado pequeno para nele caber todo o reino do Senhor Guillul – regressaram os músicos brancos de hip hop com a cara pintada de preto, já esborratada, por causa do calor, entrou o Samuel Úria e a restante flor caveira, reapareceu o adolescente gordo, e o cantor gordo dos gritos, e os outros amigos todos, e as criancinhas, que ainda deviam estar lá pelo meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez devido ao facto de o palco estar tão cheio, o concerto acabou com um violento stage dive de Tiago Guillul, que foi recebido em braços pela restante família – o público presente, que o baptizou com uma garrafa inteira de água, despejada para cima da cabeça do suado vocalista pastor baptista.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ás 23 horas em ponto, acabou o concerto. O Atheneu tinha de fechar, e o dia seguinte era dia de trabalho. As crianças precisavam de dormir, tinham de ir para as aulas de manhã.&lt;br /&gt;Fui para casa e, sem necessitar de entoar um salmo nocturno que me ajudasse a adormecer, senti-me embalado pelo Espírito Santo, e por uma suave ladainha, que me ecoava, sem cessar, na cabeça: “são sete voltas para a muralha cair”….&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-843607023270770900?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/843607023270770900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=843607023270770900&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/843607023270770900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/843607023270770900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/07/festa-das-familias.html' title='A Festa das Famílias'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-7132751367921970893</id><published>2010-06-02T15:55:00.002+01:00</published><updated>2010-06-02T15:57:47.747+01:00</updated><title type='text'>Anedotas ingénuas, e didácticas, para crianças: 1- o jantar vegetariano</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estavam seis pessoas no jantar de vegans, feito em casa da Joaninha.&lt;br /&gt;A certa altura, o Ricardo exclamou, por entre duas garfadas:&lt;br /&gt;A mandioca cozida está uma maravilha!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de aprovação, excepto o Daniel, que se manteve impávido.&lt;br /&gt;Continuaram a comer.&lt;br /&gt;Passado uns minutos, a Teresa exclamou, por entre duas garfadas:&lt;br /&gt;-A Kafta de couve-flor está excepcional!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de aprovação, excepto o Daniel, que se manteve impávido.&lt;br /&gt;Continuaram a comer.&lt;br /&gt;Passado uns minutos, o Pedro exclamou, por entre duas garfadas:&lt;br /&gt;-As iscas de pimentão estão divinais!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de aprovação, excepto o Daniel, que se manteve impávido.&lt;br /&gt;Continuaram a comer.&lt;br /&gt;Passado uns minutos, a Sónia exclamou, por entre duas garfadas:&lt;br /&gt;-A beringela em rodelas, com pasta de pimentão, está supimpa, e tremendamente suculenta!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de aprovação, excepto o Daniel, que se manteve impávido.&lt;br /&gt;Continuaram a comer.&lt;br /&gt;Passado uns minutos, a Joaninha exclamou, por entre duas garfadas:&lt;br /&gt;- Não é para me gabar, mas este é a melhor refeição vegan que já alguma vez comi!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de aprovação, excepto o Daniel, que se levantou.&lt;br /&gt;Os outros continuaram a comer.&lt;br /&gt;Passado um minuto, o Daniel reapareceu na sala, com o coelho da Joaninha na mão, preso pelas orelhas. O Daniel deu, de seguida, um golpe forte, e seco, na cabeça do coelho da Joaninha, deixando-o inanimado. Depois, pousou-o no chão, mediu-lhe a pulsação, e tentou fazê-lo reagir a vários estímulos exteriores. Nada feito. O coelho da Joaninha estava, oficialmente, moribundo.&lt;br /&gt;O Daniel voltou para a cozinha, e fez uma magnífica receita de coelho aromatizado. Regressou à sala, com o prato na mão, e serviu-se.&lt;br /&gt;Passado um minuto, exclamou:&lt;br /&gt;- Este coelho aromatizado está de comer e chorar por mais!&lt;br /&gt;Os outros acenaram, em sinal de desaprovação, e mantiveram-se impávidos, com olhares acusadores, excepto a Joaninha, que chorava.&lt;br /&gt;O Daniel, vendo que os seus amigos o continuavam a fitar, exclamou, justificando-se:&lt;br /&gt;- O que foi? Vocês viram, tão bem como eu, que o coelho estava em estado vegetativo!&lt;br /&gt;Continuou a comer.&lt;br /&gt;Passado um minuto, o Ricardo perguntou:&lt;br /&gt;- E esse coelhinho vegetativo, vem acompanhado com o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-7132751367921970893?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/7132751367921970893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=7132751367921970893&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/7132751367921970893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/7132751367921970893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/06/anedotas-ingenuas-e-didacticas-para.html' title='Anedotas ingénuas, e didácticas, para crianças: 1- o jantar vegetariano'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-1429772237738255234</id><published>2010-05-06T03:50:00.003+01:00</published><updated>2010-05-06T03:59:03.235+01:00</updated><title type='text'>O Lugones-Técnico Apresenta Um Caso da Vida</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/S-IvDJMuX_I/AAAAAAAAAM4/TE4DKWDDgCg/s1600/CanalizadorPolaco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467984628636606450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 298px; CURSOR: hand; HEIGHT: 313px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/S-IvDJMuX_I/AAAAAAAAAM4/TE4DKWDDgCg/s400/CanalizadorPolaco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Boa tarde.&lt;br /&gt;Sou o Lugones-Técnico, e pediram-me para escrever uma série de posts totalmente não-ficcionais, onde tentarei dar-vos umas dicas importantes sobre várias tarefas domésticas.&lt;br /&gt;Começarei com o seguinte caso específico, que envolve duas pessoas reais, de carne e osso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;PREMISSA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Trata-se de um casal - o José e a Maria.&lt;br /&gt;A Maria teve um dia complicado no trabalho. A sua colega do lado (que também era a sua melhor amiga) foi despedida. Maria ficou muito transtornada. Maria voltou tarde para casa, pois demorou oito horas a concluir os processos que tinha em mãos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como um mal nunca vem só, quando ia a caminho de casa, pisou um buraco, e torceu o pé. Por isso, terá de ficar imobilizada durante o fim-de-semana.&lt;br /&gt;José, por seu turno, encontra-se a gozar o fundo de desemprego. A sua auto-estima está em baixo, sente-se inútil, o que se repercute, entre outras coisas, nas suas performances sexuais.José e Maria são casados, e vivem juntos, mas não vivem sozinhos: têm um bicho de estimação, mais precisamente, um periquito, que está, ao que tudo indica, constipado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;DIAGNÓSTICO DO PROBLEMA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Maria está cansada, e não pode andar. O José não trabalha, e precisa de mostrar o seu valor, para recuperar a sua auto-estima. Por isso, será aconselhável que:&lt;br /&gt;1-      Cozinhe o jantar&lt;br /&gt;2-      Prepare um prato que levante o seu ânimo, e o de Maria&lt;br /&gt;3-      Tente saber se o periquito está, de facto, constipado, e se estiver, deverá tratá-lo da melhor forma possível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;RESOLUÇÃO DO PROBLEMA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;José é de uma inaptidão exasperante, no que toca a assuntos domésticos.&lt;br /&gt;É dia 1 de Maio. Os supermercados ao lado da sua casa estão fechados. Terá de cozinhar algum alimento que esteja guardado no frigorífico, ou no congelador.&lt;br /&gt;José abre o frigorífico, e vê, lá dentro, o seguinte:&lt;br /&gt;6 alhos franceses;&lt;br /&gt;3 limões;&lt;br /&gt;2 batatas;&lt;br /&gt;Uma embalagem de manteiga;&lt;br /&gt;Uma embalagem de natas.&lt;br /&gt;José olha para a planta de tomilho, que tem na bancada da cozinha, ao lado do sal, e da pimenta. Depois, abre o congelador, para ver o que há no seu interior:&lt;br /&gt;Fica desapontado, pois lá dentro encontra, apenas, alguns linguados sem pele.&lt;br /&gt;Sem o saber, José está com sorte, pois tem em casa todos os alimentos necessários para cozinhar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;LINGUADOS COM MOLHO DE ALHO FRANCÊS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de uma fantástica &lt;strong&gt;RECEITA ERÓTICA.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como dissemos atrás, José está a passar um mau momento na sua vida conjugal, sem força anímica, e sem resultados práticos em termos sexuais.&lt;br /&gt;Nada como uma receita erótica para retemperar a confiança!&lt;br /&gt;Eis os ingredientes necessários para preparar este petisco:&lt;br /&gt;4 linguados médios sem pele;&lt;br /&gt;4 alhos franceses;&lt;br /&gt;1 batata;&lt;br /&gt;1 limão;&lt;br /&gt;2 colheres de sopa de manteiga;&lt;br /&gt;1 embalagem de natas;&lt;br /&gt;Sal;&lt;br /&gt;Pimenta;&lt;br /&gt;Tomilhos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;José vai meter mãos à obra. Mas no momento em que se prepara para retirar o linguado do congelador, repara que o frigorífico apresenta algumas anomalias:&lt;br /&gt;1-A iluminação não funciona;&lt;br /&gt;2- Há uma formação excessiva de gelo;&lt;br /&gt;3-Existem perdas de água.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;FAREMOS, AGORA, DE SEGUIDA, O DIAGNÓSTICO PARA CADA UMA DESTAS SITUAÇÕES&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;1-      Se a iluminação não funciona, pode dever-se a uma lâmpada mal enroscada, ou fundida.&lt;br /&gt;2-      Se há uma formação excessiva de gelo, a porta pode estar mal fechada;&lt;br /&gt;3-      Se há perdas de água, a conduta de evacuação está entupida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;SOLUÇÕES PARA O PROBLEMA:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;José não se deixa abater e, para resolver estes problemas, deverá fazer o seguinte:&lt;br /&gt;1-      Tem de substituir uma lâmpada;&lt;br /&gt;2-      Deve Substituir a junta de borracha da porta;&lt;br /&gt;3-      Deve desentupir a conduta de evacuação de água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de obedecer a estes passos, José conserta o frigorífico, e aumenta a sua auto-estima.&lt;br /&gt;Agora, está pronto para preparar o prato de linguados.&lt;br /&gt;Para isso, lava-os, e tempera-os com sal, pimenta e sumo de limão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De seguida, coloca-os num tabuleiro, e leva-os ao microondas, durante cerca de três minutos. José lava os alhos e corta a parte branca em rodelas. Corta a batata em pedacinhos. Leva a cozer os alhos e a batata, em água com sal. Escorre, e reduz a puré, juntamente com a manteiga e o suco largado pelo peixe. Junta as natas, e um pouco de tomilho. Cobre os linguados com este molho, e leva, novamente, ao microondas, durante mais três minutos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O prato está cozinhado!&lt;br /&gt;José pega em Maria, ao colo, e leva-a para a mesa.&lt;br /&gt;Coloca um som de fundo (pode ser Marvin Gaye, Barry White, ou Serge Gainsbourg, por exemplo), e serve Maria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A comida está deliciosa, e Maria melhora o seu humor. Neste momento, apenas uma coisa a preocupa: o periquito, que parece estar, mesmo constipado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como resolver esta situação?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Quando os periquitos ficam encolhidos no poleiro durante o dia, ou espirram, devem ser imediatamente mudados para uma gaiola pequena, que se deve colocar num quarto aquecido. O calor tem um efeito muito benéfico sobre todos os pássaros doentes e, se forem tratados a tempo, quase todos se curam, em poucos dias. Depois de curados, os pássaros não devem ser transferidos imediatamente para o aviário, convém aclimatá-los gradualmente à temperatura exterior”.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;José muda o periquito para uma gaiola mais pequena, e coloca-a no quarto, que está aquecido. Como tal, José e Maria terão de dormir no sofá – cama da sala.&lt;br /&gt;Maria está agradavelmente surpreendida com o seu marido, e está quase a apetecer-lhe fazer o amor.&lt;br /&gt;Para a convencer totalmente, nada como uma&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;MASSAGEM ERÓTICA NOS PÉS&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;“Os pés possuem ligações com todas as partes do corpo. Você pode iniciar uma boa noite de sexo com uma massagem nos pés.&lt;br /&gt;Comece por massajar a planta do pé com as pontas dos dedos, não é necessário fazer muita pressão. Não tenha pressa e demore-se mais onde o seu parceiro se manifestar mais. Passe os dedos levemente no flanco dos pés, de um lado e de outro, e demore-se nos tornozelos. Os dedos são especialmente sensíveis, pode aproveitar e massajar os dedos com a boca, a sensação é muito boa.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;José, com a auto-estima recuperada, está pronto para uma noite de prazeres carnais, tal como Maria. Assim, em vez de verem um filme sobre o Papa, que ia passar na RTP1, resolvem praticar actos sexuais de relevo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;No momento em que José está a abrir uma embalagem de preservativos, Maria lembra-o de que o Papa não aprova estes comportamentos, e que o acto sexual tem, somente, fins reprodutivos.&lt;br /&gt;José deita a embalagem de preservativos para o lixo reciclável, e começa a beijar o corpo de Maria.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;CONCLUSÃO&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Passaram-se 24 meses. Maria já esqueceu a amiga, que tinha sido despedida. Ficou com o lugar dela, e passou a auferir de um salário ligeiramente superior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;José, ao tomar estas iniciativas proactivas em casa, começou a ter outra atitude na vida. Arranjou dois empregos em part-time, como empregado de limpeza num restaurante, e como empregado de limpeza numa firma de venda de electrodomésticos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Os seus dois empregos em part-time ajudam, e muito, a pagar as despesas dos 5 gémeos – os filhos de Maria, e José, nascidos naquela noite de paixão.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O periquito sobreviveu, e continuou a viver no quarto de José, e Maria, até ao momento em um dos cinco gémeos atirou a gaiola da janela abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A gaiola caiu em cima da cabeça do Papa, que se encontrava pela cidade, em visita espiritual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-1429772237738255234?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/1429772237738255234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=1429772237738255234&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/1429772237738255234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/1429772237738255234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/05/o-lugones-tecnico-apresenta-um-caso-da.html' title='O Lugones-Técnico Apresenta Um Caso da Vida'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_2iX_tslHnw4/S-IvDJMuX_I/AAAAAAAAAM4/TE4DKWDDgCg/s72-c/CanalizadorPolaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-2572207192098699279</id><published>2010-05-04T17:06:00.004+01:00</published><updated>2010-05-04T17:12:18.485+01:00</updated><title type='text'>O Algazel Nortenho apresenta-se</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/__YoG2oqLWgo/S-BGMgDwRlI/AAAAAAAAACU/-LCXok1Y0C4/s1600/Algazel+Nortenho.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5467447128205837906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 256px; CURSOR: hand; HEIGHT: 384px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/__YoG2oqLWgo/S-BGMgDwRlI/AAAAAAAAACU/-LCXok1Y0C4/s400/Algazel+Nortenho.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Boa tarde. Convidaram-me para colaborar, ocasionalmente, no blog “Ângulo Saxofónico”, assinando como “Algazel”.&lt;br /&gt;Confesso que tive algumas dúvidas: em primeiro lugar, constou-me que a maioria dos escribas deste blog nasceu na infecta Lisboa, sede da Mourolândia, e covil da corrupção, e mediocridade, reinantes neste país.&lt;br /&gt;Depois, escreveria sob o pseudónimo de um filósofo árabe, provindo do coração da mourolândia, um porco infiel de nome Algazel.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas acabei por aceitar, essencialmente, por duas razões:&lt;br /&gt;1- Constou-me que um dos escribas originais do Ângulo Saxofónico provém de Lamego, que pertence, ao Grande Império do Norte.&lt;br /&gt;2- Algazel, apesar de ser mouro, foi influenciado pelo valente povo da Cidade Invicta.&lt;br /&gt;E porquê? Como todos sabem (ou deviam saber, pois as Universidades Portuguesas estão entregues a ignorantes, pacóvios, e indivíduos que servem apenas os interesses da escória lisboeta), a maior, e mais antiga escola filosófica do Mundo (e do Universo) está sediada na Cidade Invicta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A Civilização Moderna, tal como a conhecemos hoje, não começou no tal Crescente Fértil, ou Mesopotâmia, ou o raio que o parta, como se ensina nos dias de hoje.&lt;br /&gt;Na verdade, e enquanto os australopitecos ainda andavam um pouco por toda a parte, já uma vaga de mentes brilhantes dominava a mais antiga Universidade da mais antiga cidade do Mundo, o Porto.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enquanto os fascistas do sul, esses vermes drogados, corruptos, mentirosos, sacanas, e saloios energúmenos provindos da Gomorra moderna chamada Lisboa ainda se serpenteavam, por aí, na sua forma de macacos (e, para bem da verdade, ainda são macacos, mas macacos perigosos, torpes, autênticos cancros malignos ambulantes e putrefactos), já o povo favorito de Deus, regado pelo magnífico rio Douro, produzia as únicas mentes brilhantes dignas de registo, no Dicionário dos nomes relevantes que já passaram neste planeta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como todos sabem, a Filosofia começou no Porto.&lt;br /&gt;Sócrates até escreveu uma série de livros sobre a nossa cidade, e contando a gloriosa história da filosofia portuense. Esses livros, para infortúnio eterno da Humanidade, foram destruídos pelos Mouros.&lt;br /&gt;Depois, inventaram a história de que ele nunca tinha escrito nada…&lt;br /&gt;Algazel, por seu turno, roubou todas as ideias de um eminente filósofo portuense (e portista, pois o Futebol Clube do Porto é o clube mais antigo do mundo, com mais de 2000 anos), o famosíssimo Mendo Vimanares (932-997 D.C.).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mendo Vimanares criou todas as bases do chamado “ocasionalismo”.&lt;br /&gt;Como tal, escrevendo como Algazel, estou, no fundo, a prestar homenagem aos grandes espíritos da Invicta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Enfim, isto já vai longo, para um post inicial, e a mourolândia que domina o Ângulo ainda me despede, com a desculpa de que os meus textos brilhantes são muito grandes.&lt;br /&gt;No próximo post, começarei a falar dos “Grandes Nomes que Engrandeceram o Porto, e o Universo).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saudações Nortenhas, e viva o Pinto da Costa, o único Homem sério deste país&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-2572207192098699279?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/2572207192098699279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=2572207192098699279&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2572207192098699279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/2572207192098699279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/05/o-algazel-nortenho-apresenta-se.html' title='O Algazel Nortenho apresenta-se'/><author><name>Algazel</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09502859979644374900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2336/2233/1600/Algazel.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/__YoG2oqLWgo/S-BGMgDwRlI/AAAAAAAAACU/-LCXok1Y0C4/s72-c/Algazel+Nortenho.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-9129251157914680622</id><published>2010-05-04T02:24:00.004+01:00</published><updated>2010-05-04T02:47:04.565+01:00</updated><title type='text'>Novidades Saxofónicas</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vamos directos ao assunto, para que os leitores não percam tempo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;1- O Ângulo Saxofónico já atingiu a vetusta idade de 4 anos e três meses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;2- A ideia inicial seria ter posts assinados por quatro nomes diferentes, o que aconteceu durante alguns anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;3- Misteriosamente, os posts, nos últimos tempos, têm sido sempre assinados pelo mesmo sujeiteitinho: um tal de Lugones.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;4- Esse certo Lugones, para além de ter neutralizado os outros autores do blog (por meios vis, e maquiavélicos, como é de seu apanágio), começou a escrever textos cada vez maiores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;5- Esses textos duram, e duram, e duram...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;6- Agora, até têm sido separados, em duas partes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;7-Para que o martírio seja mais longo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;8- Porque, pior que um novo post do Lugones, são dois novos posts do Lugones.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;9- A versarem sobre o mesmo tema, alguma coisa esquisita, relacionada com alienações. zombies, ou o raio que o parta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;10-Caramba, Lugones, não vês que o formato-blog não se adapta a estas coisas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;11- Para além disso, o facebook anda a tirar clientela à blogosfera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;12- E tu, o que fazes, Lugones?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;13- Não tentas tornar as coisas mais atractivas, não metes fotografias do teu dia-a-dia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;14- Nem dizes o que estás a fazer, e a pensar, mal acordas, de manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;15- E depois, és elitista, pá!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;16- Só fazes referências culturais herméticas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;17- E, para piorar as coisas, só falas da cultura em Lisboa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;18- Tens de te descentralizar mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;19- Falar do Norte, e do estrangeiro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;20-Desta enorme aldeia global.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;21-E ser sucinto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;22- Ter frases curtas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;23-Como eu estou a ter.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;24- &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Perfeito&lt;/span&gt;, &lt;span style="color:#33cc00;"&gt;seria&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#000066;"&gt;meter&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;as frases&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#993300;"&gt;com várias&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#333300;"&gt;cores&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#333300;"&gt;25- &lt;span style="color:#ffcc00;"&gt;Para&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3366ff;"&gt;ser&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#663300;"&gt;mais &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;atractivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000000;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;26-&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Mas isso já é pedir muito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;27- Por isso, agora, vamos fazer algo completamente diferente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;28- E esta frase não é uma referência espertinha aos Monty Phyton.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;29- Vamos arranjar uns colaboradores diferentes, e dinâmicos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;30- Por exemplo, que tal arranjarmos um Algazel nortenho, que fale da cultura nessa zona do país?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;31- E um Boécio que viva no estrangeiro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;32- E um Lugones que se deixe de ficção, e escreva sobre coisas técnicas, que interessam verdadeiramente ao português do Século XXI, que precisa de se mexer, caramba!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;33- E que tal fazermos uns passatempos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;34- E falarmos do Papa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;35- E fazermos histórias bonitas sobre o Papa!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;36- Vamos a isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;37- Vamos!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;38-E é já a partir de amanhã!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;39-Aguardem-nos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;40-E não pensem que quem está a escrever é o Lugones, disfarçado de Safo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;41- Beijos e abraços.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-9129251157914680622?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/9129251157914680622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=9129251157914680622&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/9129251157914680622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/9129251157914680622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/05/novidades-saxofonicas.html' title='Novidades Saxofónicas'/><author><name>Safo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03672208046214268394</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='18' height='32' src='http://blog-dominique.autie.intexte.net/blogs/media/Sapho.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-8016262132650410306</id><published>2010-04-30T13:02:00.001+01:00</published><updated>2010-04-30T13:09:02.656+01:00</updated><title type='text'>Fragmentos de um desencanto- 2ª Parte, e Conclusão</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dia 14&lt;br /&gt;Já me andam a pressionar, lá na revista, para que lhes mande um texto.&lt;br /&gt;Expliquei-lhes que andava com dificuldades de concentração, e que não conseguia concluir um conto.&lt;br /&gt;Propuseram-me escrever um poema, cuja temática se debruçasse em temas da actualidade.&lt;br /&gt;Pedi-lhes para me darem alguns exemplos de temas actuais, e mandaram-me, de seguida, alguns tópicos, por mail:&lt;br /&gt;1-A Igreja, a visita do Papa a Portugal, pedofilia.&lt;br /&gt;2-Crise económica, o desinteresse e a alienação da sociedade, e dos jovens.&lt;br /&gt;3-O vulcão islandês.&lt;br /&gt;4-Indie Lisboa.&lt;br /&gt;5-Futebol- Benfica; José Mourinho; Campeonato do Mundo.&lt;br /&gt;Amanhã começo a escrever um poema, que verse sobre esses assuntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 15&lt;br /&gt;Levantei-me tarde. Estava calor, saí de casa, resolvi escrever numa esplanada.&lt;br /&gt;Encontrei alguns amigos, e duas colegas da Revista. Parece que também não conseguem escrever, nem trabalhar.&lt;br /&gt;Copos.&lt;br /&gt;Amanhã começo a escrever o poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 16&lt;br /&gt;Crise de inspiração.&lt;br /&gt;Saí de casa, e fui dar uma volta.&lt;br /&gt;Cinema, e copos.&lt;br /&gt;Amanhã começo a escrever o poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 17&lt;br /&gt;Crise de resultados, no Championship Manager.&lt;br /&gt;Terceira derrota consecutiva.&lt;br /&gt;O meu novo reforço, Yannick Djaló, ainda não se integrou por completo no esquema táctico da equipa. Penso que terei de abandonar o sistema 4-4-2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 18&lt;br /&gt;Escrevi as seguintes linhas, com o auxílio de um Dicionário de rimas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, país riscado do mapa.&lt;br /&gt;Andas por aí aos perdidos,&lt;br /&gt;E a aguçar os sentidos,&lt;br /&gt;Para a vinda do Papa.&lt;br /&gt;Ergues o cravo à toa,&lt;br /&gt;Agarras-te à crise como uma lapa,&lt;br /&gt;E vais ao Indie Lisboa,&lt;br /&gt;Enquanto te roubam à socapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei cansado, ao escrever estas linhas, e fui sair, para tomar um copo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 19&lt;br /&gt;Tenho a certeza de que alguém me controla, de facto, o cérebro.&lt;br /&gt;Chego ao fim do dia, e não me recordo de nada do que faço.&lt;br /&gt;Hoje, só escrevi estas sete linhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oh, Portugal, país da saudade,&lt;br /&gt;Em vez de pensares na produtividade,&lt;br /&gt;E de almejares a modernidade,&lt;br /&gt;És vendido a preço de saldo,&lt;br /&gt;E ficas aí sozinho,&lt;br /&gt;A venerar o Mourinho,&lt;br /&gt;E o Cristiano Ronaldo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a certeza de que alguém me controla, de facto, o cérebro.&lt;br /&gt;Chego ao fim do dia, e não me recordo de nada do que faço.&lt;br /&gt;Conclusão:&lt;br /&gt;Estou a transformar-me num zombie.&lt;br /&gt;Segundo a wiki brasileira, “um zumbi é um morto reanimado, ou um ser vivo irracional. É um ser humano que permanece em estado catatónico, criando insegurança e medo nos vivos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 20&lt;br /&gt;O meu estado piora de dia para dia.&lt;br /&gt;Hoje, só escrevi as seguintes linhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Antes viver sob o chão português&lt;br /&gt;Que debaixo de um vulcão islandês”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço a barba, e deixei de tomar banho, com a preocupação de entregar os textos aos “Rapunzeís da Modernidade”.&lt;br /&gt;Eles mandam-me mensagens, todos os dias, e perguntam-me quando lhes entrego os textos.&lt;br /&gt;Ao que parece, nenhum deles escreveu, também, o seu texto.&lt;br /&gt;O feiticeiro que me controla deve estar a fazer mais vítimas zombies.&lt;br /&gt;Boas notícias:&lt;br /&gt;A minha equipa de Championship Manager, o Foggia, passou à eliminatória seguinte da Taça de Itália, depois de ter vencido a Udinese, já no prolongamento.&lt;br /&gt;Substituí o Ronaldinho Gaúcho pelo Nani, que marcou o golo da vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 21&lt;br /&gt;Devido à minha condição de zombie diurno, deixei de escrever.&lt;br /&gt;Tive uma ideia: se calhar, o feiticeiro que me controla, não consegue aceder aos meus sonhos, e só entro na sua esfera de poder alguns minutos depois de acordar.&lt;br /&gt;Resta-me, apenas, uma solução: apontar, logo que acorde, as ideias que possa vir a ter durante o sono. Construirei os meus contos a partir daí, sem qualquer interferência exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 22&lt;br /&gt;Saída nocturna. Bares. Discotecas.&lt;br /&gt;Bebi demasiado, e vomitei.&lt;br /&gt;Como tal, não consegui pregar olho.&lt;br /&gt;Amanhã, dormirei, no mínimo, 12 horas, e apontarei todos os meus sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 23&lt;br /&gt;Dormi mais de 15 horas.&lt;br /&gt;Esqueci-me de colocar uma folha, e uma caneta, ao pé da minha cama.&lt;br /&gt;Não apontei ideia nenhuma.&lt;br /&gt;Amanhã, sem falta, começarei a escrever o conto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 24&lt;br /&gt;Apontei as ideias, mas só me saíram coisas estapafúrdias.&lt;br /&gt;Eis uma delas:&lt;br /&gt;“O cordel do peixe é falso se o atarmos a uma nêspera&lt;br /&gt;E o combate de mongos começa sempre com o mesmo sinal:&lt;br /&gt;Entrar a matar”&lt;br /&gt;Ou outra:&lt;br /&gt;“O Tetris joga-se dentro da caverna;&lt;br /&gt;Entre estalactites e mitocôndrias&lt;br /&gt;E por entre festins carnais”&lt;br /&gt;Tive, igualmente, uma série de sonhos eróticos e húmidos.&lt;br /&gt;Conclusão: acho que estou a ser atacado por Súcubos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 25&lt;br /&gt;À beira do esgotamento. Adio a hora de ir para a cama, embriago-me, e tomo drogas recreativas, para atenuar a aflição. Já não consigo ler.&lt;br /&gt;Só saio de casa ao final da tarde, para tomar uns copos com os amigos, durante os instantes em que não fico sob a influência zombie, e antes de sofrer um ataque de súcubos.&lt;br /&gt;Os meus colegas da revista também andam com um ar pálido, e derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 26&lt;br /&gt;O Foggia desceu à segunda divisão, depois de uma época desastrosa. Terei de vender os melhores jogadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 27&lt;br /&gt;Reunião de “Os Rapunzéis da Modernidade”, à mesa de um bar.&lt;br /&gt;Decidimos pôr termo à revista, devido à inexistência de textos publicáveis.&lt;br /&gt;Alguns dos membros do grupo literário vão espairecer, um ano ou dois, para o estrangeiro.&lt;br /&gt;Dizem que não há condições, neste país miserável, para a criação de uma revista de vanguarda, como a dos Rapunzéis.&lt;br /&gt;Com o fim da revista, termino a minha actividade literária. Vou-me dedicar, a tempo inteiro, à carreira de treinador, no Championship Manager.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 28&lt;br /&gt;O Foggia está a recuperar, e tem boas hipóteses de poder subir de divisão. O meu novo reforço, Sinama Pongolle, tem marcado alguns golos decisivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 29&lt;br /&gt;Voltei a sair à rua, e fiquei algumas horas no café. Acho que estou um pouco melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 30&lt;br /&gt;Conheci no café um grupo de pessoas deveras interessante. Tal como eu, adoram cinema. Ficámos a falar durante várias horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 31&lt;br /&gt;Os meus novos amigos são muito simpáticos. A certa altura, eu disse-lhes que, desde há muitos anos, tenho a ambição de produzir um filme.&lt;br /&gt;No final da noite, tivemos uma ideia: vamos criar um grupo cinematográfico, que fará críticas de filmes, escreverá guiões de cinema, e produzirá filmes. Já temos um nome: vamos chamar-nos “Fitzcarraldo Produções”, em jeito de homenagem ao filme do Herzog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 32&lt;br /&gt;O Foggia regressou à primeira divisão.&lt;br /&gt;Estou bastante motivado com o meu novo projecto.&lt;br /&gt;Amanhã começarei a escrever um guião para o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-8016262132650410306?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/8016262132650410306/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=8016262132650410306&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/8016262132650410306'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/8016262132650410306'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/04/fragmentos-de-um-desencanto-2-parte-e.html' title='Fragmentos de um desencanto- 2ª Parte, e Conclusão'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-3143952257671459709</id><published>2010-04-30T04:19:00.000+01:00</published><updated>2010-04-30T04:20:42.795+01:00</updated><title type='text'>Fragmentos de um desencanto- parte 1</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Dia 1&lt;br /&gt;Fui cordialmente convidado a colaborar na revista literária “Rapunzéis da Modernidade”. Evidentemente, aceitei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 2&lt;br /&gt;Primeira reunião do grupo, numa mesa de café. Somos 10, ao todo. O líder do grupo apareceu mais tarde. Não sei qual é o seu nome, pois usa cerca de 8 pseudónimos literários diferentes. Não cumprimentou ninguém, e fumou todos os cigarros do meu maço, sem que tenha pedido autorização. Levou para casa um livro que eu trazia, “A Arte e a Natureza nas lições de Hegel sobre a Estética”.&lt;br /&gt;Foi um início prometedor, pois estabeleci contactos com o líder do grupo.&lt;br /&gt;No final, até me dirigiu a palavra, quando me pediu para lhe pagar as bebidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 3&lt;br /&gt;Não sei muito bem em que consiste esta Revista. Aparentemente, publica poemas, ensaios, críticas e contos, e querem que eu envie três textos, que sairão no próximo número.&lt;br /&gt; Tenho uns cinco contos, guardados na gaveta da cómoda do quarto, escritos ao longo dos últimos oito anos. Amanhã, começo a revê-los. Escolherei aqueles que se enquadrem melhor no conceito da Revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 4&lt;br /&gt;Nada a assinalar. Hoje, não tive quase tempo de passar em casa, muito menos, de abrir a gaveta da cómoda do quarto, e de escolher os contos. Amanhã, talvez…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 5&lt;br /&gt;Copos, em casa do Luís.&lt;br /&gt;Meia-final da Liga dos Campeões.&lt;br /&gt;Amanhã, começo a escolher os contos, para enviar ao pessoal da revista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 6&lt;br /&gt;Hoje, perdi o passe, e não pude sair de casa.&lt;br /&gt;Ganhei mais um campeonato no Championship Manager, depois de uma luta complicada entre a minha equipa, o Foggia, e a Sampdoria, que só ficou resolvida nos últimos minutos, do último jogo, com um golo do meu reforço mais recente, o Balotelli.&lt;br /&gt;Postei uns vídeos no facebook, relacionados com a lenda de Rapunzel.&lt;br /&gt;Acho que começo a compreender o espírito da revista, e sinto-me motivado a escolher uns bons contos.&lt;br /&gt;Amanhã, logo quando acordar, ponho mãos ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 7&lt;br /&gt;Acordei, com o som do telefone. Convidaram-me a ir a duas manifestações, durante a tarde.&lt;br /&gt;Encontrei antigos amigos, e jantei com eles.&lt;br /&gt;Cheguei tarde a casa, depois de uma noitada de copos.&lt;br /&gt;Amanhã, começo a escolher os contos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 8&lt;br /&gt;Tragédia!&lt;br /&gt; Abri a gaveta da cómoda do quarto, e não havia nada lá dentro. Só encontrei mortalhas, antigos bilhetes de cinema, moedas estrangeiras, dois baralhos de cartas, fotografias tipo-passe dos meus tempos da Faculdade, e duas embalagens de bolachas, ressequidas.&lt;br /&gt;Dos contos, nem vestígios.&lt;br /&gt;Procurei em todo o lado – debaixo da cama, em cima dos móveis, na banheira, dentro do microondas…sem resultados.&lt;br /&gt;Os contos desapareceram.&lt;br /&gt;Vivo sozinho, em casa, e raramente recebo visitas.&lt;br /&gt;Conclusão: o assalto foi perpetrado por gnomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 9&lt;br /&gt;“Os gnomos são espíritos de pequena estatura, amplamente conhecidos e descritos entre os seres elementais da terra”. #&lt;br /&gt;“Com a evolução dos contos, o gnomo tornou-se na imaginação popular um anão, senão um ser muito pequeno com poucos centímetros de altura” #&lt;br /&gt;# Source: wikipedia brasileira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 10&lt;br /&gt;Suspeito que os gnomos vivam em minha casa há vários anos. Isso explica o desaparecimento de diversos objectos, tais como:&lt;br /&gt;3 molhos de chaves;&lt;br /&gt;Um enxoval completo;&lt;br /&gt;Uma carteira, que tinha, no seu interior, um cartão de crédito, o passaporte, carta de condução, cinco bilhetes de metro (dois deles caducados), uma embalagem de preservativos, e quatro euros;&lt;br /&gt;Algumas peças de roupa, tais como: casacos, cachecóis, e uma boina vermelha;&lt;br /&gt;Conclusão: os gnomos praticam métodos de contracepção. Terão, também, doenças sexualmente transmissíveis?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 11&lt;br /&gt;Lembrei-me de uma antiga namorada, a Marta, que me abandonou, durante a noite, enquanto eu dormia.&lt;br /&gt;Provavelmente, foi raptada pelos gnomos, que roubaram, igualmente, a televisão (que comprei, a meias, com a Marta, e que desapareceu nessa mesma noite) e um leitor de DVD’s.&lt;br /&gt;Isto explica o facto de a Marta nunca mais me ter atendido o telefone, e que me tenha respondido, apenas uma vez, com a seguinte mensagem:&lt;br /&gt;“Não me procures mais, seu atrasado mental!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 12&lt;br /&gt;Hoje, ao acordar, cheguei à conclusão de que tenho pensado em muitos disparates, ao longo dos últimos dias.&lt;br /&gt;Tenho vindo a ser submetido a um elevadíssimo nível de stress. O facto de saber que terei de escolher alguns contos, e de ter o compromisso de os submeter a uma revista literária arrasa-me os nervos.&lt;br /&gt;Por isso, a minha capacidade de discernimento tornou-se mais ténue, e cheguei à ideia disparatada de que uns gnomos me teriam assaltado a casa.&lt;br /&gt;Ora, após uma análise mais elaborada dos factos, e de algumas horas de estudo, e pesquisa, cheguei à conclusão de que os gnomos não me assaltaram a casa.&lt;br /&gt;Alguma vez um gnomo seria capaz de fazer essas travessuras?&lt;br /&gt;Pois claro que não!&lt;br /&gt;A causa de todos os meus males é outra, e descobria-a:&lt;br /&gt;Tenho sido atacado por Sacis.&lt;br /&gt;Segundo a wiki brasileira, o “Saci, ou Saci-Pererê, é um negrinho de uma só perna, que fuma cachimbo, e usa um barrete vermelho, que lhe dá os poderes milagrosos. Este espírito, em vez de ajudar na casa, é o responsável por uma série de tropelias, que incluem a ocultação de objectos, e o estrago de alimentos. Segundo a tradição, este espírito traquinas paga muito ouro para reaver o seu barrete, caso este lhe seja roubado pelos humanos”.&lt;br /&gt;Notas: parece que o Saci estraga alimentos. Eis a razão de eu ter, quase sempre, uma quantidade incrível de alimentos putrefactos, em casa.&lt;br /&gt;Nota ainda mais interessante: como disse atrás, desapareceu-me a boina vermelha. Ora, o Saci usa um barrete vermelho. Será que o Saci perdeu o seu barrete, ou confundiu-o com a minha boina? Se for o caso, e se eu recuperar o barrete do Saci, este pagar-me-á uma avultada quantia em ouro, para o reaver.&lt;br /&gt;Esta hipótese abre-me grandes perspectivas. Se o Saci me der ouro, escuso de me candidatar ao Doutoramento, para ganhar uns trocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 13&lt;br /&gt;Afinal, encontrei todos os meus contos, dentro de uma mala velha, que levei uma vez, para casa dos meus pais.&lt;br /&gt;Agora recordo-me bem: foi no Natal do ano passado, quando me convidaram a participar numa revista literária.&lt;br /&gt;Levei os contos, para os rever, e para escolher três, que se enquadrassem no conceito da revista.&lt;br /&gt;Isto leva-me a concluir o seguinte:&lt;br /&gt;1-      Já enviei os meus contos para outras revistas literárias. Como tal, não posso reutilizá-los;&lt;br /&gt;2-      Não se tratou, portanto, de um assalto. O caso é mais grave: alguém entrou no meu cérebro, e começou a controlá-lo, provocando-me perdas de memória, e de concentração.&lt;br /&gt;Conclusão: posso esquecer a história do Saci, e do ouro. Terei mesmo de me candidatar a uma Bolsa de Estudo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/22005754-3143952257671459709?l=angulosaxofonico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/feeds/3143952257671459709/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=22005754&amp;postID=3143952257671459709&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/3143952257671459709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/22005754/posts/default/3143952257671459709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://angulosaxofonico.blogspot.com/2010/04/fragmentos-de-um-desencanto-parte-1.html' title='Fragmentos de um desencanto- parte 1'/><author><name>Lugones</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05502474612767913828</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='23' height='32' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5950/2233/1600/Lugones2ii.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-22005754.post-1836638121469534299</id><published>2010-04-07T01:12:00.006+01:00</published><updated>2010-04-07T01:32:41.369+01:00</updated><title type='text'>Mais uma história de Zombies</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Muito boa tarde. Linha erótica “&lt;strong&gt;Eterno Prazer&lt;/strong&gt;”. Daqui fala a Solange. Em que posso ser útil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;- Hum…bem, quer dizer, não acho que este seja um início de conversa muito promissor…&lt;br /&gt;- Muito promissor? Como assim? Fui antipática? Desejei-lhe boa tarde, disse de onde falava, indiquei-lhe o meu nome, e ofereci-lhe os meus préstimos…&lt;br /&gt;-Não coloco isso em causa, mas não podíamos começar de um modo um bocadinho menos formal? Para já, podias tratar-me por “tu”, como se eu fosse o teu namorado, ou…ou…&lt;br /&gt;- Ou amante?&lt;br /&gt;- Sim, isso.&lt;br /&gt;- Para isso, tinhas de dizer o teu nome. Ainda não te apresentaste.&lt;br /&gt;- Não necessariamente. Bastava teres atendido, com um “olá, querido”. Olha… trata-me por “Rolf”.&lt;br /&gt;- Rolf? Isso não é nome de cão?&lt;br /&gt;- Achas? Rolf é um nome muito bonito.&lt;br /&gt;- Pronto, olá, Rolf querido, fico muito feliz por ouvir a tua voz! Está melhor assim?&lt;br /&gt;- Muito melhor! Mas com esta introdução toda, já perdemos um minuto e, neste caso, tempo é dinheiro! Vamos despachar-nos, até porque estou a ligar do telefone fixo, de minha casa, gasto dinheiro e, daí a pouco…hum…terei de desligar…por isso…o que trazes vestido?&lt;br /&gt;- Queres saber o que eu trago vestido, Zé Carlos?&lt;br /&gt;- Zé Carlos? Como é que tu sabes o meu…quer dizer, trata-me por Rolf, já te disse!&lt;br /&gt;- Zé Carlos, a Luisinha está quase a chegar a casa, vinda do trabalho…&lt;br /&gt;- Já te disse, trata-me por “Rolf”, e…que disparates são esses…como é que sabes que a minha mulher se chama…quer dizer, quem é a Luisinha?&lt;br /&gt;- Oh, Zé Carlos, não fiques tão embaraçado! E não precisas de me mentir! Posso, também, garantir-te que a Luisinha ainda vai demorar uns 15 minutos a chegar a casa!&lt;br /&gt;- Como é que sabes?&lt;br /&gt;- Zé Carlos...já nem reconheces a voz da tua querida sogra? Fico triste…&lt;br /&gt;- O quê? Dona Graciete?&lt;br /&gt;- Muito bem, Rolf, acertaste!&lt;br /&gt;- Que brincadeira vem a ser esta? Não podes ser a Dona Graciete, ela nunca trabalharia numa linha erótica, além disso…&lt;br /&gt;- Oh, que preconceito parvo, Rolf! Isso nem parece teu! Tu estavas sempre a recriminar-me por votar nos partidos conservadores, por ser contra o aborto, os preservativos, a pederastia e a pedofilia, e por guardar um retrato do Salazar na mesa-de-cabeceira, ao lado da Bíblia…&lt;br /&gt;- Mais um motivo para não acreditar que a Dona Graciete, tão religiosa, esteja a trabalhar numas linhas eróticas, para mais, depois de ter…&lt;br /&gt;- Vá, vamos parar com essas conversas, que a minha filha deve estar quase a chegar a casa, Zé Carlos! Passemos aos preliminares: sabes o que eu tenho vestido? Um cinto de ligas, e uma lingerie irresistível…de pantera! Gostas? Já provaste pantera?&lt;br /&gt;- Dona Graciete!&lt;br /&gt;- Sim, querido?&lt;br /&gt;- A Dona Graciete morreu há um ano!&lt;br /&gt;- Sim, querido, é verdade. Mais precisamente, há um ano, e sete meses. Mais um motivo para estar excitada, já não faço sexo há muito tempo. Rolf, que cuecas usas? Estás com tesão? Descreve-me a tua pila! É grande? Circuncidada?&lt;br /&gt;- Dona Graciete, vou repetir: a senhora está morta, eu próprio me certifiquei, de que ficava bem enterrada!&lt;br /&gt;- Oh sim, Rolf, enterra-ma toda, já!&lt;br /&gt;- Dona Graciete, pare com essa linguagem ordinária, credo! A Dona Graciete que me perdoe, mas a senhora já não era nenhuma beleza, quando me casei com a Luisinha. A senhora ainda era mais feia, 5 anos depois de nos termos casado. Agora, um ano e sete meses depois de estar defunta, nem quero imaginar a sua aparência…&lt;br /&gt;- Não gostas de mulheres magras, Rolf?&lt;br /&gt;- Dona Graciete, tem de concordar que um esqueleto vestido de pantera não deve ser propriamente a coisa mais apetecível…&lt;br /&gt;- Oh Rolf, tu também não tens muito que falar…&lt;br /&gt;- Como assim, Dona Graciete?&lt;br /&gt;- Rolf, eu sei que tu eras bom rapaz, quando te casaste, mas não eras propriamente uma beleza…aquela pele meio escamada…&lt;br /&gt;- São eczemas!&lt;br /&gt;- Aqueles olhos, que é impossível adivinhar para onde se estão a fixar…&lt;br /&gt;- Chama-se estrabismo!&lt;br /&gt;- Aquele mau hálito insuportável…&lt;br /&gt;- É por causa de uma úlcera…&lt;br /&gt;- E, principalmente, a tua cara, Rolf! Parece que sofreu uma mutação do homem-elefante!&lt;br /&gt;- É genético! Tive um tio-avô assim…&lt;br /&gt;- Deves ter tido uma infância muito infeliz, Rolf!&lt;br /&gt;- É verdade…&lt;br /&gt;- As crianças deviam gozar contigo…&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- E bater-te…&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;-E as miúdas riam-se da tua cara…&lt;br /&gt;- Sim…&lt;br /&gt;- Até os teus pais, não deveriam suportar a tua presença…&lt;br /&gt;- Isso é mentira, mandaram-me viver com os meus avós para bem da minha saúde, para apanhar bons ares, na aldeia…&lt;br /&gt;- Numa aldeia ao lado de uma central eléctrica, e de um matadouro?&lt;br /&gt;- Pelo menos, cresci ao pé dos animais…&lt;br /&gt;- Sejamos frontais, Rolf…os teus pais odiavam-te…&lt;br /&gt;- Não exageremos…&lt;br /&gt;- Os teus avós também te odiariam, caso não fossem cegos…&lt;br /&gt;- Mesmo assim, também me batiam…&lt;br /&gt;- Por isso, é que resolveste aplicar-te nos estudos, e fizeste tudo muito bem, Rolf! Tiraste o Curso de Economia, com uma média de 17 valores, e estás a trabalhar no mesmo escritório, há uma data de anos, a ganhar bom dinheiro, apesar de não teres amigos, e de os teus colegas te odiarem! Parabéns, Rolf!&lt;br /&gt;- Obrigado…&lt;br /&gt;- Como é que conheceste a minha filha? Ah já sei, ela tinha feito um aborto, o namorado deixou-a, e eu recriminei-a, estás a ver, Rolf, na altura em que eu era muito religiosa, e disse-lhe que era castigo de Deus, e que devia fazer penitência. Eu disse-lhe que ela tinha de casar com o homem mais feio à face da Terra, e ser-lhe fiel, e não conseguir praticar actos sexuais com o marido, por ele ser tão repugnante, e grotesco, e 
